Veículos: novos caem e usados aceleram

Publicação: 2017-04-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
repórter

O velocímetro das vendas de veículos novos no Rio Grande do Norte não marcou aceleração neste início de ano. O total de emplacamentos em março – um termômetro do mercado  - foi 56% menor do que o registrado no mesmo mês de 2016, um recuo maior que os do Nordeste (-19,07%) e do Brasil (-3,84%). No primeiro trimestre, a  queda no estado também foi mais expressiva: ficou em 35,17%, enquanto no país foi de 10,81% e na região de 23,80%. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de  Veículos Automotores (Fenabrave) que, em âmbito nacional, apontou o possível agente causador da diminuição das vendas: juros altos. Na contramão da crise, o mercado potiguar de seminovos comemora com números positivos e aceleração constante.
Dados de emplacamentos, que servem de termômetro para as vendas nas concessionárias, mostram queda neste início de ano
Os dados da Fenabrave mostram que as quedas mais expressivas ocorrem nos segmentos de motos e ônibus. No primeiro trimestre, porém, houve redução no emplacamento de todas as categorias de veículos.

Para o economista Aldemir Freire, não somente a taxa de juros, mas uma junção de fatores contribuiu para a queda das vendas de automóveis zero quilômetro no Rio Grande do Norte. “Além de juros altos, podemos citar: maiores dificuldades impostas pelos bancos na hora de financiar;  aumento do desemprego; queda da massa de rendimento real;  nível elevado de endividamento das famílias, maior cautela das famílias em entrar em financiamentos caros e de longo prazo dadas as incertezas da economia e os riscos do desemprego”, analisou.

Dados divulgados pelo Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos (Sindondiv/RN) apontam que as vendas de “auto e comerciais leves” registrou queda de 1,20% no primeiro trimestre deste ano. O percentual, considerado baixo pelo economista, é um indicativo de que  “em 2017 as vendas de veículos novos no Rio Grande do Norte parem de cair ou até tenham um leve aumento”.

O presidente local do Sincondiv RN, Arnon César, foi procurado para comentar os números e a dinâmica de vendas do setor mas informou que só teria disponibilidade para entrevista na próxima semana. O assessor jurídico da entidade, Marcelo Macedo, também foi procurado, mas declarou que as informações constantes nos portais da Fenabrave e Sicondiv eram suficientes para embasar a reportagem.

Seminovo
Sem recursos em caixa e com receio de taxas de juros nas concessionárias de veículos novos, o jornalista Reginaldo Bezerra Filho viu, no mercado de seminovos, a solução para viabilizar a troca do seu veículo.

“Eu não tinha recursos de reserva que viabilizassem a entrada de um veículo novo, zero quilômetro. Eu só consegui comprar uma motocicleta nova e acabei vendendo para dar entrada num carro usado, por questões de segurança. Ano passado, eu decidi trocar o carro e, mais uma vez, recorri a um  seminovo”, relatou.

Pesquisar o produto, comparar preços e linhas de financiamento foram medidas adotadas antes de efetivar a transação comercial.
Bezerra: Pesquisa de preços e financiamento antes de comprar
“Eu procurei, então, um carro conservado, seminovo, mais novo do que o que eu já tinha. Achei um com baixa quilometragem, bem conservado, de procedência e comprei. A antiga dona só usava para ir trabalhar e o carro estava novinho, mesmo sendo de 2013. Não me arrependo. O veículo correspondeu à minha expectativa e eu não consigo perceber que ele não é zero quilômetro, que eu já comprei de outra pessoa”, relatou.

Sobre a taxa de juros e o valor da parcela, Reginaldo Bezerra Filho disse que buscou negociar o recebimento do antigo veículo como entrada e, o valor da diferença, financiar.

“Fiz cálculos, consultei pessoas que entendem dessas questões de juros e decidi financiar em 36 vezes. As parcelas são relativamente altas, mas cabem no meu orçamento. Optei por menos parcelas para não pagar um excedente maior. O comprador tem que ficar atento a isso”, diz.

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