Vírus

Publicação: 2019-11-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Itamar Ciriaco / itamar@tribunadonorte.com.br


O início de Tite como treinador se assemelha ao de muitos que saíram do Rio Grande do Sul. Uma formação tática forte, com poder defensivo grande, graças a uma marcação sólida. Esse perfil fez com que o técnico da Seleção Brasileira construísse toda sua carreira e atingisse, nos clubes, seu ponto máximo, quando sagrou-se campeão do mundo pelo Corinthians. Naquele jogo final, diante do Chelsea, ele mostrou, em plenitude, como esse esquema funciona e como é capaz de vencer. Naquela época ele ganhou um apelido: EMPATITE, devido ao excesso de empates. Depois passou a vencer todos os jogos pelo placar mínimo: 1 a 0. Assim o fez naquela final diante dos ingleses: 1 a 0.

Vírus 1
Então veio a chance na Seleção Brasileira, após a queda de Dunga. Tite assumiu o comando e revolucionou. Uso esse termo porque, segundo o dicionário, revolucionar significa “transformar profundamente; causar sensível mudança”. Foi o que aconteceu, mas não apenas com a equipe, o técnico mudou a si próprio. O Brasil iniciou uma trajetória virtuosa não apenas em termos de resultado, saindo de uma posição ruim para líder absoluto das Eliminatórias para a Copa da Rússia, mas principalmente mostrando um futebol que encantava. Marcação adiantada, mudança de posições, alternativas de jogadas pelo meio, pontas e até mesmo em bolas aéreas. Era outro Brasil, era outro Tite. Adeus “tic-tac” de Guardiola.

Vírus 2
Veio a Copa da Rússia. O Brasil, como sempre, favorito, mas dessa vez, favoritíssimo. O time tinha dado show nas Eliminatórias e Neymar, antes da contusão, estava voando em campo. Gabriel Jesus fazia gol até de costas e Philippe Coutinho era o segundo em campo, em termos técnicos. A primeira fase foi sofrível. Sufoco contra a Suíça e Costa Rica. Depois México e por fim o adeus diante da Bélgica. Neste jogo, Tite levou um baile tático no primeiro tempo, recuperou-se e fez, nos 45 minutos finais, a melhor atuação do time no mundial russo. Mas era tarde e o título ficou para trás.

Vírus 3
Depois disso o Tite parece ter feito uma nova revolução, mas dessa vez não para o bem. A mudança veio para pior. É aí que o VÍRUS aparece. A derrota na Copa gerou no treinador o medo da derrota. Um velho ditado nos ensina: “O medo de perder, tira a vontade de vencer”. O Agenor não era mais o mesmo. Em amistosos falava na importância do resultado. Era ganhar ainda que o futebol não mostrasse qualidade. Nas convocações insistências em velhos conceitos que se provaram falhos. Coutinho não deslancha. Gabriel Jesus não produz. E Neymar... bem, esse ainda não decidiu se gosta de Paris.

Vírus 4
Pior de tudo é que esse VÍRUS traz também outros sintomas graves. O primeiro é passar a aceitar tudo que a Confederação Brasileira de Futebol e seus desejos financeiros quer, com o agravante de fazer a defesa desse ato. Jogar amistosos contra seleções inexpressivas, longe do torcedor brasileiro é um desses sintomas. Outro destes é a convocação de atletas de qualidade questionável e com origens totalmente desconhecidas dos brasileiros. As críticas a esse tipo de atitude sempre trazem com elas as suspeitas de tentativa de valorização de jogadores a pedido de determinados empresários. Em alguns contratos celebrados na Europa, existe uma cláusula de valorização. Neste ponto, o salário do jogador é reajustado para cima no caso de convocação pela seleção. Além disso, todos sabemos que, vestir a camisa amarela, dá entrevistas e aparecer para o mundo inteiro, valoriza qualquer profissional. Isso, ou seja, esse VÍRUS, a gente já viu em outros técnicos. Os sintomas estão se repetindo. Espero que ainda haja tempo para cura, no caso de Tite.

Feminino
Neste sábado (16), acontecem os jogos de ida da semifinal do Campeonato Potiguar Feminino e os confrontos serão realizados no Estádio Juvenal Lamartine, em Natal. O primeiro jogo do dia está marcado para começar às 9h, Palmeira e Cruzeiro fazem o duelo, enquanto que a tarde, às 15h, será a vez de Força e Luz e União se confrontarem. Os jogos de volta da semifinal do Campeonato Potiguar Feminino ficaram aprazados para acontecer no outro sábado (23), a primeira partida sendo realizada às 9h, entre Cruzeiro e Palmeira, já no período vespertino, às 15h, União e Força e Luz entram em campo no Juvenal Lamartine.

Preocupação
Quem nunca ouviu a frase: “Usar um carro desses em estradas esburacadas como as do Brasil”? Pois é usa-se a expressão para mostrar que usar um carrão cheio de tecnologia e luxo nas ruas brasileiras é um desperdício. Recebi um texto sobre a bola que vai ser utilizada no Campeonato Potiguar 2020 e confesso que fiquei preocupado. A pelota, que um dia já machucou pés e mãos de grandes craques e goleiros extraordinários, mudou e, hoje em dia, de tanta tecnologia, só falta falar. Segundo o fabricante, a esfera, testada em túnel de vento, tem desempenho melhor que a antecessora. O texto ainda diz que a bola tem: “uma gravação que auxilia o produto a ter uma melhor aerodinâmica durante o voo. Por dentro, é composta por uma câmara 6D que proporciona equilíbrio total à bola e camada de NEOTEC que a torna menos contundente sem perder elasticidade. Para a união dos 14 gomos com a estrutura interna, a Penalty utiliza a exclusiva tecnologia Termotec, de termo fusão, que garante 0% absorção de água e mantém as propriedades de peso e velocidade da bola mesmo em condições de chuva forte”. A preocupação é se não é carro demais para nossas estradas.




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