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TN Família
Veja dicas para um lar mais seguro para o idoso
Publicado: 00:00:00 - 29/05/2022 Atualizado: 15:59:28 - 28/05/2022
Tádzio França
Repórter

O bem-estar da pessoa idosa também passa por sua segurança dentro de casa.   O avançar da idade deixa o corpo mais vulnerável a acidentes domésticos. Segundo o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), do Ministério da Saúde, para cada três indivíduos com mais de 65 anos, um sofre uma queda anualmente e que, para cada 20 idosos que caíram, ao menos um sofre uma fratura ou necessita de internação. Dentre os mais idosos, com 80 anos ou mais, 40% caem anualmente. Pensar o ambiente para o idoso requer alterações que podem ser simples ou dispendiosas, mas evitam conseqüências graves.
Alex Régis
Ambientes precisam ser adaptados às necessidades dos idosos, visando acomodá-los de forma mais segura e funcional, garantindo sua autonomia

Ambientes precisam ser adaptados às necessidades dos idosos, visando acomodá-los de forma mais segura e funcional, garantindo sua autonomia


Quedas, acidentes com utensílios domésticos e queimaduras, estão entre as ocorrências mais registradas em casa entre os idosos. São casos relacionados com fatores físicos como a redução de nitidez e clareza da visão, enfraquecimento muscular, perda óssea, diminuição do equilíbrio e da velocidade de reação. Por isso o interior da casa precisa ser adaptado às novas necessidades de seus moradores, visando acomodá-los de forma mais segura e funcional, garantindo sua autonomia.

Em 2019, as arquitetas Mara Lorena e Larissa Magalhães participaram de uma campanha de restauração do tradicional abrigo de idosos Juvino Barreto. Para elas, foi um enorme exercício de pensar um ambiente inteligente  totalmente para os idosos. “Para o Juvino, fizemos as adaptações  condicionadas às regras de segurança que o local tem. Já quando as mudanças são numa residência, a gente trabalha nas dimensões e possibilidades que o local oferece”, afirma Mara.

Um dos primeiros pontos a observar, segundo as arquitetas, é a iluminação. Elas recomendam a luz branca em vez da amarela, por ser mais estimulante para o idoso. A iluminação natural pelas janelas, portas e varandas também deve ser estimulada. “Se possível, instalar um interruptor de luz 'three-way', que funciona em mais de um ambiente. É ideal para o corredor, pois idosos sempre levantam no meio da noite para ir ao banheiro. Se for o caso, pode deixar a luz do banheiro ligada”, ressalta.

Pisar com segurança também é essencial. Larissa recomenda pisos anti-derrapantes, o mais plano possível, sem desníveis e degraus. Na sala, é preciso ter cuidado com a quina dos móveis. Sofás e cadeiras não devem ser tão baixos ou flácidos a ponto do idoso “afundar” e não poder se levantar direito. No quarto, ao lado da cama, é providencial uma mesinha de cabeceira pra deixar óculos, água, remédios, e também se apoiar ao levantar. “Pra quem puder, uma campainha no quarto para avisar de algum problema é interessante”, ressalta.

Na cozinha, cenário principal de muitos acidentes, Mara pede que se evite os armários aéreos, que as bancadas sejam acessíveis, e a mesa redonda, de preferência. Outro local crucial é o banheiro. Para quem não puder pôr um piso especial, as arquitetas recomendam o uso de fitas adesivas próprias para o banheiro. Se necessário, barras dentro do box e em frente ao vaso sanitário.  Seria bom evitar os tapetinhos dentro desse espaço.
Alex Régis
Boa iluminação é um ponto fundamental para os idosos

Boa iluminação é um ponto fundamental para os idosos


“Aliás, os idosos adoram tapetes por toda a casa, então é bom ficar atento. Dê preferência aos tapetes pesados e anti-derrapantes. E se for o caso, pode colar o tapete no chão com fita dupla face. Não vai ter escorregão”, explica Mara. Para quem mora em apartamento em andares mais altos, as telas são essenciais. “As telinhas não são só pra crianças e animais. Podem ser muito úteis para proteger os idosos também”, alerta.

