Virgolino critica ‘acordo’ nas prisões

Publicação: 2017-01-11 00:00:00 | Comentários: 0
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O secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino, afirmou que alguns estados brasileiros fazem 'acordos tácitos com criminosos' para conceder benefícios em troca de manutenção da ordem dentro das unidades prisionais. A declaração do titular da Sejuc foi dada ao jornal O Globo de ontem (10). Segundo ele, que é delegado de polícia, tais acordos não deveriam existir porque  “o criminoso tem que se sentir criminoso” com regras rígidas de comportamento e sem benesses como ventilador ou tevê. Wallber Virgolino garante  que o Rio Grande do Norte está buscando mudar a realidade nos presídios.
Adriano AbreuVirgolino: “A gente tem que encarar o preso como preso. Presídio não é hotel e preso não é hóspede"Virgolino: “A gente tem que encarar o preso como preso. Presídio não é hotel e preso não é hóspede"

“Alguns estados fazem um acordo tácito com os presos. Tu fica quietinho e eu deixo entrar tudo pra tu. (...) O Estado recua, fica com medo do preso, e começa a aceitar de forma involuntária tudo do preso, para ele não bagunçar, não matar ninguém, não fazer rebelião”, afirmou à reportagem de O Globo, acrescentando que “A gente tem que encarar o preso como preso. Se a educação pecou, se os programas sociais pecaram, não é problema nosso. Estamos lá para custodiar”.

Para ele, preso não pode ter televisão ou ventilador na cela. “Presídio não é hotel e preso não é hóspede", disse o secretário, que tem tirado benefícios de detentos no RN, como televisões e ventiladores em celas. Segundo Wallber Virgolino, a situação de celas superlotadas é uma realidade em todo o país e é preciso buscar soluções dentro da situação de cada estado.

"Não é aceitável (ter celas superlotadas), mas a senhora acha que vai mudar isso nesses 20 anos? (...) A gente tem que gerenciar com o que tem na mão. Eu não posso ficar trabalhando (com a hipótese) que vai cair (do céu) 20 presídios lá, dizendo que vai ter um preso por cela. Não vai. Temos que adotar medidas pensando na realidade. Falar de tourada é fácil, quero ver é lutar com o boi na arena. Se fosse fácil, qualquer um fazia", disse o secretário em resposta à repórter do O Globo.

“Aqui os doutrinadores comparam o sistema penitenciário com calabouço, mas o calabouço não tem ar-condicionado, não tem televisão, não tem ventilador, não tem ferro de engomar, frigobar, churrasqueira. No Rio Grande do Norte, estou tirando tudo isso. Estou tirando ventilador, tudo, para o preso sentir. Se não, vai achar que pode tudo”, disse o titular da Sejuc ao jornal carioca.

Segundo o secretário, não há indicação de futuras rebeliões no Estado ligadas aos massacres na região Norte, que ele considera resultado de uma briga “isolada”. O Rio Grande do Norte tem cerca de 8 mil presos em 4,5 mil vagas. A gestão de Wallber Virgolino separa os presos do Sindicato do Crime e PCC nas unidades estaduais. Medida que, segundo ele, não diminui a tensão.

Eletrônicos no CDP
Em uma varredura dentro do Centro de Detenção Provisória do Potengi, na zona Norte de Natal, na manhã de ontem (10), agentes penitenciários  encontraram celulares, drogas, aparelhos eletrônicos e até cachaça.

De acordo com agentes que atuaram na ação, foram recolhidos 23 telefones celulares, carregadores, fones de ouvido, cinco litros de cachaça, além de pequenas quantidades de maconha e cocaína. Não há a informação como os itens ilegais adentraram a unidade prisional.

A Secretaria de Justiça e Cidadania afirmou que já identificou 11 detentos que assumiram ser donos dos celulares e da droga encontrada na unidade. Ainda segundo a Sejuc, eles vão ficar 30 dias sem visitas.

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