Weintraub fica em silêncio durante depoimento à PF

Publicação: 2020-05-30 00:00:00
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Brasília e São Paulo (AE) — O ministro da Educação, Abraham Weintraub, prestou depoimento ontem para explicar declarações contra o Supremo Tribunal Federal (STF) feitas na reunião ministerial do dia 22 de abril, no Palácio do Planalto, mas decidiu "fazer uso do seu direito ao silêncio".

Créditos: Agência BrasilAbraham Weintraub foi convocado para explicar declarações durante a reunião ministerialAbraham Weintraub foi convocado para explicar declarações durante a reunião ministerial


Durante a reunião no Planalto, Weintraub afirmou: "Botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF". O ministro do Supremo Alexandre de Moraes viu indícios de prática de delitos como difamação, injúria e crime contra a segurança nacional e deu cinco dias para que o ministro prestasse depoimento à PF no âmbito do inquérito das fake news. Weintraub compareceu na condição de investigado.

O depoimento de Weintraub ocorreu na manhã de ontem, na sede do Ministério da Educação. O ministro depôs antes de o Supremo analisar habeas corpus enviado pelo governo Jair Bolsonaro e assinado pelo ministro da Justiça, André Mendonça, pedindo a suspensão da oitiva e o trancamento do inquérito sigiloso que, nesta semana, atingiu deputados, empresários, youtubers e apoiadores bolsonaristas. Mendonça alegou que Weintraub poderia sofrer limitação em seu direito de liberdade em consequência desse ato.

A declaração de Weintraub sobre o Supremo se tornou pública após o decano da Corte, ministro Celso de Mello, divulgar a gravação da reunião ministerial obtida no inquérito que apura interferência de Bolsonaro na PF. Uma cópia do vídeo foi enviada pelo ministro aos colegas de tribunal para que eles adotassem medidas que julgassem "pertinentes". "A manifestação do ministro da Educação revela-se gravíssima, pois também reveste-se de claro intuito de lesar a independência do Poder Judiciário", disse Moraes.

Ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse  "é uma pena para o Brasil ter um ministro desqualificado" como o titular da Educação, Abraham Weintraub. Segundo Maia, um "homem com essa qualidade não poderia ser ministro de pasta nenhuma" após pedir, em reunião com o presidente Jair Bolsonaro, a prisão de autoridades, a começar pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

"O homem que desrespeita a democracia não poderia estar em um governo que se diz democrático", afirmou Maia em live organizada pela revista IstoÉ. As críticas de Maia contra Weintraub foram retomadas após o deputado afirmar que não falaria mais sobre o ministro, porque as declarações acabam fortalecendo o titular da Educação.

No entanto, o presidente da Câmara poupou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Maia considerou a fala de Salles, na mesma reunião, sobre "passar o trator" para acelerar a aprovação de medidas durante a pandemia como "uma ideia de espertalhão". Segundo o deputado, as declarações de Salles sobre o meio ambiente podem atrapalhar investimentos estrangeiros no Brasil.