Varejo no RN retrai 3,2% em 2020

Publicação: 2021-02-21 00:00:00
Dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMS) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) semana passada apontam que o comércio varejista potiguar teve redução de 2,9% no volume de vendas em dezembro. Nesse mesmo sentido, houve uma retração de 3,2% no acumulado do ano de 2020.
Créditos: Adriano AbreuPelo segundo ano consecutivo, o volume de vendas no comércio varejista do Rio Grande do Norte não cresce. Em 2020, recuo foi o quinto maior em todo o BrasilPelo segundo ano consecutivo, o volume de vendas no comércio varejista do Rio Grande do Norte não cresce. Em 2020, recuo foi o quinto maior em todo o Brasil

A redução de 2,9% em dezembro foi a segunda menor do Nordeste. Apenas o Piauí (-1,6%) teve uma diminuição menos acentuada na região. Apesar do resultado negativo, o desempenho do comércio varejista potiguar foi superior à média do Brasil (-6,1%) no último mês do ano. Mais 24 unidades da federação também tiveram um volume de vendas menor em dezembro frente o mês anterior. Somente o Amapá (0%) apresentou estabilidade.


Pelo segundo ano consecutivo, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Norte não cresce. No acumulado do ano de 2020, a queda de 3,2% é a quinta maior entre as 27 unidades da federação no ano.

Em contraste, a variação do comércio brasileiro (1,2%) em 2020 foi positiva. Na comparação de toda a série histórica do Rio Grande do Norte na PMC, 2020 teve o quarto menor resultado. Só em 2003 (-8,3%), 2015 (-3,8%) e 2016 (-9,1%) houve quedas maiores. Em 2019, o acumulado do ano registrou 0% em relação ao anterior.

A pesquisa teve início em todo o Brasil no ano 2000, portanto, a comparação dos resultados acumulados de um ano completo só ocorrem a partir de 2001.

Varejo ampliado

O varejo ampliado do Rio Grande do Norte reduziu em 2,7% o volume de vendas em dezembro na comparação com novembro. Esse recuo foi menor que o do Brasil (- 3,7%). No acumulado de 2020, a queda de 4,2% foi a quinta maior entre todas as unidades da federação. O varejo ampliado compreende o comércio varejista acrescido de material de construção e “veículos, motocicletas, partes e peças”.

Brasil

Em dezembro de 2020, o volume de vendas do comércio varejista caiu 6,1% frente a novembro, na série com ajuste sazonal, após ter variado -0,1% em novembro. A média móvel trimestral foi de -1,8%. Na série sem ajuste sazonal, frente a dezembro de 2019, o comércio varejista teve aumento de 1,2%, sexta taxa positiva consecutiva. No acumulado no ano, o varejo passou de 1,3% em novembro para 1,2% em dezembro, indicando estabilidade no ritmo de vendas.

No varejo ampliado, que inclui Veículos, motos, partes e peças e Material de construção, o volume de vendas caiu 3,7% em relação a novembro, descontando parte de sete meses consecutivos de acréscimos. A média móvel (-0,6%) sinalizou redução no ritmo de vendas. Em relação a dezembro de 2019, o varejo ampliado cresceu 2,6%, sexta taxa positiva consecutiva. O acumulado no ano foi -1,5%.

Desde 2017, o comércio varejista apresenta números positivos no acumulado anual: 2,1% em 2017; 2,3% em 2018; 1,8% em 2019; e 1,2% em 2020. O crescimento do comércio varejista neste último ano se deu de maneira desigual entre os setores, apresentando decréscimo no primeiro semestre e acréscimo no segundo. O comércio varejista ampliado, por sua vez, acumulou queda de 1,5% em 2020, primeiro resultado negativo após três anos consecutivos acumulando ganhos.

Pelo menos R$ 111 milhões não circularam no RN

Pelo menos R$ 111 milhões deixaram de circular no carnaval de Natal neste ano, por causa do cancelamento da festa em razão da pandemia do novo coronavírus. O valor citado foi o registrado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio RN) ao longo da festividade momesca do ano passado, o último grande evento popular ocorrido na cidade. Em março, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a disseminação do novo coronavírus uma pandemia. No ano de 2019, a festa havia movimentado R$ 71 milhões.

