Woodstock papa-jerimum

Publicação: 2019-12-25 00:00:00
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As ondas gravitacionais partiram da fazenda Bethel, em Nova York, em agosto de 1969, e vieram dobrar o espaço-tempo de uma fazendinha iluminada em novembro de 1973. Dadas as proporções geográficas e financeiras, a distância de apenas quatro anos era curta, mas uma geração antenada com os rumos do rock ‘n’ roll e do movimento “peace and love” estava decidida a encurtar o percurso e implantar em Natal um festival pop com a mesma característica.

Como citei na coluna de ontem, a ousadia de realizar por aqui uma versão nacional do megafestival nova-iorquino partiu do casal Jorge Guilherme Medeiros e Fátima Barreto, que contou com a cumplicidade essencial da então primeira dama do estado, Aída Cortez, que colocou uma estrutura mínima de apoio e liberou alguma verba para viabilizar cachês, passagens e alimentação de artistas convidados, como por exemplo a grande atração, Novos Baianos.

Ficou acertado com o governo Cortez Pereira que o policiamento seria realizado apenas na parte externa do estádio Juvenal Lamartine, ficando os organizadores responsáveis pelas posturas e as acontecências lá dentro.

O Festival do Sol atraiu uma galera da vizinhança, músicos da cena pop de Pernambuco, como o pessoal do Tamarineira Village (depois Ave Sangria), Luca’s e Novo Som, Ibanez e os Cães Mortos, Zimba Zoa e Don Tronxo.

Os recursos liberados pelo governo serviram para elencar um grupo de “arregimentadores”, como os poetas Fernando Lima (Fernandão) e Graco Medeiros, que foram a Recife convidar as tropas do underground nordestino.

Os jornais locais, Tribuna, Diário e República deram apoio ao evento, apesar das críticas oriundas de alguns intelectuais que parodiavam Stanislaw Ponte Preta chamando a iniciativa de “festival de besteira que assola a cidade”.

A edição da Tribuna do Norte de 25 de novembro daquele 1973, um domingo, trouxe ampla reportagem assinada pelo jornalista Natanael Virgílio, irmão do poeta Falves Silva. Na manchete, “Festival... Festival... É um Festival”.

Os Novos Baianos, que dali a dois anos iriam ser destaque no Festival de Águas Claras, em São Paulo, fecharam o sábado subindo no palco pelas 23 horas e foram precedidos pelos locais, como os irmãos Fon, Eustáquio e Lola.

O compositor Enoch Domingos e o percussionista “Piru” (hoje médico) tocaram juntos lá; o saudoso Valter Berbe (de Maracajau) também, assim como o poeta Carlos Gurgel que se apresentou com a performance chamada “A Proposta”.

Mossoró enviou a banda Infla 6, composta por Edinho Oliveira, Wiclif e companhia. Uma ausência local foi a banda Alcatéia Maldita (a mais longeva em atividade), devido ao líder Raul Cruz se encontrar de rolé na cena carioca.

Durante as providências para a realização, foi feito um abaixo-assinado com nomes já conhecidos da cena musical, para servir de referência para atrair apoios. No início da carreira e já famoso, Raimundo Fagner foi um signatário.

O nosso Woodstock provocou até uma cópia no ano seguinte, 74, em Olinda, por iniciativa do músico e poeta Marconi Notaro (morto em 2000), que realizou o “Concerto Chaminé”, que contaria com a participação de alguns natalenses.

Dois anos depois do Festival do Sol, explodiu o “Barato de Iacanga” em São Paulo, mesmo ano em que nascia na Candelária a “Esquina do Rock”, minha eterna confraria. E em 1978 surgia o Festival do Forte, uma outra história.

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