Virada do semestre

Publicação: 2020-07-01 00:00:00
Luiz antônio felipe 
laf@tribunadonorte.com.br

No popular “passar a régua”, a virada do semestre, não dá para salvar quase nada, coisa alguma de positiva dos seis primeiros meses do ano, com exceção do agronegócios. Simplesmente, porque não deu pra fazer algo construtivo para o País. Logo depois das férias de janeiro e o carnaval em fevereiro, quando o País iniciava o ano, como se costuma dizer, aparece o coronavirus e o calendário virou uma bagunça. Paralisou o mundo inteiro, destruindo empresas e empregos. E, agora estamos entrando no segundo semestre com muito medo de um possível retorno da pandemia. O governo vai continuar com o auxílio emergencial de R$ 600,00.

Incerteza 
Na análise de curto prazo, a incerteza da economia brasileira permanece em patamar extremamente elevado. O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getulio Vargas caiu 16,7 pontos em junho de 2020. Com a segunda queda consecutiva, o indicador passou a devolver 39% da alta de 95,4 pontos observada no bimestre março-abril.

Sem vagas
O desemprego no Brasil sobe a 12,9% no trimestre até maio e chega a 12,7 milhões, na pesquisa do IBGE. O período foi marcado por dispensa recorde de pessoal. A pandemia  extinguiu 7,8 milhões de postos de trabalho. Isso fez com que a população ocupada tivesse caído 8,3% ao comparar com o trimestre até fevereiro, indo para 85,9 milhões de pessoas.

Desalento
O desalento aumenta 15,3% no trimestre e atinge uma população recorde, revela o IBGE. A população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa. Com o seguro-desemprego, bolsa família e auxílio emergencial, a crise é atenuada.

Ranking
O mercado financeiro encerra o mês de junho, com o Ibovespa em recuperação, mas foi o índice mais desvalorizado no semestre. Ontem, o Ibovespa recuou -0,71%, a 95.055 pontos. O dólar fechou em alta de 0,25% a R$ 5,439. O petróleo (spot) fechou a U$ 39,80, uma alta de +0,18%.

Efeitos da flexibilização
Nos cálculos da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a flexibilização da quarenta reduziu as perdas do comércio no País em R$ 9,14 bilhões. Os prejuízos do setor, que poderiam chegar a R$ 42,8 bilhões nas três primeiras semanas de junho, somaram R$ 33,69 bilhões com o relaxamento em diversas regiões do País. Ao final de março, no auge do distanciamento, o comércio registrou perda semanal de R$ 23,12 bi.

Perdão 
A União vai parcelar e abater até 100% dos juros da Dívida Ativa. Os contribuintes podem negociar os débitos a partir de hoje, 1º de julho, desde que tenham sido afetados pela pandemia. É mais uma oportunidade para quem está na pior nesta crise econômica.

Hábitos
Levantamento da Social Miner e da Opinion Box mostra que, no consumo pós-pandemia, 62,7% das pessoas pretendem mesclar as compras de mercado entre online e offline, e 45,4% devem fazer cursos só online. Diz ainda que 8,37% dos consumidores das classes CDE compraram online pela primeira vez na quarentena. Quanto a refeições prontas, 19,6% vão optar por pedir online ao invés de ir a um restaurante, e 68,4% devem pedir online. 

Chuvas
No fim de semana, até ontem (segunda-feira), quatro dias consecutivos, a Emparn registrou chuvas em 14 localidades, inclusive, no Oeste. As maiores precipitações ocorreram no Leste e Agreste. Uma informação importante:  o prazo de vacinação contra a febre aftosa no RN foi prorrogado até 31 de julho.

OCDE 
Os subsídios agrícolas em um grupo de 54 países atingiram US$ 708 bilhões por ano de 2017 a 2019. Os países mais ricos, como os europeus e os Estados Unidos subsidiam mais em comparação com os emergentes. Os produtores rurais desses países recebem recursos públicos para produzir.

Carne
A China suspende a compra de carne de vários países, alegando risco de contaminação pelo coronavirus e, certamente, com estoques elevados. Com o Brasil, a China tenta impor contratos de US$ 3,7 mil /tonelada, o equivalente a uma arroba de R$ 175,00. Em  São Paulo, a arroba custa em torno de R$ 220,00. Uma enorme diferença de preço.

Alimentos
Na indústria de biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados o  crescimento foi de 4,9% em faturamento no 1º quadrimestre de 2020. A pesquisa da Nielsen revela o cenário atual do setor e tendências pós COVID-19. Junto, o movimento dos segmentos desse setor foi R$ 9,6 bilhões, impulsionado principalmente por aumento de preços.