Whitman entre nós

Publicação: 2019-07-20 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Whitman

Não é tão longe assim, a ponto de não ser valorizada, a presença intelectual da poesia de Walt Whitman no Rio Grande do Norte. A não ser por desconhecimento dos que sempre relegam a história da nossa vida literária, e que tem em Tarcísio Gurgel e Manoel Onofre Jr. os pesquisadores mais cuidadosos. A cada efeméride flameja o fulgor dos ‘especialistas’, mas omissos nas circunstâncias e referências do que ficou no passado sem uma luz de lembrança.

Os cem anos de Walt Whitman - que o mundo celebra desde maio - outra vez revelam o esquecimento da história intelectual. Ninguém sabe ao certo se é do esquecimento que nasce a desinformação ou do desinteresse. Neste caso, de Whitman, temos o bom pioneirismo da sensibilidade, na medida em que estamos entre os primeiros tradutores de sua poesia, ainda nos anos quarenta, final da guerra, e quando poucos liam as folhas poéticas de sua relva.

Quando o Brasil sequer traduzira seus poemas, Câmara Cascudo publicava nas páginas de A República, edições de 18, 24 e 25 de abril de 1945, três poemas de Whitman. A plaquete com o pequeno conjunto de versos só sairia em 1957, edição da Coleção Concórdia, Recife, e a segunda edição pela Coleção Mossoroense. A Mossoró que também editaria a conferência de Edson Nery da Fonseca, ainda em 1993 - “Whitman traduzido e comentado por Cascudo”.

A célebre conferência de Gilberto Freyre - “O Camarada Whitman” - é já posterior a Cascudo. Foi lida na Sociedade dos Amigos da América, Rio, 22 maio de 1947, quando foi saudado por Arnon de Melo. O texto sai publicado pela José Olympio Editora, em 1948, três anos depois de Cascudo. E tem a tradução de Cascudo do poema “O Fundamento de Toda Metafísica”, selecionado por Oswaldino Marques na antologia “Videntes e Sonâmbulos”.

Durante algum tempo, andei feito rastejador de abelhas a procura do elo perdido que justificasse a presença de Whitman nos ouvidos de Cascudo. Não por sua erudição de grande leitor, inclusive em inglês, mas no sentido da fruição estética. Foi Lenine Pinto quem lembrou o sentido pacifista da poesia de Whitman, ditos pelos soldados americanos em récitas livres, mas também em escolas, como o pesquisador da II Guerra Mundial chegou a ouvir em Natal.

Foi com a seleção e tradução de Geir Campos, edição da Civilização Brasileira, 1964, que Whitman chegou às livrarias brasileiras. Só em 2005 saiu a edição profissional e completa de “Folhas de Relva”, bilíngue, tradução e posfácio de Rodrigo Garcia Lopes. Antes, valeram as edições de “Folhas de Folhas de Relva”, de Geir Campos, nas edições Brasiliense, coleção “Cantadas Literárias”, em várias edições a partir de 1983. Todas aqui. Era só, e até amanhã. LUTA - Os aposentados da Assembléia Legislativa vão pedir uma audiência ao presidente da Casa de José Augusto. Ativos e inativos estão sem o reajuste da inflação, menos os deputados.

JOGO - Certeiro o artifício da Assembléia para negar a devolução das sobras orçamentárias. É o que se diz nos corredores da AL sobre o empate de 11x11 que gerou o voto de Minerva. 

ASSIM - Dois deputados ausentes - Getúlio Rego e Nélter Queiroz - de 24 o plenário caiu para 22, onze de cada lado. E o voto de Minerva do presidente desempatou contra o governo.

ALVO - O artifício atende ao Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas, e à própria Assembléia, pondo fim a uma decisão que seria inconstitucional, caso fosse levada à Justiça.

ALIÁS - Não é da governadora Fátima Bezerra a bancada de onze votos que quase garante a vitória do governo. Foi circunstancial. Sua maioria passa pelo presidente, Ezequiel Ferreira.

NOMES - Nara, professora (já faleceu), e Nadja, professora do curso de Direito da UFRN e inspetora do Ministério do Trabalho, são as duas filhas de Otacílio Lopes Cardoso e Júnade.

FÊNIX - O Lourismo ressurge, qual Fênix, das cinzas. Em almoços e jantares organizados pelos amigos tradicionais do ex-senador José Agripino. Fechados. Em reuniões residenciais.

AGENDA - A temporada do Lourismo começou com um almoço no apartamento de Augusto Carlos Viveiros. O segundo foi jantar, na casa do conselheiro Haroldo Bezerra. É o jet na luta.

SINAL - A saída do deputado Hermano Morais dos quadros do MDB não tem o peso apenas da perda para o partido de Garibaldi Filho. É o sinal de que ele pode não apenas assumir um novo partido, como disputar a Prefeitura de Natal. Tudo vai depender da força de agregação.

ENIGMA - A decisão de Hermano não está ainda acompanhada do dado fundamental que seria o apoio do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves. Fechado num silêncio absoluto, Carlos é a diferença que poderá produzir a primeira movimentação no tabuleiro da sucessão natalense.

EFEITO - Na esteira desse detalhe que não é novo como especulação, mas é um fato a partir de agora, as mesmas fontes asseguram que não há decisão quanto a saída de Carlos Eduardo Alves do PDT, mas também não é impossível. É cedo, dizem as fontes, para a decisão final.




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