Volume de chuvas deve diminuir em julho, aponta Emparn

Publicação: 2019-07-03 00:00:00 | Comentários: 0
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O tempo nublado pode não significar necessariamente chuvas nas regiões agreste e litoral leste do Rio Grande do Norte, explicou o gerente de Meteorologia da Emparn, Gilmar Bristot. A tendência é que na segunda quinzena de julho, por causa da alta pressão atmosférica no Oceano Atlântico, é de precipitações normais a abaixo do normal.

A cota atual de 37 metros de profundidade representa um volume 45 milhões de metros cúbicos de água, mais da metade do total
A cota atual de 37 metros de profundidade na Lagoa do Bonfim representa um volume 45 milhões de m³ de água, mais da metade do total

Enquanto no litoral leste e região agreste as chuvas ainda podem ocorrer de forma irregular, no interior do Estado em junho se deu o início do período seco devido o afastamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), responsável pelas chuvas nas regiões Oeste e Seridó potiguar.

No litoral leste e agreste, ressaltou o meteorologista da Emparn, a pressão atmosférica no Atlântico Sul favorece as chuvas no litoral potiguar. Em junho a atuação desses sistemas mostraram o enfraquecimento do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. Isso indica normalidade nas chuvas.

O cenário é diferente do que ocorreu no interior, de janeiro a maio no semiárido potiguar com chuvas acima da média (12,1%). O esperado era uma média de 587 milímetros mas o registrado foi de  658 milímetros.

O professor de Meteorologia e Climatologia da Ufersa (Universidade Federal Rural do Semiárido), José Espínola Sobrinho, explicou que as chuvas este ano favoreceram a região Oeste que ficaram 12% acima da média.

Na região de Mossoró, por exemplo, a média foi de 15% acima da média. “Isso pode ser considerado bom de uma maneira geral depois de quase sete anos de estiagem”. Somente na cidade de Mossoró, comparou, choveu entre 800 milímetros e 1000 milímetros, bem mais que a média que é de 680 milímetros para o município.

Em Mossoró foram 88 dias de chuvas este ano. Somente em março choveu e 26 dias, em abril, 20 dias. Enquanto no Oeste as chuvas tiveram uma variação positiva, apesar de situações como em Apodi, que ficou com uma média de 3,5% de precipitação, bem abaixo da maioria dos municípios da região Oeste.

Segundo o professor, a maioria dos municípios com bom volume de chuvas são também os com maior número de reservatórios. “Quanto mais água mais favorecimento de chuvas”, frisou. Segundo ele, por causa disso, há uma maior evaporação que propiciam um maior volume de precipitação.

Lagoa do Bonfim
A irregularidade das chuvas no litoral leste fez com que a Lagoa do Bonfim, no município de Nísia Floresta, chegasse ao volume de 54,03%. A lagoa abastece o sistema adutor Monsenhor Expedito que distribui água para mais de 30 municípios das regiões Agreste, Trairi e Potengi.

Apesar disso, o coordenador de Gestão Hídrica do  Instituto de Gestão de Águas (Igarn), Antônio Righetto, disse que não há risco no abastecimento por causa do volume atual. De acordo com ele, a cota atual de 37 metros representa um volume 45 milhões de metros cúbicos de água, mais da metade da capacidade total de 84,2 milhões de metros cúbicos. O nível máximo de cota, comparou, é de 42 metros que não é atingido há muito tempo, comentou.

No passado, reportou Righetto, havia uma discussão que se a cota  chegasse a 39 metros haveria comprometimento no abastecimento mas isso não se confirmou, explicou o coordenador. O que favorece a lagoa é que ela não ganha volume apenas devido às chuvas. A recarga também é feita pelo acumulado na reserva subterrânea o que garante o equilíbrio na cota. Porém, se em setembro houver uma redução nesse volume, a situação passa a preocupar, explicou.

Reservatórios
Dos 20 reservatórios na Bacia Apodi/Mossoró, região Oeste, três (Pau dos Ferros, Pilões e Santana) estão secos. Outros como Encanto chegaram ao volume de 95% de sua capacidade e Apanha Peixe, em Caraúbas, 90%, e Riacho da Cruz II (Riacho da Cruz), atingiu o nível de 97%.

Na Bacia Piranhas/Assu, com 19 reservatórios, o açude Gargalheiras, no município de Acari, no Seridó, está seco com  0,56% de volume. Três reservatórios apenas ficaram com volume acima de 90%: Pataxó, em Ipanguaçu com 97%; Mendubim em Açu com 98%; e Beldroega, em Paraú, com  94%.

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