Vítimas de chacina não eram o alvo

Publicação: 2017-05-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Marcelo Filho
Repórter

As seis pessoas executadas na noite da última terça-feira (16), no município de Serra do Mel, na região do Oeste Potiguar, não tinham envolvimento com crimes. Elas teriam sido mortas por engano. Essa é a hipótese levantada pela 2ª Delegacia de Polícia Civil de Mossoró, que investiga a chacina. De acordo com informações preliminares colhidas pelo delegado Caetano Baumann, titular da 2ª DP de Mossoró, o principal alvo dos atiradores seria Manoel Bento Ferreira Filho, o Manoel "Gago", de 30 anos, suspeito de integrar um bando responsável por arrastões em residências da região. Ninguém foi preso até o fechamento desta edição.

Na noite da terça-feira, as polícias Militar e Civil foram ao povoado Vila Pará, na zona rural de Serra do Mel, para ouvir testemunhas
Na noite da terça-feira, as polícias Militar e Civil foram ao povoado Vila Pará, na zona rural de Serra do Mel, para ouvir testemunhas

Por volta das 21h de terça, um grupo de oito pessoas, entre elas, dois adolescentes de 15 e 16 anos, participavam de uma pequena confraternização em uma casa localizada na comunidade Vila Pará, na zona rural de Serra do Mel, distante cerca de 250 km de Natal. Quatro homens, encapuzados, teriam descido em um veículo distante do local e se dirigiram aos fundos do imóvel. Em seguida, dispararam contra um poste de iluminação, arrombaram a porta e ordenaram que todos saíssem do local e deitassem no chão, quando foram mortos à tiros. Neste momento, Manoel "Gago", apontado como o principal alvo dos atiradores, conseguiu fugir sem que fosse notado.

"O Manoel fazia parte de uma quadrilha que atuava em Serra do Mel, na prática de assaltos e arrastões em residências da região. Isso causava grande revolta aos moradores. Ao que tudo indica, quiseram fazer justiça com as próprias mãos", afirma o delegado Caetano Baumann, que preferiu não detalhar as linhas de investigação para não atrapalhar o andamento dos trabalhos.

Moradores da comunidade Vila Pará entraram em contato com a Polícia para informar sobre movimentação incomum na residência palco da chacina. Ainda não se sabe a quem pertencia o imóvel. Porém, há a suspeita de que o local era utilizado pelo bando o qual Manoel fazia parte. Essa seria uma das indicações que os atiradores possuíam para se dirigir até o local e executar o crime.

"Temos quase certeza que foi uma espécie de vingança. Só quem poderia fazer isso [a chacina] foi gente da Serra do Mel, ao saber que eles estariam naquela casa e naquela hora. Mas, ontem [terça], não seria com pessoas do bando, elas estavam ali pela primeira vez", diz o delegado, que associa às mortes como uma "fatalidade". As vítimas foram identificadas como Anderson Damião Lopes Firino, 19 anos, Diogo João de Lima, 19 anos, Edileusa de Jesus Santos, 19 anos, Felipe Ferreira de Lima, 18 anos, Francisco Luigi Paulo da Silva, 15 anos, e José Orlando da Silva, 32 anos.

Além de Manoel "Gago", que conseguiu fugir e cujo paradeiro é desconhecido até o momento, um adolescente de 16 anos sobreviveu à matança, mesmo após receber disparos na mão e clavícula, e que prestou depoimento. "Ele relatou que, pela forma como a pistola foi apontada, o tiro seria na cabeça, além de descrever como ocorreu o crime", explica Baumann.

Ainda conforme o titular da 2ª DP de Mossoró, o jovem é de Natal, onde ajudava a mãe com venda de doces em paradas de ônibus, e estava em Serra do Mel para trabalhar com torragem de castanha, à convite do colega Felipe Ferreira de Lima, morto na chacina. "Fazia três semanas que o adolescente estava aqui. Ele advertiu Felipe várias vezes para que não se aproximasse de Manoel. O colega, mesmo assim, insistiu para que fosse ao jantar nessa casa", disse o delegado.

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