Zuenir: o homenageado

Publicação: 2017-11-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Velho conhecido do público natalense, Zuenir Ventura já é o que costumamos dizer “de casa”, em se tratando de sua relação com Natal e seus leitores. Para ele, o FLIN dispensa apresentações e é um dos mais importantes do país, dessa natureza. “Atualmente, quando se convida um autor, não é preciso mais explicar do quê e de quem se trata”, afirma sobre o sucesso do evento.

O jornalista militante fala que o Brasil nunca acumulou  tantas crises juntas, seja no campo político, social, ambiental e ético. Mas nada é tão forte, para que ocorram retrocessos como a volta da ditadura militar
O jornalista militante fala que o Brasil nunca acumulou tantas crises juntas, seja no campo político, social, ambiental e ético. Mas nada é tão forte, para que ocorram retrocessos como a volta da ditadura militar

Ano passado, estava tudo pronto para sua vinda, quando a morte do amigo Ferreira Gullar, o abalou profundamente e inviabilizou sua vinda para o Festival. Mas, essa lacuna será preenchida esse ano. O escritor, jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras, - participante indispensável do Flin, amigo pessoal e uma espécie de curador extra-oficial de Dácio Galvão será um dos homenageados, com uma mesa que fecha, às 21h, a série de bate-papos de hoje, o primeiro dia, na qual o tema será “Zuenir – O escritor Militante”, com participação do seu filho, Mauro Ventura e o jornalista Cassiano Arruda. “Sempre apostei no evento, desde o começo. A proposta do FLIN sempre foi muito séria. Merece todo o apoio e ajuda”, declara.

Autor de “1968 - o ano que não terminou”, livro que relata os diversos aspectos de um dos anos mais importantes na história do regime militar, ele conta que costuma brincar dizendo que não foi um ano, mas uma personagem que teima em não sair de cena. Quando o assunto é militância, ele afirma que 1968 não deve servir de exemplo, mas sim de lição.

Questionado sobre o reconhecimento de alguma semelhança da juventude contemporânea que “acordou o gigante” com os jovens que lutaram contra a ditadura, o escritor diz que no passado “os que acreditaram na luta armada também foram derrotados”. Para Zuenir, os protestos que iniciaram em 2013 foram abortados porque o radicalismo de poucos assustaram os cidadãos que não costumam ser militant   es.

“Achavam, por exemplo, que botando fogo em caixas eletrônicos estavam incendiando os bancos. Ou que, quebrando vitrines, estavam atingindo o capitalismo. Conclusão: as primeiras manifestações atraíram milhares e milhares de pessoas. Depois, com medo da violência, elas sumiram”, analisa.

Acerca da situação política nacional, ele afirma que “nunca, como hoje, o Brasil acumulou tantas crises”. “Tivemos no passado crise econômica, crise política, crise ética, crise ambiental. Mas não todas ao mesmo tempo como agora”, pontua.

Sobre os brasileiros que, diante de tal cenário, pedem o retorno do regime militar, o autor acredita que “ou não viveram aquele tempo e não sabem o que de fato aconteceu, ou viveram e, por algum interesse escuso, querem revivê-lo”. Para ambos os casos, ele recomenda a citação do britânico Winston Churchill: “A democracia é o pior regime, com exceção dos outros”.


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