Sócrates, 10 anos
Atualizado: 21:19:21 25/11/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Sócrates faz parte de minha vida como Quixote da bola. Com Zico e Falcão, forma a trinca de ases dos meus sonhos insones de menino, colorindo  o Brasil de imbatível. Só fui comemorar uma Copa do Mundo em 1994, um mês antes de fazer 24 anos. 

Na foto, o capricho de ourives dos quatro cantos verdejantes de Sócrates é observado pelo argentino Ardiles na mistura de encantamento e perplexidade. Um baile de 3x1 para o Brasil na melhor exibição do Mundial de 1982.

Ardiles foi um dos melhores armadores da história do futebol, campeão mundial de 1978 quando era o único acima da média no time ajudado pela Fifa para ganhar sob o chicote de uma sanguinária Ditadura. 

 Sócrates parece empalmar uma pedra preciosa. Usa o pé direito para acariciar a bola em pleno sossego, naturalidade e perfeição , virtudes  que ele exibia sem vaidade por onde jogou. 

É, ao lado de Roberto Rivelino, o melhor jogador do Corinthians (SP) de todos os tempos, embora a mídia virgem tente impor Marcelinho Carioca e até Neto, o bom de escanteio e cobrança de falta. 

Suave gazela em campo, Sócrates irritava os conservadores pois não era o boleiro-padrão. Era médico e vinha de uma família de classe média alta, com pai auditor fiscal federal. Jogava no diletantismo com que Vinicius de Moraes compunha seus poemas musicais.  

Estavam em Sócrates a genialidade de Vinicius e a calma irritante de João Gilberto, fosse o Magrão integrante da Bossa Nova. Sócrates dançava conforme o ritmo, impondo sobre o gramado sua coletânea clássica desenvolvida por invisível violino. Passadas largas, estabelecia seu movimento  de enganosa lerdeza, levando os outros 21 homens na disputa a caçá-lo em câmera lenta, infrutífera artimanha. 

As pernas de palito em carne e osso distribuíam passes certeiros tirados do pensamento de águia de um jamais atleta a mover-se em permanente processo de criação.  Lindos acordes acompanhados pelo deleite das arquibancadas. 

Sócrates pagou caro por se envolver politicamente sem deixar clara, de verdade, sua ideologia, fruto de uma inquietude conhecida a partir do primeiro pêndulo corporal até a batida de calcanhar direto no companheiro próximo. Se entendeu melhor com Palhinha, técnico, malandro e habilidoso, ambos campeões paulistas de 1979. 

Em 1982, com Zico, Falcão, Leandro(um mágico usando a camisa 2), Júnior e Éder, formou um sexteto violado de fintas e desfile de jogadas sinfônicas. 
Cerezo, medroso e autor de falhas capitais contra a Itália, não entra nesse grupo. Já havia tremido quatro anos antes, quando acusou uma contusão jamais detectada para não enfrentar a Argentina(0x0) na Batalha de Rosário. Tudo dito pelo ponta-direita Gil. 

Daqui a uma semana(04/12), faz 10 anos da morte de Sócrates, que nunca deixou seu copo de cerveja tampouco seu cigarro para obedecer a ninguém. O técnico Telê Santana, tido como rabugento, sabia que não poderia abrir mão do seu camisa 8 e deixava-o livre. Para dar o petardo do empate contra a União Soviética(Brasil 2x1) e bater entre o goleiro Zoff e a trave na derrota para a Itália(2x3) no gol do empate em 1x1, criação artesanal de Zico ao enxergar o espaço para servir ao Magrão. 

Alguns idiotas protestaram pelo cumprimento de Sócrates ao primeiro italiano que encontrou ao apito final da derrota para a Azzurra. Sócrates compreendia o futebol como jogo limpo, sem a neurose do vida ou morte banalizado. Também reclamaram do pênalti perdido por displicência contra a França, em 1986, repetindo o canto que acertara contra a Polônia nas quartas. 

O futebol anda chato e uma das razões é a ausência de Sócrates, polemista irritante para adversários burros e frasista demolidor de conservadores. Liberdade. Há uma década, o Magrão, após o sofrimento do álcool, incompreendido e secundarizado em sua importância, passeia pelos clássicos eternos, onde não há cronômetros nem medíocres a incomodá-lo. 

Petardo 
Sem tanta sutileza tecendo cores partidárias à eleição no ABC, os oposicionistas tomaram um petardo na reta final: o apoio do secretário de Tributação e referência positiva, Cadu Xavier, ao presidente Bira Marques. Mais forte que Cadu, sócio e eleitor, somente a governadora Fátima Bezerra. 

