Varejo discute dificuldades do setor para Copa de 2014

Publicação: 2010-07-16 00:00:00
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Entender as deficiências e buscar formas de superá-las é o que fará com que o Brasil tenha sucesso na preparação para receber a próxima Copa do Mundo de Futebol, em 2014. Esse é o entendimento dos participantes do Seminário Copa 2014, promovido pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do RN (FCDL), no qual foram debatidas ações para capacitar Natal a receber o próximo Mundial de da Federação Internacional de Futebol (Fifa). O evento foi realizado durante todo o dia de ontem, no Hotel Pirâmide, na Via Costeira.

O presidente da FCDL, Marcelo Rosado, explica que Natal foi a primeira a receber o evento, que será realizado em todas as cidades-sede até o próximo mês de outubro. Ele diz que o seminário tem o intuito de fazer com que a população se envolva com o evento, ao conhecer o projeto da Copa.

Segundo Rosado, a Copa de 2014 será a chance de o país se mostrar ao mundo. “Precisamos nos preparar agora, pois o Brasil já perdeu outras oportunidades. A gente dizia que o Brasil era o país do futuro e a realidade é que podemos dizer que o Brasil é o país do agora’’.

Para o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL),  Roque Pellizzaro Júnior, é imprescindível que o Brasil não tenha medo de suas deficiências. Pellizzaro destaca que haverá o afloramento dos gargalos no processo de preparação para a Copa de 2014 e com o Brasil será exigido no pico de sua demanda, deixando claras todas as dificuldades existentes no país, com o agravante de estar sob o holofote de toda a mídia internacional.

Dessa forma, o projeto para o Mundial de Futebol deve ser iniciado imediatamente, para que as deficiências possam ser suplantadas a tempo. “O brasileiro tem que acabar com o péssimo hábito de deixar tudo por última hora. Em um evento desta envergadura isso é a receita para um desastre’’, ressalta.

Tecnologia

O diretor geral do projeto 2014, Marcelo Castro, apontou a necessidade de investimentos maciços em infraestrutura tecnológica, para receber a Copa do Mundo. De acordo com Castro, hoje, a sociedade é digital, sendo imprescindível o preparo do país com esse tipo de estrutura, pois a demanda será enorme. “É preciso estar atento e oferecer estrutura para atender demandas como a entrada de cartões de crédito em massa, o aumento das transações bancárias via internet, além da transformação da rede hoteleira em verdadeiros escritórios profissionais para jornalistas e também turistas”.

O especialista em negócios e economia digital Jack London também chamou a atenção para o fortalecimento da tecnologia, afirmando que cerca de 10 anos atrás as pessoas tinham receio em fazer transações bancárias pela internet e hoje isso é uma realidade para a maioria dos brasileiros. “A internet se popularizou de tal forma, que podemos considerar que hoje as pessoas já nascem digitais”.

Apontando o mesmo cenário mostrado por London, o diretor técnico da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Wilson Gutierrez, conta que a segurança é uma das preocupações com a realização do evento. Tanto, que o setor investiu R$ 7,5 bilhões de reais em segurança durante o ano passado. “O volume de transações que acontecerá no mês da Copa será gigantesco e poderá despertar a atenção de hackers, por exemplo. Precisamos estar prontos para combater esse tipo de crime e o Brasil ainda não tem uma lei que tipifique o crime virtual”, analisa.

Empresários precisam estar preparados imediatamente

O presidente da FCDL, Marcelo Rosado, afirma que muitos acreditam que se preparar para a Copa é simplesmente construir um estádio bonito e ter um aeroporto capaz de receber um grande fluxo de turistas, mas essa visão está bastante equivocada.

De acordo com ele, o comércio varejista precisa compreender imediatamente quais são as suas preocupações, além de identificar o investimento que será necessário para os comerciantes potiguares chegarem satisfatoriamente à Copa de 2014. “É preciso lembrar que o investimento não é apenas na expansão dos negócios, mas também na preparação e qualificação da mão de obra, bem como na estruturação para receber clientes, principalmente de outras nacionalidades”, aponta.

Como principais desafios que o setor terá que enfrentar nos próximos anos, Rosado enumera o atendimento, a mobilidade urbana e a segurança pública. Outro ponto ressaltado pelo presidente da FCDL é o fato de que a comunicação será imprescindível para receber bem os visitantes atraídos ao Rio Grande do Norte pelo evento esportivo. “Os turistas que chegarão ao Estado precisarão também de informações relativas a como se locomover dentro da nossa cidade, ir ao estádio, ter assistência à saúde, ir a restaurantes e a uma infinidade de programas de lazer”, alerta.

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