Vigias de rua persistem na atividade

Publicação: 2019-06-02 00:00:00
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Nos bairros residenciais de Natal é difícil atravessar ruas e avenidas sem notar a presença dos tradicionais vigias de rua. Apesar do trabalho ser considerado clandestino, por não ter regulamentação da Polícia Federal, maior parte das pessoas o faz por necessidade financeira. A atuação de vigilantes por empresas não regulamentadas pela PF é considerado crime. A Polícia Federal fiscaliza a vigilância clandestina e encerra a atividade ilegal.

Créditos: Adriano AbreuVigilantes avaliam que fazer a segurança privada nas ruas é bem mais arriscado nos dias atuais. Alguns, trabalham com cãesVigilantes avaliam que fazer a segurança privada nas ruas é bem mais arriscado nos dias atuais. Alguns, trabalham com cães
Vigilantes avaliam que fazer a segurança privada nas ruas é bem mais arriscado nos dias atuais. Alguns, trabalham com cães

Da esquina de uma rua pouco movimentada do Conjunto dos Professores, em Lagoa Nova, na zona Sul de Natal, o vigilante Carlos*, 42 anos, observa a rua. Na profissão há 15 anos, já passou por todo tipo de situação: já foi assaltado, afugentou e teve que correr de bandidos. Apesar de proteger os moradores da área que é predominantemente comercial, o homem garante que a proteção tem limites: “Minha atividade não é a de um policial, apesar da sensação de segurança por minha presença aqui, se precisar eu corro”, destacou Carlos, que prefere não ter a identidade revelada.

Da guarita que funciona durante 24h por dia, o vigilante Márcio*, 42 anos, avalia a segurança privada como algo importante, mas que não substitui a atividade policial. No cargo há 22 anos, o vigilante avalia que fazer segurança nos dias atuais é mais arriscado do que quando começou. Recorda quando foi assaltado enquanto trabalhava, e levaram seu celular. “Eu sobrevivi porque não reagi, nem adiantaria porque eles estavam armados”, disse o homem, que procurou emprego em outros ramos, mas desistiu em função da necessidade financeira.

Créditos: Adriano AbreuNas ruas, maioria dos vigias afirma que a atuação na proteção dos moradores tem limitesNas ruas, maioria dos vigias afirma que a atuação na proteção dos moradores tem limites
Nas ruas, maioria dos vigias afirma que a atuação na proteção dos moradores tem limites

Apesar da limitação dos vigilantes de rua, foi graças a um deles que o psicólogo Cláudio Cid Viana, 50 anos, escapou de um assalto. Morador do Conjunto dos Professores, o homem foi avisado pelo vigilante de rua que pessoas suspeitas estavam rondando a casa. Por causa do alerta, ele e a família conseguiram escapar.

“Eles ajudam bastante a medida que estão aqui para nos ajudar, alertar. Não esperamos que eles façam o papel da polícia, como prender um bandido por exemplo, mas eles nos deixam alerta para eventuais riscos. Em uma situação de invasão a minha residência, se não fosse ele, não sei o que teria acontecido de pior”, disse o morador, que há 10 anos reside no local.

O Vice-Presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do RN, Breno Machado,  alerta para os riscos da clandestinidade, e ressalta a exigência de uma autorização prévia de funcionamento além do serviço ser normatizado e fiscalizado por órgãos federais.  “A grande preocupação do setor é com a clandestinidade dos serviços de segurança privada, que concorre de forma desleal com as empresas autorizadas”, frisou.

Créditos: Adriano AbreuEm algumas avenidas, os vigilantes trabalham em guaritas montadas pelos moradores do bairroEm algumas avenidas, os vigilantes trabalham em guaritas montadas pelos moradores do bairro
Em algumas avenidas, os vigilantes trabalham em guaritas montadas pelos moradores do bairro

Devido a grande diferença de custo na contratação entre empresas regulamentadas e clandestinas, segundo Breno Machado, o mercado ainda assume o risco de contratar esse tipo de empresa sem a exigência da competência técnica e habilitação legal comprovada, gerando como consequência a má prestação de serviço, ausência de capacidade de solucionar o risco do cliente, profissionais irregulares e sem capacitação, sonegação de impostos e desrespeito aos direitos dos trabalhadores.

“Quando parte para o campo de segurança eletrônica, controle de acesso, tecnologia e monitoramento, que são segmentos que não há lei especifica e um órgão fiscalizador, temos incontáveis empresas atuando, o que dificulta a identificação e qualificação dos serviços. É preciso muito cuidado na contratação de empresa de segurança. É importante buscar idoneidade e solidez no fornecedor que irá cuidar das pessoas e ativos do seu negocio ou residência”, alerta o vice-presidente do SINDESP.

Números

Segurança privada
39
é o número de empresas que atuam com vigilância privada no RN

6.812 é quantidade de vigilantes privados legalizados em atuação no RN

Polícia Militar
7.978 praças e oficiais, dos quais 6.500 profissionais na rua

O que fazer para ser segurança privado?
Esses devem procurar uma academia credenciada pela Policia Federal e pelo Ministério da Justiça, ter mais de 21 anos, não ter nenhum antecedente criminal, passar pelo curso onde terá noção defesa pessoal, técnicas de tiro, noções de Direito Penal e legislação da segurança privada, além de várias outras disciplinas, totalizando 220h/aula. Além dessa exigências, a Portaria nº 387, da Polícia Federal, determina que os vigilantes também passem por uma avaliação psicológica para adquirir porte de armas.

Fontes: Polícia Federal/RN e PMRN













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