Símbolos 
A posse da Frasqueira como símbolo esbarra em apoios emblemáticos a Bira Marques: Mazilde Morais, Deuzinha, a torcedora-mor, Borra Porra e Rau, nomes de cujas artérias o sangue jorra em preto e branco. Todos populares. 

Presente 
O mandato que está para terminar no América tem tudo para ostentar o título de pior dos 106 anos. O estrago no Centro de Treinamento e dívidas trabalhistas são novos presentes gregos ao futuro presidente Souza. 

Walter 
O esbelto – ao contrário -, o centroavante Walter foi contratado pelo Santa Cruz. Seria bem possível surgir por aqui. Walter abusou da indisciplina e sucumbiu, de jogador de seleção à esperança de Série D. 

Renovou 
O goleiro Marcelo Pitol, que tomou três gols do ABC na classificação à Série C, renovou com o Caxias(RS). Pitol tem 143 jogos no Caxias. 

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Wellington, sobrevivência
Atualizado: 22:33:42 23/11/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

No acesso do ABC à Série C, apenas dois nomes podem ser banhados pela tintura  preta e branca do heroísmo: o craque Wallyson e o goleiro Wellington, campeão brasileiro da Terceira Divisão em 2010, um homem de 31 anos e que precisa sobreviver. 

A notícia da saída de Wellington, autor de milagres elásticos para jogar no Uberlândia, gerou rompantes ressentidos da Frasqueira, a massa alvinegra. Salvador de derrotas sentenciadas, Wellington passou a ser chamado de ingrato. É injustiça. 

Wellington pode ter escolhido o time errado para jogar, o que não cabe a ninguém se meter em seu voo futuro. Vai para o Uberlândia, de Minas Gerais, nono colocado no campeonato estadual em 2021 e sem vaga certa sequer na Série D do próximo ano. Mas é daí? Wellington tomou a decisão dele e deve ser respeitada. 

Se há milênios, desde que a primeira cabeça dinossauro foi chutada em prenúncio de jogo de futebol, o torcedor é imediatista, passional e rancoroso, o ídolo de hoje é o fracassado de amanhã, ou do mesmo dia. 

Welllington entrou e saiu do ABC, trabalhava de Uber, esteve no Globo em passagem obscura e reapareceu para brilhar em 2021 com mais intensidade do que em 2010, quando não passava de um tímido vigilante de traves de um time de ótimo nível de craques da estirpe de Cascata, Jackson, Ricardo Oliveira, Basílio e Leandrão. 

Wellington era olhado com ares desconfiados por uma defesa que nele não confiava e sobre ele exercia vigilância de batalhão. 

Para quem hoje renega Wellington, lembremos de exaltados que agora caminham na rua cabisbaixos sem direito a um bom dia da torcida. 

Ou quem foi mais craque do que o meia Adalberto, lá do Passo da Pátria, na primeira metade dos anos 1980? driblador serial, meio-campista crioulo típico, artilheiro de toques venenosos e levado para testes – foi aprovado – no célebre São Paulo do técnico Cilinho, time de Oscar, Dario Pereyra, Falcão, Pita, Silas, Muller e um dos melhores centroavantes  do mundo: Careca. 

O pobre Adalberto, que começou estraçalhando no time aspirante, estava praticamente contratado. O ABC botou olho gordo, ele foi prejudicado, entregue ao álcool e muitas vezes passando por situações vexatórias. 

Nenhuma palavra educada a ele destinada pelo torcedor que o brinda, impiedosamente de cachaceiro. Adalberto jogava mais do que todos os quase 500 federados profissionais do Rio Grande do Norte. 

Dedé de Dora era  melhor do que Adalberto, bem superior. Um canhoto sensual, de lançamentos certeiros. Emprestado ao Cruzeiro(MG), brilhou na Série A de 1985. 

O ABC, mais uma vez, ganancioso, atrapalhou a venda do passe. Dedé de Dora voltou e voltou deprimido. Sofreu uma contusão no joelho e chegou a ficar em corredor do Hospital Walfredo Gurgel. Visita, só a da família. 

Fui um dos poucos a cumprimentar Dedé de Dora no Hospital da Unimed em 2017, ele, motorista da empresa, internado após acesso de tosse sinal do câncer que ele ignorava. Tenho a foto segurando a mão de Dedé de Dora, enterrado no dia seguinte em São Gonçalo do Amarante. 

Torcedor? Só se estivesse disfarçado. Dirigentes, Rui Barbosa do ABC e Jussier Santos, que renovou Dedé de Dora e o transformou em camisa 10 do América. Mas Dedé morreu pobre e sem nenhum juiz da vida alheia para ajudá-lo. Choro Dedé. Choro sempre. Era meu amigo. 

