Venda de carros cresce 15% e bate recorde no RN

Publicação: 2013-01-16 00:00:00
Nunca se emplacou tantos automóveis no Rio Grande do Norte. A conclusão é baseada em levantamento realizado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Só em 2012, o RN emplacou 39.109 automóveis, vãs e furgões. O número é 15,17% superior ao registrado em 2011 e o maior registrado desde o início da série histórica, há nove anos. O estado registrou incremento bem superior ao verificado no país (+6,09%) e colocou nas ruas 107,1 automóveis por dia. A última maior média havia sido registrada há dois anos, quando o estado emplacou 98,6 automóveis e comerciais leves por dia.
Com o fim dos incentivos fiscais dados pelo Governo, Fenabrave prevê crescimento de 3 por cento este ano
Ao todo, incluindo também caminhões, ônibus e motos, o RN emplacou no ano passado 73.092 veículos. No país, as vendas em 2012 também bateram recorde. O balanço das vendas realizadas no país foi divulgado no início do mês, enquanto o das vendas realizadas por estado ficou pronto semanas depois. Segundo a Fenabrave, o recorde foi resultado principalmente da redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A redução do IPI - que voltará aos patamares normais até julho - deu um fôlego extra ao setor, afirmou Juliano Bandeira, gerente de vendas de uma concessionária Cintröen, em Natal, em entrevista concedida à TRIBUNA DO NORTE na primeira semana de janeiro. Na concessionária gerenciada por Juliano, as vendas após a redução do IPI subiram 30%. Em algumas concessionárias da cidade, como na da Fiat, gerenciada por Luiz Carlos Zonta, havia até fila de espera para comprar carro novo. O mesmo ocorreu em outros estados. Em São Paulo, por exemplo, o tempo de espera chegava a 90 dias.

Apesar do aumento, verificado em todo o país, concessionárias potiguares já esperam redução nas vendas com a volta gradativa do IPI. Os emplacamentos voltam para o patamar anterior ao da redução do IPI com o retorno do imposto e o realinhamento de preços, mas as vendas continuam, afirma Luiz Carlos Zonta, gerente de uma concessionária Fiat. “Não se deixa de vender veículos”, tranquiliza Fábio Patriota, gerente de vendas de uma outra concessionária na capital. Para acelerar os negócios nem é preciso baixar tanto os preços, observa Patriota. “Basta melhorar as condições de financiamento”, responde.

Para 2013, a Fenabrave projeta crescimento de 3% nas vendas de automóveis e comerciais leves e de 2,82% nas vendas de veículos como um todo (englobando carros, comerciais leves, caminhões, ônibus e motos). O crescimento mais modesto está atrelado à volta, mesmo que gradativa, do Imposto sobre Produtos Industrializados.

Sancionada lei de incentivo a caminhões

Brasília (AE) - A presidenta Dilma Rousseff sancionou ontem, com vetos, a lei de incentivo aos fabricantes de caminhões e vagões ferroviários. Por razões orçamentárias, um dos vetos presidenciais impediu que o benefício fosse estendido para embarcações e empilhadeiras usadas em portos, para carregamento de navios. A lei, que originalmente era uma Medida Provisória editada em agosto, reduz de 48 para 12 meses o prazo de depreciação das máquinas, o que garante uma redução no pagamento de impostos e estimula a venda dos produtos.

Enviada ao Congresso com apenas dois artigos, a MP foi convertida em lei nesta terça-feira no Diário Oficial da União com 17 artigos, boa parte deles vetada pela presidente. No caso da depreciação, não havia previsão de recursos do Orçamento para bancar o benefício. Ao acelerar a depreciação de veículos, o governo permite às empresas uma mudança contábil que reduz o pagamento de impostos e pode resultar até mesmo na restituição de tributos ao contribuinte. A medida abrange compras de caminhões, vagões e locomotivas feitas no ano passado.

Deputados e senadores incluíram, ainda, a possibilidade de renegociação de dívidas de Estados e municípios relativas ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) e uma ampliação do prazo para renegociação de dívidas com a Receita Federal, conhecido como Refis da Crise. As duas benesses, no entanto, foram vetadas porque eram redundantes, segundo argumentou o Ministério da Fazenda na mensagem de explicação dos vetos. O governo já havia refinanciado o Pasep em outra medida provisória, e o Refis teve prazo modificado por uma lei de 2009, de acordo com a mensagem.

A MP transformada em lei por Dilma tinha o objetivo de estimular os fabricantes de veículos pesados e equipamentos ferroviários, em conjunto com o pacote de concessão de 7.500 quilômetros de rodovias e 10.000 quilômetros de ferrovias. Na ocasião, o governo também anunciou a prorrogação do corte de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e eletrodomésticos da linha-branca, além de linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O pacote tinha o objetivo de evitar a forte desaceleração da economia brasileira no ano passado, sem sucesso

Permaneceram no texto e foram sancionados por Dilma artigos que ampliam prazo para renegociação de dívidas agrícolas, outro que assegura ao Tesouro Nacional rendimento igual à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) no Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) e outros que alteram a sistemática da Receita em relação a consultas.