Valorizar a cultura ajuda a gerar desenvolvimento econômico

Publicação: 2019-05-15 00:00:00 | Comentários: 0
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A valorização da arte e da cultura é fundamental para a construção da sociedade e para fomentar o desenvolvimento econômico, que leva a possibilidades de novos negócios, geração de emprego e renda. As afirmações foram feitas pela cantora e compositora Zélia Duncan e o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Miranda, na manhã dessa terça-feira (14), no seminário Motores do Desenvolvimento. Os convidados aproveitaram o momento para se manifestar sobre algumas das decisões políticas tomadas pelo Governo Federal, como o corte de 30% do orçamento de custeio das universidades públicas, além de debater sobre o papel das instituições em relação à promoção da arte. A palestra foi seguida por um debate entre os convidados, mediado pelo escritor potiguar Diógenes da Cunha Lima, que também falou sobre a importância da preservação do patrimônio histórico potiguar.

O diretor regional do SESC São Paulo, Danilo Miranda, o escritor Diógenes da Cunha Lima e a cantora Zélia Duncan destacaram que a valorização da arte e da cultura é vital
O diretor regional do SESC São Paulo, Danilo Miranda, o escritor Diógenes da Cunha Lima e a cantora Zélia Duncan destacaram que a valorização da arte e da cultura é vital

"A cultura no Brasil tem um papel importante, que é o da inclusão. Ele não é o único, mas é um dos principais. A cultura junta as pessoas, faz elas se sentirem parte da sua comunidade, de um espaço. Enquanto identidade, ela é a representação da alma de um povo, seja através da música, dança, artes visuais ou artesanato. É vital para o desenvolvimento", afirma o diretor regional do Sesc, que também fez provocações a respeito de falas do Ministro da Economia Paulo Guedes, que já anunciou planos para cortar recursos do Sistema S, ao qual o Sesc está vinculado.

“O sistema S vem sofrendo ataques, principalmente de gente que não sabe das ações efetivas que fazemos de transformação de vida para as pessoas”, e destaca que o papel da entidade não é apenas de patrocínio das artes. “Quando uma empresa patrocina alguma coisa, ela está retirando um pouco do seu resultado e entregando para que se faça algo em favor da sociedade. Nós do Sesc trabalhamos de forma diferente, estamos cumprindo uma missão institucional e, nesse sentido, não é um patrocínio, mas sim uma maneira de atuar bastante integrada, dentro dos objetivos da instituição”, completa o diretor. Ele destacou que o Sesc tem um DNA bem definido: “trabalhar o bem estar das pessoas”, com foco na saúde, educação, atividades físicas e da cultura no seu sentido mais amplo, e destacou que “qualquer corte no sistema significaria cortes de serviços importantes, essenciais”.

Zélia Duncan, que tem o hábito de se posicionar através das redes sociais sobre os temas políticos e sociais do Brasil, acrescentou que “arte e educação andam lado a lado” e que os últimos cortes anunciados pelo Governo Federal nas universidades terão impacto na produção artística do País.  “Nós, que somos criadores, sempre vamos dar um jeito, vamos sobreviver a isso. Ainda estamos um pouco daltônicos, e esperamos que o estrago não seja tão grande quanto se apresenta, e se ele for pior, vamos encontrar as saídas. Os artistas criando, de formas teóricas e práticas. Quanto maior o perigo, maior a coragem”, disse a cantora.

A defesa da educação pública foi endossada pelos companheiros de mesa, como o escritor potiguar. "O Rio Grande do Norte era um antes da Universidade Federal, e foi outro depois. Esse corte é um dos maiores absurdos da história do Brasil.", disse o escritor. “Não há indústria, não há comércio nem serviços sem cultura. Ela é o motor de todas essas coisas, e a arte é que confere a liberdade e possibilita pensar no ideal, o pensamento crítico. Isso forma a cidadania, o direito de pensar", destaca o escritor Diógenes da Cunha Lima.

Para Danilo Miranda, o debate deve perpassar também pelas questões das desigualdades históricas do País. “O maior problema do Brasil se chama desigualdade, que tem suas raízes na formação da sociedade brasileira. A desigualdade tem nome e sobrenome, ela está no âmbito político, social, geográfico, racial. O combate a essa desigualdade, na minha opinião, se dá claro no campo econômico, pois há questões graves que precisam ser resolvidas. Mas ela tem o fundamento de sua solução na educação e na cultura. Não tem outra saída: é a educação que vai nos salvar efetivamente, e é a cultura, juntamente com a educação, que vai nos transformar em cidadãos completos”, disse o diretor regional do Sesc.

Miranda frisou que, em todo o Brasil, o Sesc tem o compromisso de valorizar a cultura, e a instituição acompanhou as mudanças sociais, evoluindo de uma política assistencialista, de fornecer o básico ao comerciário, migrando para uma perspectiva educativa, dando condições ao indivíduo de se desenvolver. Ao defender a instituição diante das ameaças de cortes em cima do Sistema S, anunciados pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ele afirmou que “as ações do Sesc abrem caminhos para criação, formação de plateia e viabilização dos artistas. Qualquer corte nos valores das ações que o Sesc realiza, que qualquer outra instituição do Sistema S realize, será de um prejuízo muito grande. Nossa estrutura, que foi criada e é mantida com recursos dos empresários, é muito invejada por instituições de todo o País, e devia ser reverenciada”.

A cantora Zélia Duncan completou: “o Sistema S é salvação para muita gente, quando tudo parece que não está dando certo e ninguém te estende a mão, o Sesc está presente para nos ajudar e nos abraçar”.


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