Outro dia, recebo uma foto de Alberi, o maior jogador do Rio Grande do Norte, esquelético, num leito improvisado em sua casa simplória no bairro de Morro Branco, recebendo a solidária visita de Monsenhor Lucas Batista. Alberi tem diabetes grave e é uma luta juntar gente para participar de campanhas e comprar seus remédios. 

Torcedor pouco se pronuncia a respeito de Alberi. Alberi, o Bola de Prata, o Negão, o companheiro de Marinho Chagas, velado num dos bares do Estádio Frasqueirão sem plateia justa de torcedores. Deixem o goleiro Wellington em paz. Ele não pode repetir o final de terror dos ídolos infelizes. 

Emperrado 
O ABC emperrou em seu planejamento para o próximo ano em decorrência de uma eleição absurda, que consome tempo e fecha portas para o clube correr atrás de reforços.

Atraso 
A eleição, daqui a quatro dias, tem tudo para ser um referendo à gestão do atual presidente Bira Marques enquanto seus oposicionistas brincam de atrasar a vida do clube. Pesquisa deu Bira com 80%, lógica seria carimbar o nome e ir à luta. 

Nível 
Se o ABC continuar com jogadores abaixo da mediocridade e apenas Wallyson diferente, a luta para não cair para a Série D será agonizante. 

Simples 
Tem que mandar três ruins de 3 mil embora e trazer um de 9 mil que resolva. 

Nota zero 
Para o América, que simplesmente ignorou os 50 anos de trabalho do médico Maeterlinck Rêgo. Maeterlinck, em cinco décadas, jamais abandonou o clube, vivendo altos e baixos e seguindo por amor. A atual diretoria errou feio. 

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Monsenhor
Atualizado: 11:07:28 20/11/2021
Monsenhor 

Desportista, torcia pelo Vasco (RJ) e o Alecrim em Natal. Trouxe o Vasco campeão carioca a Natal em outubro de 1970, vitória de 1x0 sobre o ABC, gol do meia Ademir. Na mesma excursão, o time comandado pelo espetacular Silva Batuta enfrentou o Alecrim, do Governador Monsenhor Walfredo Gurgel.  Cumprimentou cada jogador, coração dividido ao meio, Estádio Juvenal Lamartine arriscadamente superlotado por oito mil torcedores em frenesi.  
Arquivo Pessoal

Luís Carlos e Dé marcaram para o Vasco e o volante estilista Pedrinho para o Alecrim. Os dois times: O Vasco com Élcio; Fidélis, Moacir, Renê e Eberval; Benetti(Ferreira) e Ademir; Luís Carlos Tatu, Dé(Kosilek), Silva e Gilson Nunes. O Alecrim jogou com Bastos; Biu; Solimar, Ivan Matos e Anchieta; Pedrinho e Valdomiro(Ubirajara); Zé Maria, Elson, Mascote e Iaponã.

O Monsenhor ouvia as resenhas esportivas da Rádio Globo AM 1220(RJ) buscando notícias cruzmaltinas desde o Expresso da Vitória, máquina de jogar bola, de 1945 a 1952: Barbosa, Barcheta, Augusto, Wilson, Rafagnelli, Ely, Danilo, Jorge, Moacir, Djalma, Nestor, Maneca, Ademir, Dimas, Lelé, Friaça, Ismael e Chico. 

Governador era assíduo  do  Estádio Juvenal Lamartine e não escondia a admiração pelo craque Alberi do ABC. Viu seu Alecrim ser campeão com Pedrinho e Vasconcelos e o goleador Icário em 1968. Era pé-quente. 

Foi no sossego da casa simples na Rua Afonso Rique, (Hoje Alda Ramalho), 1005, no bairro do Tirol, em Natal, que o Monsenhor Walfredo Gurgel morreu a 4 de novembro de 1971, de câncer de pulmão diagnosticado 31 dias antes. O médico e futuro vice-governador Genibaldo Barros acompanhava o Monsenhor no seu último momento. 

Monsenhor Walfredo Gurgel é personagem emblemático pelo estilo sóbrio e pacificador no ápice do radicalismo político no Rio Grande do Norte. Dedicava-se ao sacerdócio(Doutor em Filosofia e Teologia e ordenado em Roma) quando, em 1960, foi convidado e aceitou ser candidato a vice na chapa de Aluízio Alves para governador. Estava em Caicó, sua terra. Votava-se no governador e no vice e o “Padre”, como era conhecido pelo povo, mostrou-se bom de urna. 

No dia 3 de outubro de 1960, Aluízio derrotou Djalma Marinho para o Governo do Estado por 121.076 votos a 98.195. Contra o líder mossoroense Vingt Rosado, vice de Djalma, o Monsenhor obteve 115.702 votos a 99.801. 

Dividido por dois mitos, Aluízio Alves e Dinarte Mariz, o Estado via o Monsenhor correr por fora nas disputas majoritárias e vencer todas. Em 1962, polarizando com Dinarte Mariz a supremacia eleitoral na Região do Seridó, elegeu-se com ele senador. 

