Vendas caem 0,1% em maio e recuperação para em 2019

Publicação: 2019-07-12 00:00:00 | Comentários: 0
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As vendas do comércio varejista caíram 0,1% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 11. Na comparação com maio de 2018, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 1% em maio de 2019. Nesse confronto, as projeções iam de queda de 1,50% a alta de 2,80%, com mediana positiva de 1,30%.

Recuperação do comércio varejista que vinha sendo registrada desde o fim de 2016 deu uma parada em maio, conforme a PMC/IBGE
Recuperação do comércio varejista que vinha sendo registrada desde o fim de 2016 deu uma parada em maio, conforme a PMC/IBGE

As vendas do varejo restrito acumularam crescimento de 0,7% no ano. Em 12 meses, houve avanço de 1,3%.

O índice de média móvel trimestral das vendas do comércio varejista restrito teve queda de 0,1% em maio de 2019, No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o índice de média móvel trimestral registrou elevação de 0,5% em maio.

A estabilidade nas vendas do varejo em maio, na comparação com abril, consolida um cenário em que a recuperação do comércio varejista, que vinha desde o fim de 2016, com a saída da recessão, deu uma parada em 2019. A avaliação é de Isabella Nunes, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE.

Nas contas de Isabella, na comparação com o nível de vendas de dezembro de 2018, a alta é de apenas 0,1%, sinalizando para a parada na recuperação.

Segundo a pesquisadora do IBGE, a parada na recuperação das vendas é uma resposta às condições de consumo das famílias. Por um lado, o “elevado grau de incerteza deixa consumidor cauteloso", disse Isabella. Por outro, o “mercado de trabalho evolui com entrada muito grande de trabalhadores informais". O trabalho informal, geralmente, paga salários menores do que os empregos formais, com carteira assinada.

“Portanto, a renda média da economia está estável", afirmou Isabella. Segundo a pesquisadora, isso impede um avanço mais robusto da massa de rendimentos, que é o que importa para impulsionar as vendas no agregado. “A massa está crescendo, mas não é suficiente para estender o consumo para além de atividades básicas, como supermercados e farmacêuticos", completou Isabella.

Com a parada desde o fim de 2018, as vendas no varejo estão 7,0% abaixo do ponto mais alto da série histórica do IBGE (iniciada em 2001), que foi registrada em outubro de 2014. Já as vendas do varejo ampliado, que inclui as atividades de comércio de veículos e de material de construção, estão 10,2% abaixo do pico, registrado em agosto de 2012.

Varejo ampliado
A fraca base de comparação com maio de 2018, quando o comércio varejista já sentiu os primeiros efeitos negativos da paralisação de caminhoneiros nas estradas de todo o País, impulsionou as vendas em maio deste ano, na comparação interanual. O efeito ocorreu principalmente no varejo ampliado (que inclui as atividades de veículos e material de construção), que avançou 6,4% ante maio de 2018.

As vendas de veículos, com alta de 22,3% sobre maio de 2018, tiveram a maior alta nessa base de comparação desde abril de 2018, quando o avanço foi de 36,3%. O setor de material de construção também teve o melhor desempenho desde abril de 2018, com avanço de 11,6% em maio ante igual mês de 2018. Em abril do ano passado, a alta tinha sido de 15,6% sobre abril de 2017.

Segundo Isabella Nunes, gerente da PMC do IBGE, as duas atividades foram as que mais sentiram porque estavam menos estocadas e foram atingidas mais imediatamente pelas paradas de produção e desabastecimento provocados pela greve dos caminhoneiros.

Outras atividades sentiram os efeitos da greve depois. As vendas de supermercados, por exemplo, foram mais atingidas em junho de 2018. Ainda assim, no varejo restrito, a paralisação dos caminhoneiros influenciou o desempenho das vendas de móveis e eletrodomésticos, que avançaram 5,8% em maio ante igual mês de 2018. Por causa da fraca base de comparação, foi a maior alta desde dezembro de 2017, quando as vendas desse segmento do varejo saltaram 8,3% sobre dezembro de 2016, no primeiro Natal após a recessão.




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