Yves Guerra, do Sebrae/RN: "Os viajantes estão mais conectados"

Publicação: 2019-11-03 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
Editor de Economia

Na próxima terça-feira, 5, profissionais ligados ao setor turístico se reunirão na 3ª edição do Turis Tech, evento promovido pelo Sebrae RN com vistas à promoção do desenvolvimento tecnológico de um dos segmentos mais importantes da economia do Rio Grande do Norte. Durante o ciclo de palestras, que reunirão representantes do Ministério do Turismo, gestores de redes de hotéis, especialistas em receptividade e players do mercado de passagens aéreas e hospedagens, serão discutidos temas ligados aos quatro eixos considerados fundamentais pelo Sebrae RN na atualidade para o setor.

Yves Guerra, gestor de Turismo do Sebrae/RN
Yves Guerra, gestor de Turismo do Sebrae/RN

Inovação e Governança, Sustentabilidade, Gestão e Tecnologia e Experiência e Vendas são as bases do que poderá se transformar nos pilares de sustentação do desenvolvimento da atividade turística no Estado e municípios com potencial de exploração. Na entrevista a seguira, o gestor de Turismo do Sebrae RN, Yves Guerra, explica o evento e a necessidade de se aliar a tecnologia ao turismo para a melhor experiência do turista/cliente.

O Turis Tech é promovido pelo Sebrae RN e as inscrições estão abertas através do site turistech.com.br.

No que consiste o Turis Tech e qual o objetivo do evento da próxima terça-feira, dia 5?
O Turis Tech será realizado pelo terceiro ano consecutivo agora em 2019. A proposta é discutir e trazer para os empresários e gestores públicos da área de turismo, temas relacionados às estratégias de destinos turísticos e negócios turísticos inteligentes. Desde 2017, o Sebrae vem trabalhando com essa estratégia e o Turis Tech é um evento que a gente reúne palestrantes, empresas que são referência na área do Turismo para trazer conteúdo para esse público: empresários dos meios de hospedagem, de agências de receptivos, guias de turismo, estudantes, gestores públicos para fomentar e incentivar e para que eles passem a adotar essa estratégia também. Para o Sebrae, ela está fundamentada em quatro eixos: Governança, onde a gente incentiva a integração público-privada para a gestão de destinos; no eixo da Sustentabilidade, que hoje é um eixo transversal a qualquer negócio, pois as pessoas estão preocupadas com o Meio Ambiente e com as empresas e destinos que têm essa preocupação também. Em terceiro, o uso de Tecnologias. Os viajantes estão, cada vez mais, conectados. Em sua jornada de viagem e toda a sua pesquisa, planejamento, esse cliente está conectado, vendo avaliação de pessoas, fazendo agendamentos em plataformas digitais que, inclusive, estarão conosco no Turis Tech como a Booking, a Decolar. Além disso, os destinos precisam se apropriar das questões envolvendo a tecnologia para gerir melhor, também, os seus equipamentos, os seus atrativos, os seus recursos naturais.

De que maneira, quais exemplos podem ser seguidos pelos operadores locais?
A gente trará o case de Barreirinhas, no Maranhão, do voucher digital. Eles irão compartilhar conosco a experiência do município no qual, quando o turista o visita, recebe uma pulseira com um QR Code e passa a ser monitorado para que determinado atrativo na região dos Lençóis Maranhenses, por exemplo, não seja sobrecarregada.  A Prefeitura e o órgão de controle conseguem direcionar os grupos de turistas para outros locais nos quais a movimentação ainda suporte receber visitantes, sem sobrecarga naqueles pontos de mais alta fragilidade. Há, ainda, outro ponto de sustentação do Turis Tech: a experiência do turista. A gente incentiva isso de diversas formas com a gastronomia, com a cultura, com a economia criativa, para que o destino comece a trabalhar essa questão e para que o turista possa ter uma experiência positiva que seja compartilhada e, com isso, que haja uma mídia espontânea do destino.

