Vento sopra a favor dos negócios

Publicação: 2014-10-12 00:00:00
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A combinação de ventos fortes, águas mornas e um cenário paradisíaco proporcionado por praias de beleza ímpar e quase desertas faz de São Miguel do Gostoso um dos principais destinos turísticos do Rio Grande do Norte. A cada ano, a cidade, que fica a 108 quilômetros ao norte de Natal, recebe mais de quatro mil visitantes na alta temporada, parte deles adeptos de esportes náuticos, como windsurfe e kitesurfe. Os mais de mil leitos disponíveis na rede hoteleira ficam ocupados entre setembro e fevereiro.  Não à toa, a principal atividade econômica do município é o turismo. Foi nesse setor que a cidade de quase 10 mil habitantes passou por uma transformação nos últimos anos, com o surgimento de novos empreendimentos, entre pousadas, agências de turismo, bares e restaurantes e outras empresas ligadas a essa cadeia produtiva.
Inês e Ramon Marcolino: Casa de veraneio foi transformada em pousada, gera empregos e deve crescer em São Miguel do Gostoso
“Acreditamos no potencial da cidade. Quando percebemos que as praias tinham tudo para permanecer preservadas, tivemos a certeza de que conquistariam os turistas”, conta Inês Marcolino, que, juntamente com o esposo, Izaac Marcolino, e o filho Ramon, decidiu transformar a casa de veraneio em uma pousada, a Vivenda da Terra.  A empresária deixou de vez o negócio que tinha com plantas ornamentais e paisagismo e, há dois, dedica-se integralmente ao novo projeto.

O estabelecimento recebe turistas de todo o Brasil e do exterior, principalmente entre os meses de novembro e fevereiro. E os planos são de expansão. “Parte do lucro reinvestimos no empreendimento. Pretendemos abrir mais dez leitos”, antecipa Ramon Marcolino, que administra a pousada. O negócio está sendo rentável para a família e também para o povo do lugar. Com abertura, a Vivenda da Terra contratou dois funcionários e dois diaristas, quadro que aumenta 30% na alta estação.

Políticas
Esse cenário favorável ao empreendedorismo foi resultado de políticas adotadas pelo município para estimular a criação de empresas e fortalecer os negócios de pequeno porte, com a implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa a partir de 2010. Colocar em prática o que essa legislação determina levou a prefeitura a conceder incentivos fiscais, desonerando a carga tributária para as empresas do setor de serviço, segmento no qual estão a maioria dos empreendimentos do turismo. As alíquotas do Imposto Sobre Serviço (ISS) caíram de 5% para 3%, beneficiando 60 donos de pousadas e 40 donos de bares, restaurantes e conveniências.

Como o turismo é responsável por 60% da arrecadação municipal, poderia se pensar que o reflexo da decisão seria perda de receita. No entanto, a arrecadação própria mais que triplicou entre 2009 e 2014, subindo de R$ 890 mil para R$ 2,9 milhões, recolhidos de janeiro a setembro deste ano. “O incentivo é importante por estimular a abertura de empresas, que geram mais postos de trabalho. E nesse sentido as micro e pequenas empresas são fundamentais para a economia da cidade. São elas que estão gerando emprego e movimentando a economia”, diz a prefeita, Maria de Fátima Tertulino Dantas Neri, que é conhecida como Fafá Dantas. Segundo ela, a ideia é investir parte do recolhimento do ISS em capacitação dos profissionais que atuam no turismo.