Walt Whitman

Publicação: 2019-07-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

No dia 31 de maio de 2019, o mundo celebrou os duzentos anos do nascimento de Walt Whitman, poeta nascido nos Estados Unidos e que se tornou global, pelo conteúdo, pelo estilo livre e pelo ritmo flexível dos seus versos. Em 1855, aos 36 anos, lançou a primeira edição de Folhas de Relva, com 12 extensos poemas, todos compostos de versos soltos, sem rimas e sem regras, a ponto de ser visto como precursor do modernismo literário. Porém, somente décadas depois, precisamente no ano de 1922, com a publicação das obras Ulisses, de James Joyce, e A Terra Devastada, de T.S. Eliot, convencionou-se tê-las como o marco do modernismo literário mundial. Existe a versão de que as mudanças nas artes, nas letras e nos costumes, naquele período, decorreram das desilusões e das crises vividas pela sociedade após o fim da Primeira Guerra Mundial.

Desde a primeira edição, Folhas de Relva causou forte impacto nos leitores e na crítica. Não trazia o nome do autor, apenas, em uma das páginas do poema Canção de Mim Mesmo, constava:  “Walt Whitman, um grosso, um kosmos”. Descobriu-se que se tratava de um jornalista e carpinteiro nova-iorquino, autor de resenhas e poemas esparsos, que preferia a companhia da gente do povo aos já famosos homens de letras. De família pobre, pouco frequentou escolas, mas era amigo dos livros, dos teatros e dos jornais de Nova York, além de ter sido professor na área rural. Folhas de Relva, logo após sua edição inaugural, sofreu críticas severas da imprensa e do mundo literário, e o seu autor foi tratado como obsceno, grosseiro e insano. Porém, uma voz de alto poder cultural ouviu-se em defesa de Folhas de Relva, a do pensador, filósofo e escritor Ralph Waldo Emerson, que assim se reportou a Whitman: “Felicito-o pelo seu pensamento livre e corajoso, o que me dá grande alegria. Encontro essa coragem na maneira de tratar os temas, que tanto prazer dá e que só uma ampla visão pode inspirar. Saúdo-o no começo de uma grande carreira.”

Walt Whitman nasceu em West Hills, Long Island, mas, ainda menino, foi com a família morar no Brooklyn, em Nova York. Optou pelo trabalho em jornais e, aos 27 anos, foi redator do Brooklyn Eagle. Já escrevia em prosa e verso, porém, sem nenhuma projeção. Aos 30 anos, começou sua jornada na escrita de versos livres, sem rima e sem métrica. Seu nome de batismo era Walter Whitman Filho, no entanto, a partir de 1855, passou a assinar Walt Whitman, não somente para se diferenciar do nome do pai, mas também no intuito de apagar o vínculo com sua produção prévia em prosa e em versos, de pouca valia.

As edições seguintes – nove ao todo – de Folhas de Relva tiveram crescente número de versos e de páginas, e, em 1891, o poeta deu por encerrada sua obra máxima. Whitman exaltou a liberdade, a vida, a morte, o homem comum, e até o cosmos: “Eu celebro a mim mesmo, e o que assumo você vai assumir, pois cada átomo que pertence a mim pertence a você”. Harold Bloom, magistral crítico literário norte-americano, em seu livro A Anatomia da Influência – 2013 –, escreveu: “A influência de Whitman sobre a poesia do mundo continua vasta, enquanto sobre a criação americana é quase infinita.” Walt Whitman faleceu em março de 1892, com pneumonia e tuberculose pulmonar, sob o manto da pobreza e da solidão.

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