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Natal
Varela Santiago pode se tornar referência em cirurgia de escoliose
Publicado: 00:00:00 - 21/05/2022 Atualizado: 18:39:10 - 21/05/2022
Felipe Salustino
Repórter 

No ano em que completa 105 anos de fundação, o Hospital Infantil Varela Santiago (HIVS), em Natal, avalia a possibilidade de se tornar referência em cirurgia de escoliose para o Norte e parte do Nordeste. A unidade hospitalar conta com um estrutura de 110 leitos, o que corresponde a 13,46% de toda a oferta do Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Norte. No Estado, de acordo com dados do Ministério da Saúde, existem atualmente, 817 leitos destinados a tratamentos mantidos pelo SUS.

Bernardo Luiz
Hospital Varela Santiago é referência em neurocirurgia no Estado. A estrutura inclui leitos de UTI para pediatria e neonatal

Hospital Varela Santiago é referência em neurocirurgia no Estado. A estrutura inclui leitos de UTI para pediatria e neonatal


Além dos já existentes, em julho deste ano devem ser abertos mais 10 leitos neonatais no Varela Santiago (hoje, dos 110 leitos do hospital, 20 são de UTI, sendo 10 de pediatria e 10 de instalações neonatais). Tamanha estrutura não costuma ser notada por quem passa pela avenida Deodoro da Fonseca, onde está localizado o hospital. 

O Varela Santiago realiza uma média de 1,7 mil consultas, cerca de 1,2 mil exames de imagem e aproximadamente 465 internamentos em um único mês. Para dar conta de tamanha demanda, o hospital conta com um quadro de cerca de 600 funcionários, dos quais, 530 possuem carteira assinada e são pagos com recursos próprios. Os outros 70 são  prestadores de serviços. As despesas mensais no hospital ultrapassam R$ 1 milhão.

Paulo Xavier, diretor superintendente do Varela Santiago desde 1999, relata que é difícil equilibrar despesas e receita, especialmente porque o hospital é uma instituição filantrópica, mas garante que as contas estão todas em dia. “Temos um pequeno incentivo do Ministério da Saúde e contamos com  uma ajuda substancial do Natal CAP. Também temos as emendas parlamentares, que este ano foram poucas, por causa da eleição de outubro e, aí, os políticos devem gastar mais com cabos eleitorais”, pontua. 

“Em junho próximo, a gente espera assinar um  convênio com o Governo do Estado no valor de  R$ 1,8 milhão para ajudar no nosso custeio. O hospital também realiza campanhas pontuais, como aconteceu na Copa do Mundo de 2014, que ocorreu no Brasil. Na ocasião, foram vendidas 52 mil camisas alusivas ao mundial.

Com o valor arrecadado, o HIVS comprou um tomógrafo, que atende à demanda do hospital atualmente. A estrutura do Varela Santiago, além dos leitos, conta com laboratórios, salas de internamento e imobilização ortopédica, consultórios, sala de ultrassonografia, tomografia, raio-x e vacina.

O hospital também dispõe de um centro e anexo de oncologia, centro cirúrgico, setor pós operatório, de nutrição, sala de estabilização, serviço social e psicologia, enfermaria para recém-nascidos, núcleo de obesidade, centro de fissurados, além de uma casa de apoio às mães que precisam ficar perto de seus pequenos durante internações no HIVS.

Há ainda suporte para fisioterapia, brinquedoteca, sala de TI e instalações ligadas à parte administrativa. A nova UTI pediátrica do hospital, inaugurada no final do ano passado, está novinha e recebe pacientes de mais ou menos um mês de vida até os 15 anos. “O Varela Santiago hoje é responsável por mais de 80% da alta complexidade pediátrica do RN”, afirma Paulo Xavier.

Referência

O Hospital Infantil Varela Santiago (HIVS) é referência em neurocirurgia no Rio Grande do Norte e avalia a possibilidade de se tornar, também, referência em cirurgia de escoliose para o Norte e parte da região Nordeste do País. A solicitação, neste último caso, partiu do Ministério da Saúde (MS). O diretor técnico do Varela, Shekson Ribeiro, explica que uma equipe está sendo montada para que seja criado um projeto a ser apresentado ao MS.

“Entramos em contato com profissionais altamente gabaritados, os quais, junto com o pessoal da ortopedia e da neurocirurgia vão tentar viabilizar o projeto, após sua montagem, junto ao MS. Se aprovado, será um marco histórico para o Norte e Nordeste. Hoje, todo o paciente que precisa desse tratamento aqui no RN vai para fora do Estado”, descreve Ribeiro. 

