Sem fiscalização sanitária, duas mil pessoas entraram no RN em voos internacionais

Publicação: 2020-03-19 00:00:00
A+ A-
Ícaro Carvalho
Repórter

Pelo menos duas mil pessoas oriundas de países com casos confirmados de coronavírus (Covid-19) vieram diretamente ao Rio Grande do Norte desde o dia 1º de março. Segundo dados da Superintendência da Polícia Federal do RN, o Aeroporto Internacional Aluízio Alves registrou desembarque de 2.064 pessoas entre 1º e 18 de março. O período para transmissão do Covid-19, o novo coronavírus, é de 14 dias,  segundo as autoridades em saúde.

Créditos: Magnus NascimentoOntem, passageiros de voo doméstico afirmaram que não houve alertas no aviãoOntem, passageiros de voo doméstico afirmaram que não houve alertas no avião


De acordo com dados da PF repassados à pedido da TRIBUNA DO NORTE, a maioria desses passageiros veio de Lisboa, capital de Portugal: 1.418. Outros 301 passageiros vieram de Amsterdã, capital holandesa, e os 345 restantes vieram de Buenos Aires, na Argentina. Os voos já passam a sofrer alterações em virtude do coronavírus. De acordo com a secretária de Turismo, Ana Maria Costa, os voos da capital argentina a Natal foram suspensos nesta segunda (16). Os de Portugal foram suspensos nesta quarta (18). Nesta quinta (19), um voo está vindo da Holanda a Natal, com 23 brasileiros e será o último. Além desse, um voo lotado de holandeses levará os turistas de volta à Europa.

“Amanhã temos um voo da Holanda da Coredon. Recebi a ligação da responsável e estão vindo apenas 23 natalenses que estão na Holanda e vai retornar com os turistas que estão aqui. Segundo a informação dela, a partir daí vai ser cancelado. Eles têm que levar de volta (holandeses) e repatriar o pessoal que está lá, disse à TRIBUNA DO NORTE.

A reportagem esteve nas dependências do Aeroporto no começo da tarde desta quarta-feira (18) para acompanhar a rotina do terminal potiguar em meio a pandemia de coronavírus.

No período em que a reportagem esteve no local, entre 12h e 14h, um voo de Brasília chegou e foi possível observar vários passageiros de máscaras. Nas imediações do terminal, funcionários e colaboradores também usavam a proteção.

Em alguns lugares do terminal, como paredes, balcões, restaurantes e nos arredores do aeroporto, é possível observar cartazes colados com tamanho médio, informando sobre o que é a doença, sintomas, meios de transmissão e recomendações. Os cartazes também estão colados nos espelhos dos banheiros.

Aliado a isso, foi possível observar, em duas ocasiões, alertas sonoros. Um deles era sobre questões protocolares do aeroporto, como avisos de serviços e opções para os que desembarcavam. Já sobre o coronavírus, também foi possível ouvir, só que numa intensidade menor. O som não estava tão audível quanto o outro e não era possível ouvir em todos os lugares do saguão, diferentemente do primeiro sinal sonoro.

Vindo do Rio de Janeiro na manhã desta quarta, o potiguar Jonatan Ysrael, 17 anos, disse que não houve nenhum tipo de comunicação durante o voo sobre protocolos a serem seguidos caso houvessem sintomáticos no avião.

“Foi tranquilo, mas tinha muita gente de máscara. O comandante nem as aeromoças não avisaram nada”, disse. Ele estava no Rio desde o dia 03 de março, onde estuda o Ensino Médio.

No mesmo voo também estava Richer Batista, 16 anos, que concordou com o amigo de escola. “Foi tranquilo como se nada estivesse acontecendo. Não ouvi nada, nenhuma orientação”, apontou.

A reportagem também ouviu taxistas que ficam nas dependências do aeroporto. De acordo com Milton Souza e Evanildo Alves, são 120 taxistas que se dividem em turmas de 60 motoristas. Trabalhando por ordem de chegada, eles alegam que têm aumentado a vigilância com máscaras, álcool em gel e higienização dos cintos de segurança, maçanetas e volantes.

“Estamos cogitando dividir as turmas, uma vindo um dia sim, dia não. A demanda está caindo, os custos permanecem e existem os riscos de ser contaminado”, revela Milton, acrescentando que autoridades de saúde não passaram orientações a eles e que a demanda de corridas caiu em 50%

Aeroporto

No Aeroporto Aluízio Alves, há três salas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Quando a reportagem chegou ao local, uma das salas estava fechada, com o funcionário aparecendo minutos depois. Ele disse que os profissionais trabalham com EPIs e dispõem de álcool em gel e outros materiais na sala.

No caso dos tripulantes apresentarem algum sintoma, a Anvisa só toma conhecimento caso a aeronave avise à torre de comunicação do aeroporto sobre o problema. “Até o momento não houve detecção de nenhum passageiro contaminado pelo coronavírus nessas áreas de fiscalização da Anvisa”, disse, referindo-se também ao Porto de Natal. Ao todo, são três funcionários que trabalham em regime de revezamento 24h.

No caso da Anvisa, a entidade informa que trabalha como intermediária entre o Aeroporto e os serviços de saúde. Em nota enviada à imprensa, o Aeroporto de Natal informou que “possui um posto médico exclusivo preparado para atender emergências médicas de passageiros e tripulantes”.

De acordo com a Inframérica, o espaço é equipado com duas equipes completas (médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e motorista socorrista) que funciona 24h. Além da enfermaria, uma ambulância está sempre à disposição para encaminhamentos de emergência do Aeroporto aos hospitais da cidade.

A administração disse ainda que está intensificando a limpeza no terminal aéreo, com utilização de máscaras e luvas pelos funcionários. “Telas informativas em todos os portões de embarque e cartazes explicam sobre a doença e orientam como se prevenir, além disso a reposição de sabão nos banheiros foi intensificada e dispensers de álcool gel estão distribuídos nas áreas administrativas e de grande circulação de trabalhadores”, completou.











Deixe seu comentário!

Comentários