Venezuela nega responsabilidade por petróleo na costa brasileira

Publicação: 2019-10-10 14:35:00
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A empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) informou hoje (10) que, até o momento, nenhum de seus clientes ou subsidiárias relatou a ocorrência de vazamento de petróleo de origem venezuelana próximo à costa brasileira.

Créditos: Adema/Governo de Sergipemanchas petróleo sergipemanchas petróleo sergipe

Em nota divulgada esta manhã, a petrolífera afirma não haver evidências de derramamentos de óleo nos campos de petróleo da Venezuela que possam ter atingido a região Nordeste, causando danos ao ecossistema marinho brasileiro.

“Reiteramos que não recebemos nenhum relatório no qual nossos clientes e/ou subsidiárias relatam uma possível avaria ou vazamento nas proximidades da costa brasileira, cuja distância com nossas instalações de petróleo é de aproximadamente 6.650 km, via marítima”, sustenta a PDVSA.

Também hoje (10), o ministro do Petróleo da Venezuela, Manuel Quevedo, descartou a hipótese de que a PDVSA ou o Estado venezuelano tenham qualquer responsabilidade pelo petróleo que atinge a costa brasileira.

Em Brasília, durante reunião ordinária do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) realizada hoje, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, reafirmou que as autoridades brasileiras ainda desconhecem a origem do óleo, embora, segundo ele, o resultado das análises técnicas realizadas pela Petrobras apontem a “compatibilidade” entre o resíduo recolhido no litoral nordestino e o óleo venezuelano.

“A Marinha identificou todos os barcos que trafegaram pela costa brasileira e está investigando para saber qual é o possível barco [que pode ter derramado o óleo no mar]”, comentou o ministro, mencionando uma das três principais hipóteses para explicar a origem da substância: um vazamento acidental em alguma embarcação ainda não identificada; um derramamento criminoso do material por motivos desconhecidos ou a eventual limpeza do porão de um navio.

“O que sabemos é que o óleo não é brasileiro. E que a comparação das amostras é compatível com um derramamento de óleo venezuelano que houve no passado. Ou seja, tudo indica que é óleo venezuelano. Como este óleo chegou a nossa costa é a grande investigação”, disse Salles, referindo-se as apurações a cargo da Polícia Federal (PF), da Marinha e de órgãos ambientais.

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente esclarece que a indicação de origem venezuelana do petróleo se baseia em análise laboratorial. O ministério, no entanto, esclarece que nenhuma autoridade ou funcionário público afirmou que o caso seja de responsabilidade do Estado venezuelano ou da PDVSA.

“A hipótese aventada é que pode ter sido derramado a partir de navios que trafegaram ao longo da costa brasileira, e não necessariamente de campos do governo ditatorial venezuelano”, informa a pasta.

Localidades afetadas pelo petróleo no Rio Grande do Norte
Areia Preta
Baia Formosa
Barra do Cunhaú
Barra do Rio
Barreira do Inferno
Barreta
Búzios (Rio Doce)
Cabo de São Roque
Calcanhar
Camurupim
Caraúbas
Cotovelo
Foz do Rio Catu
Foz do rio Pirangi/Pium
Jacumã
Jenipabu
Maracajaú
Muriú
Perobas
Pipa
Pirambu
Pirangi do Sul
Pirangi do Norte
Pirambúzios
Praia de Alagamar
Praia do Amor
Praia do Giz
Praia do Forte
Ponta Negra
Redinha
Rio do Fogo
Rio Punaú
Sagi
Santa Rita
Simbaúma/das Minas
Tabatinga/Tartarugas
Touros
Via Costeira
Zumbi

Número de áreas atingidas na região nordeste
Alagoas:     13
Ceará:     10
Maranhão:     11
Paraíba:     16
Pernambuco:     19
Piauí:     2
Rio Grande do Norte:     43
Sergipe:     10
Bahia:     2
Fonte: Ibama

Recomendações
Evite contato com o resíduo;
Se ocorrer contato com a pele, higienize a área afetada com gelo e óleo de cozinha;
Em caso de ingestão ou reação alérgica, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima;
Entre em contato com a prefeitura para informar a localização da mancha;

Ao encontrar um animal contaminado:
Evite contato com o mesmo;
Proteja-o do sol;
Não devolva o animal contaminado para o mar;
Informe o paradeiro do animal ao Projeto Cetáceos Costa Branca (99943-0058, WhatsApp e 24h)

Agência Brasil


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