Varejo no Rio Grande do Norte cresce 6,5% e tem o 4º mês de alta seguido

Publicação: 2020-10-15 00:00:00
Pela primeira vez desde o início da pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, o volume de vendas de um mês de 2020 superou igual período de 2019, no Rio Grande do Norte. Em agosto deste ano, o volume de vendas do varejo potiguar cresceu 2,9% ante o mesmo mês do ano passado. Nessa análise, o Estado teve o quarto menor crescimento no País. Em agosto de 2019, o crescimento ante o mesmo mês do ano anterior foi de 0,8%. Na comparação entre agosto e julho deste ano, as vendas cresceram 6,5%, superando a média do Brasil (3,4%). Foi o quarto mês de alta consecutiva. Em maio, a alta foi de 7,2%; em junho de 5% e julho, 7,6%. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Créditos: Adriano AbreuEm agosto ante julho deste ano, o comércio varejista do RN cresceu 6,5%. Foi a quarta alta seguidaEm agosto ante julho deste ano, o comércio varejista do RN cresceu 6,5%. Foi a quarta alta seguida

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Já o comércio varejista ampliado, que inclui os segmentos de venda de “veículos, motocicletas, partes e peças” e “material de construção”, cresceu 5,4% em agosto em relação ao mês anterior, acima da média do Brasil (4,6%). Na comparação com agosto de 2019, a variação positiva foi de 3,1%, o terceiro menor crescimento entre as unidades da Federação nessa perspectiva.

A análise da PMC mostra ainda que a receita nominal de vendas cresceu 6,5% em agosto deste ano ante julho; e 7,2% na comparação com agosto de 2019. No acumulado do ano, a receita nominal de vendas continua negativa em 1,7%. No varejo ampliado, a alta foi de 6,3% ante julho; e de 8,1% na comparação com agosto do ano passado. De janeiro a agosto, a receita nominal do varejo ampliado continua negativa em 3,3%.

Boletim de Atividade Econômica da Secretaria Estadual de Tributação (SET), divulgado no começo de setembro deste ano, já mostrava recuperação no movimento econômico do Estado no mês de agosto. O volume de transações comerciais, de forma geral, ocorridas no mês foi superior ao do mesmo período de 2019, inclusive no varejo. De acordo com os dados, o valor médio diário de operações do varejo potiguar alcançou o patamar de R$ 87,14 milhões, montante que é 11,73% superior ao do mesmo período de 2019 (com valores corrigidos pelo IPCA). 

O Boletim divulgado em outubro também aponta crescimento em setembro, quando o valor médio diário de transações comerciais do varejo superou os R$ 89,44 milhões, o que significa 2,5% maior que o mês de agosto deste ano e 11,66% maior que o mesmo período do ano passado. Isso significa que, no mês, os empreendedores emitram 25,2 milhões de notas fiscais. A  quantidade de documentos fiscais emitidos no mês de agosto chegou a 25,3 milhões. 

Cenário nacional
O crescimento de 3,4% no comércio varejista nacional, em agosto, na comparação com julho, também consolidou a quarta alta mensal seguida, após quedas influenciadas pela pandemia em março e abril. Com o resultado, o setor atingiu o maior patamar de vendas desde 2000, ficando 2,6% acima do recorde anterior, de outubro de 2014, de acordo com a PMC.

Na comparação com agosto de 2019, o comércio cresceu 6,1%, terceiro resultado positivo consecutivo. No acumulado do ano, o setor registrou menor ritmo de queda (-0,9%), enquanto nos últimos 12 meses, acumula crescimento de 0,5%, após três meses de estabilidade.

“O varejo em abril teve o pior momento, com o indicador se situando 18,7% abaixo do nível de fevereiro, período pré-pandemia. Esses números foram sendo rebatidos nos meses seguintes, até que em agosto o setor ficou 8,2% acima de fevereiro”, explica o gerente da PMC, Cristiano Santos. Somente duas unidades da federação tiveram redução do volume de vendas em agosto frente a julho - Tocantins (-2,4%) e Rio Grande do Sul (-0,2%).

O comércio varejista ampliado cresceu 5,4% em agosto em relação ao mês anterior, acima da média do Brasil (4,6%). Na comparação com agosto de 2019, a variação positiva foi de 3,1%, o terceiro menor crescimento entre as unidades da federação nessa perspectiva. O varejo ampliado é composto pelos segmentos do varejo acrescido dos segmentos de venda de “veículos, motocicletas, partes e peças” e “material de construção”.

Cinco das oito atividades pesquisadas tiveram alta na passagem de julho para agosto. Entre as que apresentaram maior crescimento estão tecidos, vestuário e calçados (30,5%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (10,4%), móveis e eletrodomésticos (4,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,5%) e combustíveis e lubrificantes (1,3%).

O gerente da pesquisa diz ainda que fatores como o aumento da renda devido ao auxílio emergencial e a alta dos preços também têm influenciado o desempenho do varejo, especialmente o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que recuou 2,2% de julho para agosto, impactado pela inflação dos alimentos.

“Os produtos de supermercados têm uma elasticidade alta, um arroz mais caro é substituído por outro mais barato, mas o consumidor continua comprando”, explica Santos, complementando que o crescimento nas vendas de móveis e eletrodomésticos pode ser consequência da renda extra do auxílio emergencial, utilizada pelas famílias para reposição de produtos antigos. 














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