Testes com 50 mil pessoas aponta eficácia de vacina chinesa contra Covid-19

Publicação: 2020-09-24 00:00:00
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou ontem que estudo feito em 50 mil pessoas na China indica segurança da Coronavac, o imunizante contra a covid-19 desenvolvido em parceria pelo laboratório Sinovac com o Instituto Butantan. Segundo o governo de São Paulo, 94,7% dos voluntários não apresentaram qualquer efeito adverso, índice que se equipararia a outras vacinas já amplamente usadas no Brasil, como a da gripe.

Créditos: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA / ESTADÃO CONTEÚDOXing Han, do Laboratório Sinovac, e João Doria apresentam estudo sobre o imunizanteXing Han, do Laboratório Sinovac, e João Doria apresentam estudo sobre o imunizante

O resultado divulgado é referente à aplicação emergencial de 67 260 doses da Coronavac em um total de 50.027 pessoas, que foi autorizada pelo governo chinês para alguns grupos, como pacientes de risco e funcionários da Sinovac. Por sua vez, o estudo clínico - que é realizado em diferentes países ainda com alta transmissão, incluindo o Brasil - está em fase 3, ainda em andamento. Só esta última pesquisa é que vai atestar ou não a eficácia da vacina.

Mesmo sem resultados clínicos conclusivos, a gestão Doria tem expectativa de conseguir iniciar a vacinação ainda na segunda quinzena de dezembro. Segundo o governo, São Paulo deve receber 60 milhões de doses até fevereiro.

De acordo com dados apresentados pela gestão, apenas 5,3% das pessoas que receberam emergencialmente a vacina na China apresentaram sintomas adversos - a maioria, no entanto, sem gravidade. Entre os efeitos colaterais, o mais comuns foram dor no local de aplicação (3,08%), fadiga (1,53%) e febre (0,21%). Destes, só quatro voluntários teriam apresentado quadros considerados mais graves. No grupo, teriam sido relatados sete efeitos colaterais, ao todo, que incluem falta de apetite, dor de cabeça e febre acima de 38,5ºC.

"Esses resultados comprovam que a Coronavac tem excelente perfil de segurança e confirma a manifestação feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que a indicou como uma das oito vacinas mais promissoras do mundo", afirmou Doria. "A vacina da gripe, por exemplo, apresenta efeitos adversos pouco nocivos em não mais do que 10% da totalidade das pessoas."

Na apresentação, Doria chegou a afirmar que a Coronavac também teria demonstrado eficácia em 98% dos casos. O índice, na verdade, diz respeito à soroconversão calculada - ou seja, quantas pessoas teriam apresentado resposta imunológica ao coronavírus, mas ainda sem a garantia de que, de fato, a presença de anticorpos protege contra a infecção.

Presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas disse que ainda é cedo para falar da eficiência. "O estudo de fase 3 está em andamento e os resultados são de conhecimento de quem controla o estudo, um organismo internacional", afirmou.

Segundo o governador João Doria, o primeiro lote com 5 milhões de doses da Coronavac, produzidas na China, chegará a São Paulo ainda em outubro.  

Governo federal vai liberar R$ 80 milhões 
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que o governo federal fará o repasse inicial de R$ 80 milhões ao Instituto Butantan para o desenvolvimento e ampliação da produção da vacina Coronavac, contra o novo coronavírus, em parceria com farmacêutica chinesa Sinovac. No mês passado, o governo paulista oficializou a demanda de R$ 1,9 bilhão ao governo federal para o desenvolvimento da vacina. O valor anunciado ontem corresponde, portanto, a pouco mais de 4% do total solicitado.

Doria recebeu a informação sobre o aporte de Jean Gorinchteyn enquanto concedia entrevista realizada rotineiramente no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Gorinchteyn se reuniu com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

"Aproveito para agradecer ao ministro Pazuello e toda sua equipe pela postura republicana, técnica e correta de enxergar a vacina do Instituto Butantan com a Sinovac como uma das vacinas necessárias ao povo brasileiro. E por ter uma visão que não é vinculada a nenhuma questão partidária, política ou ideológica como deve ser", disse Doria.

O governo estadual tem também um programa de doações de empresas privadas que, até a última semana, havia arrecadado R$ 97 milhões destinados a multiplicar a produção da vacina. O projeto de expansão das fábricas do Instituto Butantan tem custo total orçado de R$ 160 milhões.