Logística de transporte depende da escolha do aeroporto

Publicação: 2012-04-22 00:00:00
A importância do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante vai além da realização da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014. Trata-se de um equipamento de infraestrutura, que bem aproveitado, pode modificar significativamente a economia do Rio Grande do Norte. Isso pode ocorrer, principalmente, a partir da instalação de um centro de distribuição de cargas e pessoas vindas da Europa e de outros lugares do exterior. No que diz respeito à Copa do Mundo, o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante terá a responsabilidade de atender à demanda de passageiros, que promete ser alta.
Construída sobre o Rio Potengi, a Ponte de Todos Newton Navarro, faz parte do projeto de integração da Via Costeira ao Aeroporto de São Gonçalo e ao litoral do Norte do Estado. Os acessos ainda não saíram do papel
A demanda esperada de passageiros para o início da operação do aeroporto é de mais de três milhões de pessoas por ano. Já a previsão para o final do contrato é de 11,4 milhões de passageiros. No que diz respeito ao espaço, a previsão é de que o Aeroporto tenha 1,8 mil metros quadrados no início da concessão e 3.920 mil metros quadrados no seu término. Um ponto que precisa ser ressaltado a respeito da infraestrutura é a possibilidade de receber os maiores aviões que existem, com maior capacidade de transporte.

Augusto  Severo

O Aeroporto Augusto Severo convive há alguns anos com problemas variados, do aumento excessivo da demanda até problemas estruturais, como a quebra constante da escada rolante e do ar condicionado. Uma reforma, contratada pela Infraero e em curso com expectativa de término esse ano, promete sanar esses problemas.  Essa reforma é a solução da infraero para o Augusto Severo, que deve ser a porta de entrada do Estado pelo menos até o início das operações de São Gonçalo do Amarante, caso não haja operação simultânea.

Com a reforma, o Augusto Severo ganhará um saguão mais amplo, 10 novos balcões de check-in, novo sistema de voo e de controle de acesso, monitoramento eletrônico, novo sistema de ar-condicionado e novos portões de embarque, passando de seis para oito. Tudo isso deve elevar a capacidade do aeroporto e colocá-la em consonância com a demanda projetada para 2014, que é de 3,7 milhões de passageiros por ano, em média. O Augusto Severo poderá atender até 5,8 milhões de pessoas por ano.

A obra da reforma, iniciada em fevereiro de 2011, tinha maio como prazo inicial, mas pode não ser concluída no tempo planejado. “Embora o prazo esteja mantido, reconhecemos a possibilidade de definir um novo prazo de conclusão”, informou em abril a estatal, através da gerência de comunicação. A conclusão da reforma, orçada em R$ 16,4 milhões, estava prevista primeiramente para dezembro de 2011, mas foi adiada várias vezes.

A paranaense Cima Engenharia, que venceu a licitação para executar o serviço, tentou rescindir o contrato, alegando, entre outros problemas,  incompatibilidade entre os projetos apresentados pela Infraero e o objeto da licitação. O pedido foi negado pela Justiça Federal em Pernambuco, foro escolhido para celebrar o contrato, mas o processo ainda não chegou ao fim. Uma nova audiência será realizada no dia  oito de maio.

Acessos e infraestrutura

A depender do aeroporto utilizado durante a Copa do Mundo, a logística de transportes pode ser modificado. Exemplo: se para se chegar à Via Costeira, partindo do Augusto Severo, percorre-se cerca de 15 quilômetros, já entre o Aeroporto de São Gonçalo e o mesmo local, a distância é de 30 quilômetros. Ao mesmo tempo, não há estrada federal que passe por perto do Aeroporto de São Gonçalo. Nesse caso, interligar o novo equipamento é fundamental. Por outro lado, a entrada de Natal pela BR já apresenta problemas, que precisam ser resolvidos, o que atinge o fluxo que sai do Augusto Severo.

Em razão da proximidade dos jogos da Copa do Mundo, a única obra já garantida serve principalmente para interligar o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante e a Via Costeira, através de uma ligação com a BR-406. É por lá que devem transitar os turistas, principalmente em caso de desativação do Aeroporto Augusto Severo até o início da Copa. Contudo, há o interesse de desenvolver o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante como um distribuidor de cargas. Por isso, o que já foi assegurado até então não é suficiente.
Com a reforma, o Aeroporto Internacional Augusto Severo ganhará dez novos balcões de check-in, monitoramento eletrônico, novo sistema de ar-condicionado e portões de embarque de passageiros
Segundo o secretário extraordinário para Assuntos Relativos a Copa do Mundo, Demétrio Torres, o Governo do Estado pleiteou a construção da segunda parte dos acessos ao novo aeroporto. Essa segunda fase está mais ligada à necessidade de trafegar com cargas do que a primeira. Se no primeiro momento, o orçamento está em torno de R$ 15 milhões, a nova fase demanda um custo maior: cerca de R$ 70 milhões. O projeto atualmente se encontra em análise pelo Ministério das Cidades para depois ser analisado pela Caixa Econômica Federal e só então começar.

Por outro lado, as obras de mobilidade que eram de responsabilidade da Prefeitura do Natal, como a duplicação da Moema Tinoco, agora serão do Governo do Estado. O atraso preocupa. “As obras de mobilidade não são um empecilho para a Copa do Mundo. Será muito melhor tê-las, mas elas não são imprescindíveis. Sempre lembrando que ainda há prazo para fazer essas obras”, explica Demétrio Torres.

O Governo do Estado planeja ações complementares para dar mais fluidez ao trânsito. “Nós estamos defendendo que a entrada de Natal pela BR-101 está estrangulada. Nós estamos desenvolvendo uma ação, a partir de um pleito da governadora. Há dois grandes problemas na Grande Natal: a entrada para a Maria Lacerda e a rótula que leva a São Gonçalo do Amarante”, aponta Demétrio.

A governadora Rosalba Ciarlini, segundo o secretário da Copa, está empenhada pessoalmente em trazer recursos do Governo Federal, junto com a bancada do Estado. “Mas é preciso lembrar que não se resolve a mobilidade da Copa. O que nós precisamos é resolver a mobilidade da cidade”, encerra.

Leia também: