Vi de Perto

Publicação: 2019-09-22 00:00:00 | Comentários: 0
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Ronaldo Fernandes
[Engenheiro Agrônomo]

Há tempo buscava nos arquivos da memória algo marcante que pudesse ter relação direta com a minha geração. Este artigo relembra um fato histórico ocorrido em Natal, durante a segunda Guerra Mundial aos olhos de uma criança de calças curtas. Com ele quero homenagear a juventude e a adolescência das décadas de 1940 e 1950. Muitos desses, infelizmente, já viajaram sem deixar endereço certo, sinal dos tempos que nossa turma está em processo paulatino de extinção.

Do mesmo modo, julgo importante registrar algumas referências daqueles tempos. Considero privilegiado o grupo de estudantes que participou do velho Atheneu da avenida Junqueira Aires. A elite intelectual da cidade abrigava nossos professores. Sem detrimento de nenhum, como esquecer: Celestino Pimentel, Clementino Câmara, João Medeiros, Esmeraldo Siqueira, Floriano Cavalcanti, Pedro Segundo, professores Saturnino, Zé Gurgel, Albimar e professora Nevinha. E ainda lembrar, a figura inesquecível do professor Fagundes, o grande educador do Ginásio Sete de Setembro, localizado na rua Seridó. Dou outros exemplos, a nossa gloriosa polícia tinha um trabalho mais simples: ladrões de galinheiro e batedores de carteira. Era costume da época a criação de aves nos quintais. Aqui acolá, um crime diferente. Estava ausente a violência do assalto a mão armada, ocorrência diária atualmente nos noticiários de rádio e TV. O futebol de ABC e América era uma festa no estádio Juvenal Lamartine. Não se falava em mercenarismo de jogadores, tão pouco na tal torcida organizada. Existiam torcedores. O comércio hoje abandonado no bairro da Ribeira era forte e variado, além da presença de diversos órgãos da administração pública. A sociedade natalense saía de casa, reunia-se nos clubes, cinemas, circos e teatro. Sem dúvida havia mais humanidade e menos medo entre as pessoas. Esse pano de fundo apesar de muito incompleto faço questão de destacar.

 Voltando ao tema do presente escrito, o garoto dos anos 40 sabia pelas notícias de rádio e comentário das pessoas de casa, que nossa capital estava sediando um importante encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos da América, relacionado a guerra em andamento no teatro europeu e do extremo oriente. Sabia também, que haveria um desfile dessas autoridades nas ruas de Natal, estando incluída a avenida Deodoro, onde morava, na esquina com a rua Juvino Barreto. Na manhã anunciada, me postei no canteiro central, com outras pessoas que ocupavam também as calçadas. O comboio surgiu na avenida Deodoro, no sentido sul-norte  a frente um jeep conduzindo os sorridentes presidentes Getulio Vargas, Franklin Roosevelt e o general Mascarenhas de Moraes, comandante da Força Expedicionária Brasileira-FEB. Na curva a direita com a rua Potengi, a  comitiva seguiu em direção a Parnamirim. Já adulto, vim saber que aquela data histórica tinha sido 24 de janeiro de 1943 e o menino de calças curtas tinha 8 anos.

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