“A paralisação do Terminal Pesqueiro é um grande prejuízo”

Publicação: 2012-11-14 00:00:00
Isaac Lira - repórter

OTerminal Pesqueiro do Rio Grande do Norte, prometido pelo então ministro da Pesca, Altemir Gregolim, como o maior do Nordeste, ainda não foi inaugurado. Para o presidente da Fiern, Amaro Sales, a paralisação da obra traz um grande prejuízo para a atividade pesqueira no Rio Grande do Norte. “Foram investidos milhões naquele equipamento. Não tenha dúvidas de que é um prejuízo muito grande a paralisação daquela obra. Se esse terminal estivesse pronto, estaria se produzindo, gerando empregos, etc”, disse, acrescentando que o Governo do Estado está “sensível ao problema”.
Amaro Sales, presidente da Fiern: O terminal pesqueiro não está funcionando pela falta de acesso. E foram investidos milhões naquele equipamento. Não tenha dúvidas de que é um prejuízo muito grande a paralisação daquela obra.
A infraestrutura existente para a área da pesca no Rio Grande do Norte será um dos temas desenvolvidos no Projeto Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, realizado pela TRIBUNA DO NORTE, Salamanca Capital Investments, UFRN, Sistema FECOMERCIO/RN e Sistema FIERN, com patrocínio do Sebrae, Companhia das Docas do Rio Grande do Norte, Associação Brasileira de Criadores de Camarão, Associação Norte Riograndense de Criadores de Camarão e da Assembleia Legislativa do RN. O tema será PESCA, AQUICULTURA E CARCINICULTURA. O Seminário, quarta edição de 2012, será realizado no próximo dia 19 de novembro, no auditório da Fiern, às 8h.

Este é o quinto ano do projeto Motores do Desenvolvimento e o tema Pesca, Aquicultura e Carcinicultura o 16º tema trabalhado desde que o início, em 2008. Outras temáticas, como indústria, inovação e tecnologia, educação, turismo, já foram abordadas pelo Motores do Desenvolvimento. As inscrições são gratuitas e já estão abertas, porém as vagas são limitadas. Para se inscrever, é necessário ligar para os telefones 4006.6120 ou 4006.6121, durante o horário comercial.

Como a Fiern vê o atual momento do setor de pesca e aquicultura no RN?

Na carcinicultura, o Rio Grande do Norte é um estado pioneiro. Desde o governo de Cortez Pereira, na década de 70, o nosso Estado produz camarão. Naquela época, viu-se uma grande oportunidade de negócio nessa área. Então, fomos precursores da criação de camarão em viveiros. O poder público tomou a frente e investiu nessa área, que era um mercado ainda no início, criando o Projeto Camarão. Isso trouxe durante alguns anos uma certa desconfiança. Mas quando chegou na década de 90 e os primeiros anos do novo século, surgiu um grande boom na atividade. A partir de 2003, houve uma decadência da área, principalmente nas vendas ao mercado externo. Ainda bem que surgiu o mercado interno. Houve essa oportunidade e hoje é o que dá sustentação à carcinicultura no Estado é o mercado interno, é vender para o próprio Brasil. O que é preciso é trabalhar os gargalos na carcinicultura. O principal são as licenças ambientais.

O senhor pensa o mesmo quando o assunto é lagosta?

Na questão da lagosta, a situação é a mesma. Na década de 70, era um produto bastante importante na pauta de exportação do nosso Estado. Mas o Estado do Ceará aproveitou as dificuldades do Rio Grande do Norte e fomos superados por aquele Estado. Hoje é muito tímida a participação do Rio Grande do Norte na exportação de lagosta. Queremos junto aos sindicatos encontrar os gargalos para melhorar essa atividade. A questão do licenciamento, a questão do defeso, a questão da prática do defeso e a legislação existente na área ambiental.

Como está a produção da pesca?

