Volta às aulas no RN será discutida dia 2

Publicação: 2020-08-30 00:00:00
O Rio Grande do Norte voltará a discutir a possibilidade de retorno às aulas esta semana. O comitê técnico-científico de Enfrentamento à Covid-19 da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) se reúne na quarta-feira (2) para dar um parecer sobre o retorno das aulas presenciais no Rio Grande do Norte. Os cientistas farão uma análise do atual cenário epidemiológico da pandemia e do protocolo de segurança apresentado pelas escolas privadas na última semana. As aulas presenciais estão suspensas desde o dia 18 de março por um decreto em vigor até 14 de setembro.

Créditos: Magnus NascimentoEscolas particulares adotaram protocolo rígido e estão prontas para o retornoEscolas particulares adotaram protocolo rígido e estão prontas para o retorno



Um elemento novo nessa discussão é a liberação para retorno de escolas particulares no Ceará, estado vizinho cujo quadro de covid foi muito mais grave que no Rio Grande do Norte. No estado governado  por Camilo Santana (PT) foi autorizado o retorno das aulas presenciais na rede particular a partir desta terça-feira, 1º de setembro. Apenas creches e aulas da pré-escola voltariam na data, em Fortaleza e outros municípios da região metropolitana. As instituições poderão funcionar com 30% da capacidade, e os pais precisam ter a opção de manter o ensino remoto.

De acordo com a jornalista Laurita Arruda, que mantém na Tribuna do Norte o blog Território Livre, "uma fonte bem informada do Governo Fátima Bezerra" teria informado que a decisão de Camilo deve influenciar na definição com relação ao Rio Grande do Norte. 

Os representantes das escolas particulares do Rio Grande do Norte, principalmente de Natal, afirmam que o retorno proposto segue um modelo semelhante, com revezamento de alunos e opção do ensino remoto para os pais que não se sentirem seguros em enviar seus filhos. “As escolas particulares não querem voltar por cima de forma irresponsável. Temos um protocolo rígido”, afirmou no dia 17 de agosto Gustavo Matias, participante do comitê científico formado pela rede privada.

De acordo a infectologista Marise Reis, participante do comitê científico, o retorno das aulas ainda está em discussão porque a situação atual da pandemia ainda é considerada preocupante pela continuidade do surgimento de novos casos e óbitos. Até a noite desta sexta-feira, 28, o Rio Grande do Norte possuía 61.211 casos confirmados do novo coronavírus e 2.224 óbitos. “A grande preocupação hoje é que ainda há novos casos e óbitos causados pela Covid-19. Enquanto houver casos e óbitos, não estaremos tranquilos. O retorno das aulas pode significar uma maior veiculação do vírus”, disse.

Com relação a ocupação de leitos, o percentual de ocupação das Unidades de Terapia Intensiva específicas para o tratamento de pacientes com covid-19 da rede pública alcançou 41% na manhã da sexta-feira (28), sendo este o menor percentual desde abril. As regiões do Estado apresentavam os seguintes níveis de ocupação de UTI: 50% no Alto Oeste, 51,4% no Seridó, 43% no Oeste/Vale do Açu, 40% na Região Metropolitana e 66% no Mato Grande. As regiões do Mato Grande e do Potengi-Trairi seguem sem pacientes internados em leitos críticos.

O último parecer do comitê científico, levado em consideração pela governadora Fátima Bezerra em agosto ao adiar o decreto de suspensão das aulas presenciais por mais um mês, firma uma nova análise sobre o retorno das escolas a partir do dia 31 de agosto, nesta segunda-feira. Segundo o documento, a data é necessária para poder analisar “com segurança as tendências da epidemia após a abertura econômica e se apreciar o plano de retomada da educação.”

O modelo sobre o retorno das aulas não está definido. As escolas particulares já possuem um protocolo que foi entregue ao comitê científico para análise, mas a rede pública ainda não definiu como deverá ser o retorno - a expectativa é que isso aconteça nesta segunda-feira. 

Na avaliação dos representantes das escolas particulares, Alexandre Marinho, a rede pode voltar primeiro que as escolas públicas por já estarem preparadas. No último dia 7, a secretária-adjunta de Educação e Cultura do Estado, Márcia Gurgel, chegou a afirmar que a secretaria não via problema do retorno acontecer desta forma.

A reportagem procurou o secretário estadual de Educação e Cultura, Getúlio Marques, e o secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, mas não conseguiu contato.





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