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Alex Medeiros
Viva o deus pop
Publicado: 00:00:00 - 30/03/2022 Atualizado: 16:18:58 - 30/03/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Hoje o guitarrista britânico Eric Clapton faz aniversário de 77 anos. Para muitos, o maior de todos os tempos, mesmo que ele próprio cultue a divindade de Jimi Hendrix desde o dia em que viu o americano pela primeira vez, em Londres, no clube Bag O’Nails, em 1966. Admirar Clapton é como ser fã de um craque de futebol que fora do gramado é um pote até aqui de impulsividade. Gênio no palco, e bêbado, drogado, chato e constrangedor na vida social.

Divulgação


Nos primeiros anos de carreira, consumiu entre uísque e cocaína o equivalente a uma década de Tropicália; passou uma longa temporada compondo canções direcionadas à mulher do seu melhor amigo, o beatle George Harrison, e fazia declarações na imprensa e comentários nos shows defendendo uma Inglaterra livre dos negros oriundos das colônias africanas. Talvez o apelido de “deus” dado a ele nas pichações de Londres o fez sentir-se acima de todas as coisas.

Mas, quando seus discos se espalharam pelo mundo e o seu virtuosismo com a guitarra passou a ser uma quase unanimidade de impressões e resenhas, os fãs de rock e blues não demoraram a erguê-lo num pedestal de consumo.

Quando o diretor Ken Russell fez o filme “Tommy”, a partir da ópera-rock da banda The Who, de 1969, e que eu fui ver em Natal só em 1975, a imagem de Clapton como um Cristo, tocando “Eyesight to the Blind”, foi uma doutrinação.

Aquele guitarrista de manto branco, com os integrantes do Who como discípulos seguindo seus solos-mantras, e ainda mais a imagem quase imaculada de Marilyn Monroe ao fundo, foi meu batismo alcoólico aos 16 anos.

Aliás, naquele tempo eu passei a questionar o escândalo evangélico nos EUA por John Lennon ter dito que os Beatles eram mais populares que Jesus. Era um pecado menor do que Londres bradar pelas paredes que Clapton era Deus.

Há inclusive uma contradição nisso tudo, pois um ano antes, em 1965, os rapazes de Liverpool eram assumidamente macacos de auditório de Clapton, que liderava a melhor banda de blues-rock da Inglaterra, de nome Yardbirds.

Imaginemos que entre 1963 e 1966 um time britânico formasse um tripé com Bobby Charlton, Stanley Matthews e George Best, gênios atemporais. Pois no rock, os Yardbirds tiveram Eric Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck, três titãs.

E bandas não faltam na trajetória consagradora desse monstro da guitarra, um mago das cordas idolatrado por ídolos: Yardbirds, Cream, Blind Faith, Derek and The Dominos e tantas outras com seu auxílio luxuoso, como os Beatles.

Os mais qualificados guitarristas dos muitos rankings históricos foram influenciados por ele: Jeff Beck, Jimmy Page, Mark Knopfler, Lenny Kravitz, Brian May, Joe Bonamassa. E os amigos George Harrison e Paul McCartney.

No lado pessoal, ele venceu os vícios e sobreviveu à mais terrível de todas as dores, a morte de um filho. Afundado na saudade e sufocado no sofrimento, nove meses depois compôs uma das mais lindas canções dos anos 1990.

Vencedora do Grammy em 1993, a música Tears in Heaven está completando 30 anos, feita em 1992 e integrando o seu álbum acústico Unplugged, que na época vendeu quase 8 milhões de cópias. O toque de abertura é um lamento.

Seis anos depois, em 1998, ele dedicou outra canção ao filho, mas também a si mesmo que não conheceu o pai. O hit My Father’s Eyes é em estilo folk e juntamente com a primeira foi tocada em shows até 2014, e tiradas dos shows.

Na véspera do Natal do ano passado, ele fez Heart of a Child, uma letra sobre as leis invasivas durante a pandemia. Tomou uma dose da vacina, sentiu-se mal e cancelou shows em locais que pediam passaporte. Fiquei mais fã ainda.

Aperreio 
Não está fácil aos partidos fazer as contas na perspectiva das nominatas para deputado federal, que só podem ter no máximo nove (9) candidatos. Ocorre que para eleger o primeiro nome são necessários, no mínimo, 160 mil votos.

Bancada 
No PT, há quem aposte em dois nomes eleitos para deputado federal e até quem sonhe alto com a terceira vaga, o que é deveras dificílimo. Três figuras estão na disputa: Natália Bonavides, Fernando Mineiro e Samanda Alves.

Campanha 
Dependendo do esforço da própria governadora Fátima Bezerra, a candidata e suposta afilhada Samanda está atenta aos movimentos de Mineiro, o homem da verba do Banco Mundial que tem ganhado largo espaço ao lado da líder.

MPBesta 
Por falar em Mineiro, quem te viu, quem te vê. O intrépido militante e candidato da marginália cultural dos anos 1980, que curtia Janis Joplin e Rita Lee, agora é agitador de seus seguidores enaltecendo a performance intestinal da Anitta.

Senado 
Carlos Eduardo não passa recibo, mas já sabe da dificuldade de contar com o envolvimento da militância petista. O apoio empolgado a Jair Bolsonaro em 2018 pesa mais na companheirada do que a intempestiva torcida por Lula.

Escuridão 
Moradores da Rua Carumuru, no bairro Candelária, estão sendo vítimas de uma ironia. Apesar da rua com nome que lembra luz e fogo, é o escuro que predomina há várias semanas sem uma solução da Prefeitura ou da Cosern.

Jorge Luiz 
Um dos maiores seresteiros da cidade, com discos que ultrapassaram os limites do Brasil com presença em Portugal, está hoje precisando de ajuda. Jorge Luiz está cego, com a saúde frágil e sem mínimas condições materiais.

Jorginho
A desclassificação da seleção da Itália fez a imprensa do país disparar contra o ítalo-brasileiro Jorginho, que ano passado disputou a Bola de Ouro de melhor do mundo. Culpam-no da derrocada por perder dois pênaltis super decisivos.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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