Venezuela corta cinco zeros das notas de dinheiro e lança pacote

Publicação: 2018-08-20 09:19:00
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Com uma inflação estimada em 1.000.000% neste ano pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, lança nesta segunda-feira (20) um pacote de medidas que inclui o chamado "Madurazo", que é corte de cinco zeros da moeda local, que se chamará bolívar soberano.
Créditos: José Cruz/ABRBomba instalada num drone explodiu enquanto Maduro discursava num evento na VenezuelaBomba instalada num drone explodiu enquanto Maduro discursava num evento na Venezuela

Presidente venezuelano, Nicolás Maduro

Porém, o governo define o atual momento de “ponto de reflexão”. "Vamos desmontar a perversa guerra do capitalismo neoliberal”, afirmou o presidente.

Segundo as autoridades da Venezuela, haverá um novo redesenho da política fiscal e tributária do país, incluindo subsídios para a gasolina, reajustada em quatro pontos percentuais, e a definição de câmbio único, que flutuará de acordo com as definições do Banco Central Venezuelano.

Novas notas

A nova moeda venezuelana, cujo símbolo é Bs.S., tem cinco zeros a menos em comparação ao bolívar, que coexistirá para operações bancárias menores.

As novas notas de Bolívar soberano são de 2, 5, 10, 20, 50, 100, 200 e 500 já estão nos bancos e serão colocadas em circulação ainda nesta segunda-feira. Os símbolos das notas têm referência ao petróleo, pois a Venezuela tem grandes reservas.

Dona das maiores reservas mundiais de petróleo, a Venezuela observa o encolhimento da sua economia.

De 1913 até este ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do país foi reduzido pela metade, segundo o FMI, que prevê uma inflação superior a 13.000% em 2018 e um índice de desemprego de 36% até 2022.

Superar a grave crise econômica, social e política será o maior desafio de Maduro. O que se passa na Venezuela também preocupa os países vizinhos, que estão enfrentando uma crise humanitária na região, pois eles não têm estrutura para absorver os milhares de venezuelanos que fogem da hiperinflação e do desabastecimento.

Os bancos da Venezuela vão permanecer fechados nesta segunda-feira para se preparar para começar a distribuir a nova moeda, o "bolívar soberano". Serão dois valores de moedas metálicas e notas que irão de 2 a até 500 bolívares soberanos. Uma nota de 2 bolívares equivalerá ao poder de compra de atuais 200.000 bolívares, enquanto a cédula de maior valor corresponderá a 50 milhões de bolívares.

Greve

Uma coalizão de líderes da oposição e de sindicatos da Venezuela informou que está convocando uma greve e protestos no país para a próxima terça-feira (22). A medida é uma reação ao anúncio feito na última sexta-feira (17) pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de um pacote de medidas voltadas a estabilizar a economia, que inclui a elevação dos salários em quase 6.000%, desvalorização da moeda local (o bolívar) em 96% e corte de subsídios à gasolina.

"As medidas anunciadas na sexta-feira não são um plano de recuperação da economia do país", disse o líder oposicionista Andres Velasquez. "Ao contrário, representam mais fome, ruína, pobreza, sofrimento, dor, inflação e deterioração da economia", acrescentou.

Empresários dizem temer que o repentino aumento dos salários pode inviabilizar o pagamento dos empregados sem aumento dos preços dos produtos, apesar de Maduro ter dito que ajudará pequenas e médias empresas nos primeiros três meses. Esta foi a quinta elevação do salário mínimo local neste ano, para o equivalente a cerca de US$ 30 ao mês, de US$ 1 por mês anteriormente.

O corte dos subsídios à gasolina, segundo Maduro, se destinam a evitar o contrabando do combustível local para países vizinhos. Ele não especificou de quanto seria a alta na gasolina.

As medidas devem elevar a inflação para além da previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) neste ano, de 1.000.000%, disse Anabella Abadi, economista da consultoria ODH, sediada em Caracas.

Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo