Verão deverá ser mais quente até três graus no RN

Publicação: 2019-11-27 00:00:00
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Com temperaturas máximas até três graus Celsius acima da média para o mês de outubro, os norte-rio-grandenses devem enfrentar um verão mais quente do que em 2018, apesar da expectativa de chuvas dentro da média para o período. De acordo com o professor Cristiano Prestrelo, do departamento de meteorologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o aumento na média das temperaturas máximas é uma tendência que vem sendo observada em todo Nordeste.

Créditos: Magnus NascimentoA baixa umidade do ar tem feito com que a população tenha uma sensação térmica mais quenteA baixa umidade do ar tem feito com que a população tenha uma sensação térmica mais quente
A baixa umidade do ar tem feito com que a população tenha uma sensação térmica mais quente

“Temos observado essas variações não apenas em termos de ano, como mês a mês. Ter anos subsequentes cada vez mais quentes em relação a médias climatológicas anteriores vem sendo uma constante”, explica o professor, especialista em variabilidade climática.

Em um estudo publicado no dia 18 de novembro pelo Centro Nacional de Informações Climáticas dos Estados Unidos (NOAA Global), os pesquisadores constataram que a média de temperatura da terra e da superfície dos oceanos foi a mais alta registrada para o mês de outubro desde o ano de 1880.

Até aquele mês, a temperatura do ano de 2019 bateu o recorde como a segunda mais quente na história. A maior parte do Brasil, incluindo a região Nordeste, está em uma das áreas do estudo que aponta temperaturas "muito mais quentes do que a média".

De acordo com o professor, o aumento da temperatura média do planeta, na prática, significa no aumento dos “extremos” tanto em regiões quentes, como em regiões frias. “Para o Nordeste, por exemplo, nós podemos começar a observar o aumento dos períodos de seca, que são fenômenos extremos”, explica o professor.

Caso a situação não seja revertida, de acordo com ele, as autoridades terão de se preparar – cada vez mais – para eventos climáticos extremos. No caso do Nordeste e, especificamente, do Rio Grande do Norte, que acaba de sair de um período de seis anos de seca do qual ainda não se recuperou totalmente, isso significa uma otimização do uso dos recursos hídricos do estado.

“Os mesmos recursos hídricos que servem para a agricultura e pecuária servem para abastecer a população. Se continuarmos dessa forma, os governos terão de criar medidas para distribuir melhor esses recursos, ou privilegiar um em detrimento de outro, porque essas alterações climáticas podem afetar a chegada desses recursos”, afirma Prestrelo.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por sua vez, mostram que apesar da média de temperaturas máximas estar crescendo, para a maior parte do Nordeste brasileiro, a temperatura mínima se mantém na média esperada, assim como o nível de chuvas para o período, que deve ficar em torno de 100 milímetros para a região.

O chefe do setor de meteorologia da Empresa de Pesquisas Agropecuárias do RN (Emparn), Gilmar Bristot, afirma que essas chuvas é que vão definir se o verão que chega virá com uma sensação térmica maior ou menor para os potiguares. “O comportamento das chuvas a partir da segunda quinzena de dezembro vai nos permitir avaliar melhor como será o resto do verão, e também uma ideia de como será o inverno nos meses seguintes”, afirma Bristot.

Ele ressalta, ainda, que a sensação térmica de muito calor sentida pelos potiguares ao longo do último mês se deve, também, à baixa umidade do ar que vem se apresentando no Rio Grande do Norte, entre 20% e 25%.

Comerciantes estão de olho nas temperaturas
A expectativa de um verão com temperaturas acima da média é vista com bons olhos pelo vendedor de água mineral Jefferson Heitor Santos da Silva, 24, que há quase três anos bate o ponto no centro de Natal. “O sol saiu com força, e com o calor melhorou muito os negócios”, comemorou o rapaz que vende uma garrafinha de 500ml por R$ 1. Jefferson lembrou que no período de chuvas “não estava nem comprando material” para trabalhar: “Estou sempre ligado na previsão do tempo, e pelo jeito o verão vai ser bem quente. Sinal de boas vendas”, prevê.

A sede da clientela por água mineral também reflete na procura por ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. “Desde o mês de outubro que a procura por esses equipamentos vem aumentando. Estou otimista”, disse Maxwell Alves, que trabalha em uma loja de eletrodomésticos na Av. Rio Branco, no bairro da Cidade Alta.

O vendedor de lanches e sorvete Hebert Wagner Nascimento Medeiros também está otimista. Ele informou que as vendas “ainda não aumentaram o tanto esperado, mas acredito que daqui para dezembro o movimento vai melhorar”.