Vanessa da Mata dá vez ao lado intérprete

Publicação: 2017-10-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Uma das cantoras mais queridas que surgiram na Música Popular Brasileira a partir dos anos 2000, Vanessa da Mata se destaca pela voz marcante e pelo bom repertório, o que pode ser visto no recém-lançado show “Caixinha de Música”. Sucessor da tour do álbum “Segue o Som" (2014) e do projeto intimista “Delicadeza", a nova apresentação foi mostrada pela primeira vez em maio, na Casa Natura Musical, em São Paulo, para registro ao vivo do CD e DVD homônimo -  lançado há duas semanas. Agora a cantora estreia a turnê pelo país, com passagem por Natal na próxima sexta-feira (13), onde faz show às 21h, no Teatro Riachuelo.

A cantora Vanessa da Mata, realizará show em Natal nesta semana
A cantora Vanessa da Mata, realizará show em Natal nesta semana

Ela conversou com a reportagem do VIVER sobre “Caixinha de música”, o trabalho onde Vanessa faz um apanhado íntimo e pessoal de canções que aprecia cantar, desde o repertório próprio até as mais surpreendentes versões de diferentes artistas. Há três canções inéditas: “Caixinha de música”, “Orgulho e nada mais” e “Gente feliz” - esta, produzida em parceria com a banda BaianaSystem.

Dentre os covers, a cantora trouxe para o setlist canções como “Mágoas de Caboclo” e “Vá para o inferno com seu amor”, sucessos de Orlando Silva e da dupla Milionário e José Rico. De acordo com Vanessa, a música sertaneja dos anos 1970 e 80 esteve muito presente na sua infância no Mato Grosso. Outras canções que ganharam o toque da artista foram “Love Will Tear Us Apart”, do Joy Division, e “Natural Mystic”, de Bob Marley.

Os hits antigos a cantora revisita com arranjos novos. Estão lá, por exemplo, “Boa sorte/Good look”, “Ai ai ai”, “Não me deixe só”, “Ainda bem”. Uma canção que estava um pouco esquecida, “Boa Reza”, gravada por ela e o grupo Almaz (formado por Seu Jorge e músicos da Nação Zumbi) para o disco beneficente “Red Hot Rio 2”, em 2011, volta à tona.

No palco, ela está acompanhada dos músicos Rodrigo Braga (teclado baixo synth e vocais), Ruvício Santos (bateria, percussões, pads) e Maurício Pacheco (guitarra, baixo, violão, programações eletrônicas, vocais e efeitos), que assina a direção musical.
Do Rio de Janeiro, Vanessa da Mata Nesta conversou por telefone com o VIVER. No papo, ela falou sobre a pegada eletrônica do disco, a escolha do repertório, a parceria com o BaianaSystem, a presença da voz feminina na MPB, o cenário político do país, dentre outros assuntos.

No que o show “Caixinha de Música” é diferente das turnês anteriores?
É um show totalmente diferente dos show anteriores. Desde o cenário, o figurino, a iluminação. No palco estou com três músicos, mas parecem muito mais. É um trabalho que tem muito de baile de preto, como a gente tinha antes em vários lugares do Brasil. Aquela coisa ritualística, brasileira e africana.

As músicas inéditas são composições recentes ou que você já tinha guardado?
São quatro músicas novas. “Caixinha de música”, “Orgulho e nada mais” e “Gente feliz” são todas de 2017. “Perfume barato” costumo dizer que é inédita porque eu nunca gravei, apesar de já tocá-la a algum tempo. É uma composição minha e do (Fernando) Catatau. Não estava muito satisfeita com o arranjo que vínhamos usando e para esse trabalho de agora demos uma nova cara.

A música “Gente Feliz” é uma parceria com a banda BainaSystem. Com se deu esse encontro?
Há dois anos estava num festival em Minas Gerais e pude acompanhar a apresentação do BaianaSystem. Fiquei chocada com aquela musicalidade deles, tão forte e nova. Para esse trabalho novo minha gravadora estava sugerindo alguns nomes e quando falaram do Baiana eu topei na hora. A música ficou ótima, eles acrescentaram graves. E parece que o público gostou. Já são mais de um milhão e meio de visualizações no Youtube.

Você revisita os principais sucessos da carreira. Que cara nova você deu a essas músicas?
Faço um passeio pela carreira, mas oferecendo arranjos diferentes, mais orgânicos e alongados no final. Nos anos 1970 não tinha muito isso de ter que acabar a música. Elas eram mais longas, tinham um espaço maior. É uma característica que ficou meio perdida e revisitamos. Em alguns momentos tem uma ritualização de música eletrônica e base de tambores. O eletrônico tem muito de ritual, cria um certo transe. Brincamos com isso também.

Você é uma cantora que se destaca pelas composições, a voz e a personalidade. Como vê o espaço das mulheres na música brasileira hoje? Há mais respeito?
Desde Clara Nunes, a primeira cantora a vender mais de 100 mil discos, as mulheres vem mostrando mais força na música brasileira. Meus discos sempre foram autorais. As cantoras tem sim obtido mais espaço, principalmente na MPB. A voz feminina, sensual, maternal, ela rapidamente é mais ouvida que a masculina. Mas sinto que o olhar sobre o intelectual ainda está mais direcionado aos homens.

O Brasil está passando por um momento conturbado na política e no social. Como tem lidado com  isso?
O Brasil é um país de contrastes. Tem muito feminicídio e mortes de homossexuais, mas as pessoas acreditam que não tem preconceito no Brasil. Estamos vendo coisas absurdas acontecerem. É um momento muito difícil, onde o papel da educação deveria ser mais do que nunca valorizado. Mas o que a gente vê é um abismo social e intelectual muito grande.

A situação do país te afeta a ponto de interferir na sua música?
Enquanto artista, isso me afeta. A gente viu uma movimento que apontava para uma saída de um estado de comodismo, mas ainda não pegamos o jeito de agir, de lutar. Mas não podemos se abater. Somos um povo muito positivo. Precisamos conservar a felicidade, essa energia que a gente vê forte na música.

Serviço
Show “Caixinha de Música”, de Vanessa da Mata
Dia 13 de outubro, às 21h
Teatro Riachuelo
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$50 (meia)


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