Uso da dexametasona em pacientes com covid é aprovado pela UFRN

Publicação: 2020-07-25 00:00:00
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Professores do Departamento de Infectologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (DINF/UFRN) realizaram uma reunião e apresentaram recomendações, com base nas evidências científicas disponíveis, a serem seguidas pelos médicos e comunidade acadêmica para o tratamento de pacientes com covid-19. O grupo de professores aprova o uso do medicamento dexametasona, que atua no sistema imune. 

Créditos: Magnus NascimentoDiretor do Departamento de Infectologia da UFRN, Kleber Luz chama atenção para uso de remédiosDiretor do Departamento de Infectologia da UFRN, Kleber Luz chama atenção para uso de remédios


“Um ensaio clínico sugere que baixa dose dexametasona (6 mg/dia) tenha benefício no manejo de pacientes graves, com necessidade de oxigênio suplementar”, destaca  documento publicado após a reunião dos infectologistas realizada no dia 16 de julho. Baseados no uso em pacientes graves ou no contexto de ensaios clínicos randomizados e aprovados pelas agências regulatórias, os especialistas da UFRN também admitem o uso de imunoterapia, através de inibidores, imunoglobulina anti-SARS-CoV-2 ou plasma de convalescente. 

“Vários estudos reforçam o posicionamento. Um dos mais importantes foi o publicado no New England Journal of Medicine, no dia 16 de julho, que reforça a utilidade, ainda que pequena, da dexametasona. É um corticoide que impacta na sobrevida das pessoas com covid grave”, citou o professor Kleber Luz.

Outra recomendação é a do uso de anticoagulantes. “As evidências existentes sugerem que todos pacientes internados devem receber profilaxia antitrombótica. Anticoagulação plena deve ser iniciada tão logo surjam sinais clínicos e/ou radiológicos de tromboembolismo”, afirma a nota dos acadêmicos. 

A UFRN está envolvida em estudos para desenvolver medicamentos que possam inibir, ou diminuir, a atividade inflamatória em pacientes com covid-19. “Quando a pessoa tem a covid, além da replicação viral, entra em um processo inflamatório. Essa droga visa combater essa inflamação que posa colaborar para o mau prognóstico das pessoas”, explica Kleber 

Desaprovados
De acordo com a maioria dos profissionais, não há evidência de efetividade do uso de drogas como ivermectina e cloroquina no tratamento, ou na prevenção à infecção pelo novo coronavírus. A primeira reunião entre os professores do Dinf aconteceu no dia 7 de julho, e uma atualização foi feita no último dia 16. Na primeira data, todos os professores estiveram presentes, já na atualização, apenas dois especialistas não compareceram.

Segundo documento divulgado após a atualização, “não há dados na literatura que justifiquem o uso de qualquer fármaco para evitar a infecção pelo SARS-CoV-2 ou ainda, que possa impactar na gravidade da doença antes que ela se estabeleça, como por exemplo a ivermectina”. Sobre a Profilaxia Pós-Exposição, tratamento que visa evitar o estabelecimento de sintomas após contato com o vírus, o posicionamento dos professores é de que “os resultados até agora apontam para ineficácia desta medida, como por exemplo, o uso da hidroxicloroquina para este objetivo”. 

O professor Kleber Luz, Chefe do Departamento de Infectologia, cita um estudo importante sobre o uso da hidroxicloroquina publicado no New England Journal of Medicine, que contou com a participação de três professoras do DINF/UFRN: Eveline Milan, Manoella Alves e Mônica Bay. A pesquisa comparou três grupos de indivíduos nos primeiros sete dias de sintomas. Um grupo não usou nenhum medicamento, outro usou apenas a hidroxicloroquina e o terceiro utilizou a hidroxicloroquina, associada a azitromicina.

“Nesse estudo, não mostrou diferença. Então não adianta utilizar a cloroquina sozinha ou com a azitromicina, porque não mostra diferença na evolução clínica das pessoas. Esse studo mostrou também que a cloroquina usada em associação com a azitromicina, não mostrou um grande número e efeitos colaterais sobre o coração, que era uma coisa que se temia, mas não foi o objetivo”, detalhou Kleber Luz.