Vanusa, a estrela resiste

Publicação: 2020-10-29 00:00:00
Alex Mederos
alexmedeiros1959@gmail.com

Na segunda-feira, o cantor Raimundo Fagner fez o que gosta de fazer nos últimos anos. Pegar o violão e gravar uma canção no celular e enviar para amigos. E para festejar o velho amigo já ausente, Belchior, aniversariante do dia 26, soltou a voz e dedilhou nas cordas um clássico do parceiro, “Paralelas”, já cantado por tanta gente boa e que estourou no Brasil numa interpretação épica da cantora Vanusa, em 1975, período em que ela encantava a nação.

Mineira de Uberaba, nasceu em 22 de setembro, na abertura da primavera e foi registrada Vanusa Santos Flores. Quando criança, tomava aulas de judô enquanto a irmã, Valdelice, aprendia violão; mas logo meteu a mão no instrumento e se afinou com ele. Na adolescência, mudou para a cidadezinha de Frutal, também em Minas, e passou a cantar em festas como vocalista do conjunto Golden Lions, preferindo canções da onda do momento, Bossa Nova.

Nos anos 1960, a banda embarcou no movimento da Jovem Guarda e logo estava se apresentando em cidades de estados vizinhos, até que a garota recebeu convite para se apresentar num programa de TV em São Paulo.

Na primeira apresentação solo, foi acompanhada pelo famoso conjunto Os Incríveis e logo recebeu proposta de Wilton Franco para substituir o lutador Ted Boy Marino num programa de humor recheado de personalidades populares.

Ao lado dos cantores Wanderley Cardoso e Ivon Curi e do comediante Renato Aragão, ela compôs com talento o grupo que seria a gênese de Os Trapalhões anos depois. Já na TV Excelsior, conheceu o conterrâneo Eduardo Araújo.

O cara que ficaria famoso com hits do iê-iê-iê como “O Bom”, “Goiabão” e “Pode Vir Quente...”, abriu seu programa para Vanusa cantar e logo ela estava gravando uma canção dele e de Carlos Imperial pela gravadora RCA Victor.

O grande momento seria no programa de Roberto Carlos, Jovem Guarda, na Record, e dali partiria para o lançamento do primeiro álbum. A anatomia loura e uma voz afinada e forte colocaram a cantora no primeiro escalão da música.

Poucos sabem, mas enquanto ela fazia sucesso nos palcos e nos discos, inclusive com incursão numa novela da Tupi ao lado de Ronnie Von, seu passatempo preferido era escrever poemas, que infelizmente nunca publicou.

E foi sua essência poética que a aproximou de grandes compositores, como Antônio Marcos, que se tornaria marido, Mário Campanha e Belchior. Dos dois últimos explodiu com “Manhãs de Setembro”, 1974, e “Paralelas”, de 1975.

Nos anos em que Vanusa era campeã de audiência e vendagem de LPs, eu mudei o cabelo passando a repartir no meio e cortar em camadas, uma moda de época, coisa que fez o nome dela ser meu apelido nas peladas das Quintas.

Isso provocou uma gafe minha nos anos 1990 quando a conheci numa festa da TV Ponta Negra, onde eu era gerente de marketing. Sabedor do apodo de adolescência, o senador Carlos Alberto mandou eu contar o fato no jantar.

Iniciei a história dizendo “olha, Vanusa, quando você estava no auge eu era boy e seu nome era meu apelido por causa do cabelo”. Toinho Silveira e Ronaldo Soares fizeram cara de espanto. Um careca ferindo a vaidade loura.

O mês de setembro, do aniversário dela, da primavera e das manhãs que ela cantou, foi o mesmo que a levou a um internamento por pneumonia. Teve alta no dia 10 passado, e voltou ao recato do asilo para idosos pobres e doentes.

Ao ouvir Fagner cantando “Paralelas”, um hino geracional que ninguém interpretou com tanto sentimento quanto ela, bateu tristeza por ver uma estrela lutando num resto de luz. A imagem que guardo é espelho da minha juventude.

Créditos: Divulgação

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