O levantamento feito pela Fecomércio RN em 2020 constatou ainda um incremento na presença de turistas. De acordo com a pesquisa, 31,9% do público foi formado por pessoas de fora de Natal. Desse universo, 98,4% veio de outras partes do Brasil e o restante, 1,6% foi de estrangeiros. A maioria dos turistas brasileiros veio do Estado de Pernambuco (3,8%) seguido pelos visitantes do Rio de Janeiro (3,4%), São Paulo (3,2%), Paraíba (2,8%), Ceará (1,8%), Bahia (1,6%), e Minas Gerais (0,9%).

O principal motivo escolhido pelo público para curtir o Carnaval em Natal foi a seleção das atrações musicais: 45,9% dos foliões foram atraídos pelo cardápio musical na cidade durante o período momesco. Outros 27,2% do público se disseram atraídos pela alegria/animação/folia. As praias natalenses foram escolhidas por 19,3%. As festas gratuitas foram motivo para atrair 17,4% do público, ao passo que 13,5% dos entrevistados apontaram a falta de dinheiro para curtir a festa na capital potiguar e 12,9% selecionaram a organização do evento como principal atrativo.

Rio de Janeiro

Para comprovar a relevância do carnaval para a economia das cidades brasileiras com histórico de eventos voltados para a data, cálculos feitos pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) apontam que o Rio de Janeiro irá perder cerca de R$ 5,5 bilhões em 2021 com o cancelamento do carnaval.

Segundo estudo dos pesquisadores Claudio Considera e Juliana Trece, o montante equivale a 1,4% do PIB carioca. Para comparação, apesar de parecer um percentual baixo, eles destacam que o Bolsa Família equivale a 0,5% do PIB brasileiro e tem grande importância e relevância, como visto na pandemia.

“O Rio de Janeiro é uma cidade com forte vocação para o turismo e os eventos são de grande relevância para esse setor, para o setor de serviços e para a economia como um todo. É importante ressaltar que para a festa acontecer no início do ano, há milhares de profissionais trabalhando o ano inteiro, que se viram sem qualquer renda em 2020 quando tudo parou. Ou seja, o evento faz a economia rodar, gerando emprego e renda”, destacou Considera, pesquisador associado do FGV IBRE.

De acordo com a pesquisa, se não fosse o cancelamento da folia de momo por causa da pandemia, a economia do Rio movimentaria R$ 4,4 bilhões decorrentes de gastos dos turistas brasileiros (88%) – com uma permanência média de 6,6 dias, e gastando em média R$ 280,32 por dia –, e estrangeiros (12%), durante 7,7 dias, com gasto médio de R$ 334,01 por dia. Já o impacto dos cariocas, moradores da Região Metropolitana do Rio e gastos operacionais seria de pouco mais de R$ 1 bilhão.

Vacinação

Para a economista Juliana Trece, a velocidade da recuperação econômica vai depender do calendário de vacinação. “Vacinar a população é importante para a saúde do brasileiro, mas também para a saúde da economia. Quanto mais rápido conseguirmos retomar a normalidade das atividades, mas rapidamente conseguiremos ver uma retomada mais consistente da economia”.

A conta foi feita com base em dados de 2018 (pesquisa realizada pela FGV para o Ministério do Turismo) e 2020, considerando mesmo volume de turistas estrangeiros e não estrangeiros, mesmo tempo de permanência na cidade e equivalente gasto médio.

Serviços tem queda recorde

A redução de 1,5% no volume de serviços do Rio Grande do Norte, em dezembro, contribuiu para a queda de 15,7% em 2020. Esse resultado anual é o mais negativo para o Estado desde 2012, primeiro ano da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) que se pode comparar.

No que diz respeito às unidades da federação, o recuo dos serviços do RN foi o segundo maior em 2020, atrás apenas de Alagoas (-16,1%). No total, 25 unidades da federação tiveram desempenho negativo no acumulado do ano.

Desse modo, o volume de serviços no Brasil (-7,8%) também registrou o desempenho mais negativo na sua série histórica. Somente Amazonas (0,5%) e Rondônia (0,3%) cresceram em 2020.    

Dezembro

No Rio Grande do Norte, a diminuição dos serviços em dezembro ocorreu após quatro altas sucessivas entre agosto e novembro do ano passado. Outras sete unidades da federação registraram redução no volume de serviços na comparação com o mês anterior. Embora sejam minoria, o peso significativo desses estados foi decisivo para que os serviços no Brasil (- 0,2%) ficassem praticamente estáveis em dezembro

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