Vacinas são prioridade, diz novo chanceler

Publicação: 2021-04-07 00:00:00
Em evento fechado, sem a participação da imprensa e sem transmissão ao vivo, o novo ministro das Relações Exteriores, o embaixador Carlos Alberto Franco França, tomou posse ontem com um discurso em tom apaziguador interna e externamente, uma guinada em relação às ações de seu antecessor, Ernesto Araújo. O novo chanceler declarou que o combate à pandemia de covid-19 será uma de três urgências, sublinhadas por ele mesmo, enquanto estiver à frente da Pasta - as outras duas são economia e questões climáticas.

França falou sobre o papel do Itamaraty no combate à pandemia ao lado do Ministério da Saúde, buscando novas fontes de oferta de vacinas no exterior, e a maior abertura do País ao globo, independentemente de questões de outras naturezas que não sejam as dos interesses do Brasil. "Sabemos todos que essa é uma tarefa que extrapola uma visão unicamente de governo. E que, no governo, compete também ao Itamaraty, em conjunto com o Ministério da Saúde", defendeu, sobre a coordenação do governo em relação ao surto.

Ele prometeu ampliar a rede de contatos das missões e consulados brasileiros no exterior para realizar uma "verdadeira diplomacia da saúde". "Em diferentes partes do mundo, serão crescentes os contatos com governos e laboratórios, para mapear as vacinas disponíveis. Serão crescentes as consultas a governos e farmacêuticas, na busca de remédios necessários ao tratamento dos pacientes em estado mais grave", disse.

O novo ministro prometeu ainda uma atuação no Itamaraty no Exterior sem preferências ou exclusões. Este também é um dos pontos que mais o diferenciam de seu antecessor, que, durante sua gestão nos dois primeiros anos do governo de Bolsonaro, fez ataques públicos à China. "Meu compromisso é engajar o Brasil em intenso esforço de cooperação internacional, sem exclusões. E abrir novos caminhos de atuação diplomática, sem preferências desta ou daquela natureza", afirmou, conforme discurso distribuído pelo ministério.

França disse que, na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Itamaraty está trabalhando por uma iniciativa sobre Comércio e Saúde. Segundo ele, são positivas as declarações da nova diretora-geral da instituição, a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, sobre a necessidade de um consenso amplo que garanta acesso a vacinas, com mais produção e melhor distribuição. "Asseguro que os recursos da nossa diplomacia permanecerão mobilizados para atender às demandas das autoridades de saúde."

A agenda da modernização da economia é fundamental para o Brasil e ela não tem como ocorrer sem que o País se abra para o mundo, segundo o ministro. "Como ensina o presidente Bolsonaro, o brasileiro quer vacina e quer emprego. E, para crescer e gerar mais empregos, a agenda da modernização da economia é fundamental", disse, acrescentando não se tratar de agenda estritamente doméstica. Para o novo ministro, não há modernização sem mais comércio, investimentos e melhor integração às cadeias globais de valor.

O embaixador reforçou a importância de se ter um relacionamento com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cada vez mais estreito - o Brasil tenta se candidatar a uma vaga no organismo multilateral com sede em Paris desde a oficialização do pedido, ainda no governo de Michel Temer.