Na pesca, temos uma oportunidade de negócio na pesca oceânica. Desde 2010 vem se trabalhando isso. Empresários do Rio Grande do Norte encontraram no Japão a forma de arrendar os barcos para trabalhar no RN e trabalhar a pesca oceânica. Os números de captura do atum têm crescido por conta desse trabalho. Mas existem gargalos na parte do licenciamento, do arrendamento dos barcos, de sanitária, de regulamentações, etc. Isso nos preocupa. Já fomos grandes produtores de camarão e de lagosta. Agora, temos a oportunidade de nos destacar na pesca do atum e, diante das dificuldades, podemos perder a possibilidade de despontar nessa área.

A pesca do atum com arrendamento de navios brasileiros ficou restrita a uma única empresa?

Outras companhias e qualquer empresário da atividade pode pleitear o arrendamento de barcos na Espanha, no Japão.

O senhor considera importante expandir isso?

A única que teve coragem e conhecimento de ir em busca desse mercado foi a Atlântico Tuna. Esse mercado existe. Mas é preciso que mais empresários atentem para a importância de fazer essa parceria e incrementem a concorrência. Mas outros empresários poderão participar dessa nova forma de trabalho.

A Fiern participa do processo de qualificação dos tripulantes?

A Fiern é parceira sim. Onde entra o trabalho da Fiern? Nós nos comprometemos a fazer toda a parte de qualificação dos tripulantes. Há uma dificuldade de que o fato de a maior parte da tripulação não ser brasileira. Isso foi identificado. Existe uma portaria do Ministério do Trabalho que impõe uma participação mínima brasileira nesses navios. Então, o Senai foi ao Japão para se inteirar do processo de qualificação e treinamento dessa mão de obra. E o programa de treinamento foi trazido para o Rio Grande do Norte a partir do Senai. Nós temos esse curso no Senai de Santa Cruz. O ambiente de Santa Cruz foi utilizado para conseguir afastar o tripulante da sua rotina diária, para que seja possível comparar a nova forma de trabalho com a antiga.

Quantas turmas já foram formadas?

Tivemos três turmas formadas em 2011 e duas formadas em 2012. Existe hoje uma preocupação acerca da renovação do arrendamento desses barcos. Querem renovar por mais dois anos. Então, queremos fazer esse curso por mais dois anos.

O senhor considera a expansão desse arrendamento um caminho?

Com mais participações, haverá mais desenvolvimento da pesca oceânica.

Isso é necessário por conta de deficiências da frota nacional?

A frota nacional não tem condições de realizar a pesca oceânica da forma como fazem os barcos japoneses. Então a transferência de tecnologia é um caminho. Quando o curso foi adotado pelo Senai, foi para aumentar o nível de qualificação. Nós entendemos que se tiver mais empresas será um avanço.

Na sua opinião, houve prejuízo em trocar o mercado externo pelo interno na produção de camarão?

O prejuízo aconteceu em termos de volume. Se a participação no mercado internacional fosse maior, haveria um preço melhor. A grande lacuna que foi preenchida foi diminuir a dependência do mercado externo.

O senhor considera que o poder público tem apoiado o setor de forma eficaz?

Existem demandas, principalmente do licenciamento. É um fato que existe. A parte dos órgãos fiscalizadores, através do Ibama e das normas ambientais, é preciso que se passe por uma discussão com a sociedade. É preciso fazer adequações em cada setor. Os governos precisam fazer o dever de casa. O terminal pesqueiro não está funcionando pela falta de acesso. E foram investidos milhões naquele equipamento. Não tenha dúvidas de que é um prejuízo muito grande a paralisação daquela obra. Se esse terminal estivesse pronto, estaria se produzindo, gerando empregos, etc.

Que encaminhamentos a Fiern pretende fazer?

No seminário MOTORES DO DESENVOLVIMENTO, iremos preparar um documento acerca das necessidades do setor para enviar às autoridades competentes. Esse documento terá sugestões ao poder público.