Donas da casa

Dona Cenira, 93 anos, e a irmã, Maria Laura, 89, gostam de morar na própria casa, sem depender de ninguém. Só aceitaram uma cuidadora recentemente, por ocasião da pandemia. Elas são lúcidas, saudáveis, mas as necessidades especiais se fazem presentes e é preciso pensar na melhor forma de lidar com elas. A função ficou a cargo da neta Larissa Magalhães, uma das arquitetas que cuidou do Juvino Barreto, e que precisou usar seus conhecimentos profissionais manter a independência doméstica da avó e da tia-avó.

“Os idosos não precisam se adaptar à arquitetura, mas é a arquitetura que precisa ser adaptada para eles. Esse foi o meu princípio”, diz. Ela começou pela fachada da casa: manteve o muro baixo, já que as avós fazem questão do contato visual externo, mas acrescentou grades. Pensou estrategicamente as posições dos móveis.

A tradicional cristaleira, item importante das casas antigas, foi adaptada para que as moradoras pudessem ver todas as suas peças, sem o perigo de derrubar algo. E também fica num lugar por onde elas circulam menos. Na cozinha, os armários são baixos, e a mesa é redonda, de um material fácil de limpar. No banheiro o vaso tem a altura ideal, e conta com barras para segurar. Os revestimentos são claros, para melhorar a visibilidade. “No quintal, não pudemos evitar os degraus, mas coloquei uma guarda-corpo para elas se movimentarem”, diz.

Boas práticas

A doutora em gerontologia Vilani Medeiros Nunes  organizou o e-book “Boas práticas na gestão do cuidado e da segurança da pessoa idosa”, iniciativa do grupo Longeviver em parceria com a UFRN, pensado para as diversas situações de vulnerabilidade em que a maioria das pessoas idosas se encontra. “Os temas se baseiam no processo de envelhecimento humano nas dimensões biológica, psicológica e social, com destaque na segurança e qualidade do cuidado às pessoas idosas nas diversas dimensões, desde abordagens para prevenção, promoção da saúde, rastreio, monitoramento, até a reabilitação de idosos robustos, em risco de vulnerabilidade, ou frágeis”, explica.
Cedida
Arquiteta Larissa Magalhâes usou seus conhecimentos para adaptar a casa da avó e da tia-avó

Arquiteta Larissa Magalhâes usou seus conhecimentos para adaptar a casa da avó e da tia-avó


Entre os muitos temas que o livro aborda, o capítulo destinado às quedas merece atenção especial, segundo Vilani. “A queda pode reduzir a mobilidade e levar à ansiedade, à depressão e ao medo de cair de novo, aumentando o risco de novos acidentes, sendo considerada uma importante causa de 'morbimortalidade' e um dos principais problemas clínicos”, alerta. Há casos graves em 30 a 50% das vezes, com fraturas, hematomas e sangramentos.

No Brasil, as pessoas com mais de 60 anos representam uma parcela crescente da população, e cada vez mais vivem só ou em pequenas famílias, ou, ainda, residindo sob os cuidados de Instituições. “As projeções indicam que, em 2050, 79% da população mundial nessa faixa etária estará vivendo nas regiões em desenvolvimento, reforçando os desafios sociais, políticos e econômicos cada vez maiores do que aqueles dos países desenvolvidos”, conclui.

Cuidados básicos e adaptações
A iluminação de todos os cômodos da casa deve ser reforçada.

Móveis pequenos, como criados-mudos, servem como sustentação para o idoso, portanto devem estar firmes e, preferencialmente, sem rodinhas.

Atenção especial a possíveis vazamentos em pias e vasos sanitários, evitando que o piso fique molhado.

Adequar os principais acessos da casa para evitar que o idoso precise subir e descer escadas com frequência.

Inserir barras de apoio, principalmente nos banheiros.

Dar preferência ao uso de pisos antiderrapantes e evitar tapetes.

Durante o manuseio do fogão, manter os cabos de panelas sempre voltados para dentro e dar preferência a equipamentos com acendimento automático e trava de segurança.

Escadas e corredores devem ter corrimão.

Priorizar o uso de sapatos fechados com solado de borracha

Evitar ter móveis e objetos espalhados pela casa que dificultem a deambulação.

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