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Natal, 27 de Julho de 2014 | Atualizado às 20:32

Crianças recebem atendimento humanizado

Publicação: 24 de Abril de 2011 às 00:00
Por alguns instantes, a gente  esquece que está entre os leitos da Unidade de Terapia Intensiva Infantil do Incor, na Promater. O espaço abriga crianças portadoras de cardiopatia congênita – doença que provoca má formação do coração – após as cirurgias realizadas por médicos voluntários da Associação dos Amigos do Coração da Criança (Amico). São os bips emitidos pela parafernália de equipamentos e os rostos sensibilizados de mães carentes que acampam em poltronas junto às macas, que  nos devolvem à realidade. A sensação de estar em casa, entretanto, é real para a pequena Maria Clara Henrique Ribeiro, de quatro anos, que há três, de fato, reside no Hospital. Clarinha, como é mais conhecida, deve mudar de endereço em maio, quando será aberta a  Casa dos Amigos do Coração da Criança.

Maria da Paz, mãe da pequena Suerlainny, já conta os dias para voltar pra casa, após o tratamentoDesde que a doença foi diagnosticada há cerca de três anos, a filhinha de agricultores da zona rural de Nova Cruz, enfrentou oito cirurgias para corrigir defeitos do coração. Além da cardiopatia congênita, a menina que encanta todos com sua alegria é portadora da síndrome de Down, hipertireoidismo, problema pulmonar e respira por meio de traqueostomia. O quadro de Maria Clara requer cuidado integral e intensivo, com fisioterapia três vezes ao dia, dieta diferenciada e uma equipe de enfermagem permanente . Para isso, um quarto foi montado no CTI, pela Amico.“É a casa de Clarinha, já que não posso levá-la comigo”, diz a mãe Sueli Henrique Ribeiro.

Há 15 dias, Miguel do Nascimento Rocha, de dois anos, também ocupa um dos leitos. Portador de síndrome de Down, foi submetido a uma cirurgia considerada paliativa, na tentativa de corrigir quatro defeitos que elevam a pressão arterial pulmonar. A imperfeição faz o coração crescer e empurra o osso do tórax. A mãe Maria Nalva do Nascimento Rocha, de Georgino Avelino, sabe que o filho precisará de atenção vitalícia. “Graças a Deus a gente pode contar com eles, porque eu não teria dinheiro e nem ele tempo para esperar o SUS”. Miguel receberá atendimento mesmo quando voltar para casa.

“As doenças congênitas em geral são associadas a outras síndromes e o diagnóstico muitas vezes é feito tardiamente, dificultando o tratamento”, explica o médico anestesiologista e presidente da Amico Madson Vidal. Estimativas apontam que oito em cada 1 mil crianças e cerca de 50% das que apresentam Down, sofrem de cardiopatia congênita. O cenário se complica ainda mais quando à doença se somam a precariedade do sistema público de saúde e a situação de pobreza da maioria das famílias atendidas. “É raro encontrar no SUS um cardiologista pediatra”, observa.

À espera de alta hospitalar, a vaidosa  Suerlainny Silva, de três anos, só protestou por ter que tirar os brincos e a pulseira na hora da cirurgia. A vendedora Maria da Paz Silva não vê a hora de retornar para casa,  em Parelhas. “Minha filha está curada”, comemora a mãe. O mal, diagnosticado há dois anos, não é congênito e Suerlainny poderá ter uma vida dita normal.

Assim como Clarinha, Miguel e  Suerlainny, outras crianças periodicamente passam temporadas curta ou longas no Hospital. A associação, que atua há mais de três anos, atendeu 1,2 mil crianças, não só com o diagnóstico e cirurgia, mas com o tratamento e acompanhamento médico e social, pré e pós-operatório. Em um trabalho que ultrapassa a dimensão da medicina técnica. Toda equipe de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e demais profissionais acabam se envolvendo com os pacientes. “Estas crianças são um presente de Deus para todos nós, que podemos conviver e aprender com elas. Exemplos de persistência, generosidade  e bondade”, diz o médico.

Amico abre em maio casa para receber pacientes

O prédio alugado na Avenida Amintas Barros aguarda a liberação de licenças de funcionamento dos órgãos municipais para ser a casa nova da Associação dos Amigos do Coração da Criança. A Casa terá capacidade para pernoite de oito pacientes, um residente e ampliará a média de 40 para 80 atendimentos mensais.

A assistência, explica o presidente da Amico Madson Vidal, vai desde o diagnóstico até o pós-operatório. Com consultas rotineiras em cardiologia, nutrição, pediatria,  sessões de fisioterapia, acompanhamento por psicólogos e assistentes sociais para a criança e a família, atendimento odontológico, além de exames de eletro e ecocardiograma, distribuição de de   medicamentos e suplementos alimentares.  “Não basta fazer a cirurgia e mandar para casa. Uma dieta que sai do padrão, um medicamento que não é dado, uma consulta que a mãe deixa de trazer porque falta o dinheiro da passagem pode colocar todo tratamento e a vida a perder. É necessário a atenção continuada”.

A maior parte da equipe de profissionais prestam serviço voluntário. Com a casa atividades pedagógicas, como alfabetização e oficinas terapêuticas passarão a ser oferecidas.

A associação busca um convênio junto à Secretaria Estadual de Saúde Pública para estruturar e manter o serviço de home care para a Maria Clara Henrique Ribeiro. O custo mensal somente com a menina é de R$ 20 mil. A Ong se mantém por meio de parcerias com o Incor e a Promater, que cedem as dependências e as cirurgias (pelo SUS), um apoio do governo estadual no valor de R$ 15 mil e doações.

Serviço:

Campanha de Mobília -  A Amico irá sortear uma TV de Plasma, na inauguração da casa (data a ser definida) cujos bilhetes podem ser adquiridos a R$ 10, no Incor. O valor será para aquisição de mobília. Doações de todo tipo podem ser entregue no Incor, na Promater. Depósitos: Banco Itaú Ag.8380 CC 07569-0.