Por quais motivos foi necessário incorporar o avanço tecnológico ao Turismo, tradicionalmente reconhecido no RN, por exemplo, por incentivar a fuga do urbano, do cotidiano estressante?
A tecnologia não tem como escapar. Ela está presente na gestão dos empreendimentos, nos destinos. Existem softwares para controle de reservas, o uso de redes sociais para a criação de um relacionamento com o cliente e geração de vendas, consequentemente. A tecnologia é fundamental para os negócios, para os destinos turísticos, para auxiliar na gestão, nas vendas, na experiência dos turistas. Existem equipamentos turísticos que já utilizam a realidade aumentada, realidade virtual. Durante o Turis Tech, inclusive, vamos exibir alguns vídeos em realidade virtual em 360 graus que estão sendo produzidos no litoral do Estado. Esses vídeos, que serão disponibilizados às empresas, poderão ser utilizados pelos órgãos públicos do Estado e Municípios para divulgar a promoção dos seus destinos em feiras e redes sociais para que o potencial visitante possa ter uma experiência, verifique o que poderá conhecer em determinado destino, e sinta-se instigado a visitá-lo.

O que é um destino turístico inteligente?
A proposta é que, neles, possam ser trabalhados os quatro eixos que falamos anteriormente: tecnologia, sustentabilidade, governança e experiência do turista. Existem conceitos da Europa, adotados pelo Sebrae também, que basicamente preconizam o uso de tecnologia para a gestão de destinos e equipamentos turísticos englobando todos esses eixos. A proposta de um destino turístico inteligente é que ele possa trabalhar essas vertentes para que possa ter maior competitividade, sustentabilidade e aceitação no mercado.

Os destinos locais estão preparados para isso?
Como é um conceito novo e muito incipiente, existem questões também mais básicas relativas à infraestrutura, por exemplo. Acaba que é um conceito que a gente vem trabalhando e não será a curto prazo que será concretizado. A semente que o Sebrae plantou nesta década, as que a instituição vem plantando e regando com um evento como o Turis Tech, é para fomentar e fazer com que esse conceito de destino inteligente seja adotado pelas empresas e pelos destinos turísticos. Existem situações que merecem uma atenção maior do poder público, dos empresários, mas o Sebrae acredita que esses quatro eixos podem transformar e contribuir. Além disso, oferecemos consultorias às empresas, capacitações, eventos que trazem temas diversos para discussão, entre outros.

Como é o processo de mudança desse conceito de fazer turismo no Rio Grande do Norte, transformando-o num destino inteligente?
Essa é uma pergunta interessante. Atualmente, a gente está com um projeto interessante que é fruto de um convênio do Sebrae com o Ministério do Turismo, Embratur e Governo do Estado, que é o Investe Turismo. Existe um convênio em nível nacional e 30 rotas nacionais foram selecionadas. Uma delas é Natal e litoral. Eu estou gestor desse projeto, iniciado neste e ano e com previsão de realização até o ano que vem, e uma das ações é a inovação da oferta turística. A gente também vem atuando num projeto que foi lançado recentemente, que é o relacionado à temática do turismo histórico relacionado à Segunda Guerra Mundial em Natal e Parnamirim. Trabalhamos com levantamento de conteúdos, webséries, para que quando os equipamentos que estão prestes a serem entregues, como o Museu da Rampa, e o Centro Cultural do Aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim, a gente possa ter conteúdo suficiente para ser trabalhado pelos receptivos, pelos guias. Nesse sentido, o Sebrae vem dando uma contribuição no sentido de diversificação turística, inovação do produto turístico com essa temática da Segunda Guerra Mundial. Outro tema que a gente quer fortalecer, também, e que o Governo do Estado já vem trabalhando, é a teoria do Descobrimento do Brasil a partir do litoral do Rio Grande do Norte. A gente está programando uma ação para o ano que vem, específico para que essa história possa ser trabalhada dentro do nosso turismo.

Além de tudo isso, há a necessidade de capacitação de mão de obra. Como isso está sendo trabalhado no Estado?
A gente tem uma instituição muito presente, muito atuante, que é o Senac, que disponibiliza diversas capacitações mais técnicas. Há o Hotel Escola Barreira Roxa, que forma cozinheiros, guias de turismo, há cursos de idiomas no Senac, com programas de gratuidade. Existem soluções. Basta que o trabalhador do setor queira se capacitar. Uma hora, o próprio mercado irá selecionar essas pessoas que estão melhor capacitadas. Existem, ainda, diversas plataformas online que podem ajudar. O Sebrae támbém oferece soluções para os empreendedores que possam se fortalecer para o mercado do turismo.

Quem
Yves Guerra é formado em Turismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). É pós-graduado em Planejamento e Consultoria Turística e em Comunicação Digital. Trabalha no Sebrae/RN há 17 anos.







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