Paulo Xavier, diretor superintendente da unidade, explica que deve discutir o projeto, inicialmente, com o próprio MS para depois trazer a mesma discussão para o Governo do Estado, a fim de viabilizar a parte econômica, já que os procedimentos do tipo não são simples.
 
“O hospital não tem condições de custear esse tipo de cirurgia. Mas é um grande serviço que será prestado à população. A demanda reprimida por problemas com escoliose é grande no País inteiro. Sendo referência, toda criança [com escoliose] passível de cirurgia no Norte-Nordeste, seria encaminhada ao RN para ser operada no Varela”, descreve o diretor do hospital.

Atualmente, o HIVS já é referência no Estado em neurocirurgia, conforme explica a coordenadora técnica do hospital, Sabrina Araújo. “Todas as crianças que nascem com problemas como mielomeningocele, que a gente chama de coluna para fora, bem como crianças com hidrocefalia (tumores no cérebro), vêm para cá para passar por procedimento cirúrgico”.

A coordenadora destaca que a excelência nos atendimentos não se restringe apenas à estrutura física e aos equipamentos modernos que garantem boa assistência médica aos pequenos. O trabalho do hospital também possui outros pilares, como a formação profissional. Nesse sentido, o HIVS oferece residência médica para 24 profissionais.

Nayara Samara, de 35 anos, espera ansiosa por fevereiro do próximo ano. É que ela será a primeira intensivista pediatra formada no Rio Grande do Norte. O Estado possui outros profissionais na área, mas que são formados em outras parte do País. “A iniciativa de abrir residência médica aqui no Estado foi bastante importante porque é uma área com muita carência”, relata Nayara.

“Já tivemos fechamento de UTIs no nosso estado por falta de recursos humanos e o Varela deu esse passo importante na área intensiva pediátrica. Estou ansiosa pela formação. É um grande sonho meu. Além do que, será uma avanço no sentido de suprir a carência de profissionais qualificados para ocupar os espaços nas UTIs”, acrescenta ela em seguida”.

Hospital oferece apoio a mães de pacientes

Outro pilar destacado pela coordenadora técnica do Varela Santiago, a pediatra Sabrina Araújo, é o social, a exemplo da casa de apoio, onde as mães que acompanham os filhos em internamento podem permanecer até o final do tratamento dos pequenos. É o caso da dona de casa Monaísa Teles, de 29 anos. Na quinta-feira (19), ela chegou a Natal vindo de Pendências, interior do Estado, com a filha, Maria Heloísa, de 7 anos.

A menina foi internada depois de apresentar ferimentos na cabeça e bolhas pelo corpo. Os médicos investigavam o que provocava o quadro. Graças à casa de apoio, Monaísa acompanhava a filha, enquanto desfrutava de conforto e reduzia gastos, já que as mães podem dormir em quartos divididos entre si, com direito à alimentação e roupa.

“Se não tivesse esse espaço ia ser muito difícil. Tenho uma irmã que mora em Natal, mas é lá em Nossa Senhora da Apresentação, na zona Norte. É longe. Aqui eu evito gastos com passagem e outras despesas, já que está tudo muito caro. O atendimento no hospital é muito bom e eu consigo ficar pertinho da minha filha”, conta a dona de casa. Quem também comemora o apoio é Edilma Moreia, de 38 anos, de Japecanga, distrito de Macaíba.

Ela é mãe de Maria Clara, de 10 anos, que está internada no Varela Santiago há quase um mês. Maria Clara retirou 99% de um tumor na cabeça e agora está em observação na unidade. “A gente percebeu mudanças no comportamento dela, que passou a apresentar vômito logo depois. Ela foi encaminhada para um neuro e pós uma tomografia, nós viemos para cá”, conta Edilma.

“O atendimento é ótimo. Recebemos suporte para o nosso filho e para a gente também. Não há palavras para descrever isso”, elogiou. Mas não são somente as mães que gostam do atendimento no hospital. “O que eu mais gosto aqui é das brincadeiras”, afirma a pequena Maria Luiza, de 7 anos. “Brincar aqui é muito legal”, acompanha Joan, também de 7 anos.

Os dois fazem acompanhamento no núcleo de obesidade do HIVS. “Fazemos oficinas de culinária, dinâmica em grupo com informes referentes à nutrição, à psicologia e endocrinologia”, relatou a nutricionista Mayara Samara. 

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