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Internacional
Veja o que se sabe sobre a nova variante do coronavírus detectada na África do Sul
Publicado: 14:57:00 - 26/11/2021 Atualizado: 14:58:01 - 26/11/2021
A África do Sul comunicou nesta quinta-feira, 25, a descoberta de uma nova variante do coronavírus. Trata-se da cepa B.1.1.529, que possui uma "constelação incomum" de mutações com impactos ainda desconhecidos sobre a transmissão da covid-19. A descoberta ocorre em um momento em que o mundo volta a se preocupar com um novo avanço da doença.

ARQUIVO TN


Chamada de B.1.1.529, a nova variante é responsável por 22 casos de covid-19 no país até o momento. Adrian Puren, diretor executivo do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul (NICD), afirmou, em comunicado à imprensa, que embora os dados até o momento sejam limitados, os especialistas do Instituto estão trabalhando para estabelecer mecanismos de vigilância para entender a nova variante e suas implicações. “Os desenvolvimentos estão acontecendo de forma rápida e o público tem nossa garantia de que manteremos todos avisados”.

Os casos detectados e a porcentagem de testes positivados aumentaram rapidamente nas províncias de Gauteng, a mais populosa do país, North West e Limpopo. Michelle Groome, chefe da divisão de vigilância e resposta em saúde pública do NICD, disse que as autoridades de saúde provinciais continuam em alerta máximo e estão priorizando o sequenciamento de amostras positivas para covid-19. Autoridades, porém, afirmaram que ainda é cedo para dizer se serão impostas novas restrições.

Segundo a Rede para Vigilância Genômica da África do Sul, a variante já foi identificada em amostras coletadas de 12 a 20 de novembro em Botswana e em Hong Kong, de um viajante sul-africano.

Reino Unido e Israel irão proibir a entrada de viajantes vindos da África do Sul, anunciaram os governos dos dois países nesta quinta-feira, 25, em uma tentativa de afastar uma nova variante do coronavírus. A OMS, porém, recomendou cautela na criação de novas barreiras.

Voos da África do Sul e de outros cinco países da África Austral serão proibidos a partir do meio-dia (horário local, 9h no Brasil) desta sexta-feira, 26. Qualquer pessoa recém-chegada de um desses países será convidada a fazer um teste de coronavírus, afirmou o governo.

O secretário de Saúde do Reino Unido, Sajid Javid, disse que há preocupação de que a nova variante possa ser “mais transmissível '' que a dominante cepa Delta, e que “as vacinas que temos atualmente podem ser menos eficazes” contra ela.

Nesta sexta, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escreveu em sua conta no Twitter que o órgão executivo irá propor, "em coordenação próxima com Estados membros", uma interrupção emergencial das viagens aéreas da região sul do continente africano. O motivo, segundo ela, é a preocupação com a variante da covid-19.

Ainda não há estudos conclusivos, mas as características da nova cepa apontam risco de maior transmissão ou de escape da proteção das vacinas.

O cientista brasileiro Tulio de Oliveira é diretor do Ceri, o Centro para Resposta à Epidemias e Inovação da África do Sul, país onde foi identificada a variante. Segundo ele, é preciso ajudar o país a conter a nova ameaça, e não isolar a região.

A cepa é identificada como B.1.1.529 e, se for considerada como uma variante de preocupação pelo Organização Mundial da Saúde (OMS), deve ser chamada de Nu, a próxima letra grega - esse alfabeto é usado para nomear essas mutações.

Embora poucos casos tenham sido identificados, Oliveira diz que provavelmente há "milhares" de infectados pelo País. O pesquisador disse ao Estadão que, apenas na quarta-feira, 24, o Ceri recebeu mais de mil amostras para a análise e que a equipe está “trabalhando contra o relógio” para entender os efeitos de transmissibilidade, vacinas, reinfecção, gravidade da doença e diagnósticos.

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