Em primeiro lugar, com 108.103 votos contra 105.884. Foram vencidos Tarcísio Maia(companheiro de chapa de Dinarte) e o “Major” Teodorico Bezerra, em dobradinha com o Monsenhor. 

Walfredo Gurgel e Dinarte Mariz foram a novo embate em 1965, na sucessão do governador Aluízio Alves. Outra vez, o “Padre” comprovou sua popularidade. Venceu Dinarte com 151.349 votos contra 124.119. O vice do Monsenhor foi o deputado federal alecrinense Clóvis Motta. 

Governou com serenidade e fibra, a ponto de enfrentar representantes do Regime Militar que o convocaram ao Comando para “prestar esclarecimentos”. 

Ao que o Monsenhor retrucou para nunca ser incomodado: “Sou o governador eleito. Quem quiser que venha ao Palácio e me deponha. Eu não saio daqui.” Deixou o Governo do Estado a 15 de março de 1971, entregando-o ao Professor Cortez Pereira. Passou a viver em casa e a celebrar missas. 
Dores no pulmão o levaram no 3 de outubro aos médicos radiologistas Zeca Passos e Paulo Bezerra(Balá), que constataram o tumor em estágio avançado. Fumante contumaz.

Na data em que vencera eleições, o aviso do fim. Monsenhor Walfredo Gurgel morreu aos 62 anos. Seu corpo está sepultado na Catedral de Sant’Ana em seu berço, Caicó. Sua alma, renova preces para livrar Alecrim e Vasco da decadência.

Necessidade 
O ABC necessita, para ganhar força, de dois laterais, um bom zagueiro, um novo meio-campo e um homem de frente, centroavante, para jogar com Wallyson e Negueba. É o básico. 

Debate 
Essa campanha para presidente do ABC está com cara de Wx0, pois Bira Marques chegou a quase 80%. Debate ficou para política ideológica e falta de proposta arrojada. 

América 
Precisa somente de outro time, inteiro.

Dinheiro para esporte 
O Sistema Nacional do Desporto precisa de um fundo que fomente o acesso à prática esportiva. A avaliação é de Wladimir Camargos, professor de Direito Esportivo na Universidade Federal de Goiás (UFG). 
 
Direitos 
O professor assessora a Comissão do Esporte e da Câmara dos Deputados criada para analisar o Projeto de Lei 1153/19, que modifica a Lei Pelé e, entre outros pontos, garante direitos aos atletas em formação, como participação em programas de treinamento nas categorias de base; treinamento com corpo de profissionais especializados em formação técnico-desportiva; segurança nos locais de treinamento; e assistência educacional, psicológica, médica, odontológica e farmacêutica.

Aprimorar 
Pela  Lei Pelé, o Sistema Nacional do Desporto tem a finalidade de promover e aprimorar as práticas desportivas de rendimento e congrega as pessoas físicas e jurídicas de direito privado, com ou sem fins lucrativos.
Messi e a arrogância
Atualizado: 21:33:26 18/11/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Pela primeira vez em 15 anos de adoração irrevogável, Messi entristece incorporando intolerância e violência ao seu repertório superado apenas por Maradona e nas últimas décadas por ninguém. Pelé - sempre bom lembrar - é extraterrestre. 

O jogo contra o Brasil(0x0), pelas Eliminatórias, transformou o Pleonasmo, o Melhor do Mundo, o amante da bola, em pequeno robô de olhar furioso que fez sugerir a presença de um malvado clone, nunca o eterno menino indomável de dribles e batidas de curva, teatro em quatro cantos de grama de palco.
Desde 2006, súdito, procurava e não encontrava em Messi um defeito, uma falha em centímetros, um gesto indigno do moleque superior a todos os homens e mulheres calçando chuteiras no planeta, de Buenos Aires a Paris, de Barcelona à inteira e meia Catalunha. Pós-Maradona, Messi tornou-se o semideus universal dos amantes da ginga e do imprevisível, bola domada por uma canhota assanhada. 

Seja nos clubes onde atuou sempre melhor do que na albiceleste, ou na própria seleção, Messi codinome encantamento segura a bandeira de herói do futebol único, na alegria e na surpresa a cada explosão plástica, lançamento, cobrança de falta, pênalti ou sequência de malabarismo diante de marcadores assustados e inertes. 

Messi nasceu para ser pacífica revolução de artimanhas e malandragens, produção beira do mar, ladeira íngreme de morro, rachão de asfalto em sinal aberto, carros formando as laterais e  a via separada por canteiros e automóveis, o corredor para o bailarino baixinho desfilar, fazendo sentar, bunda em terreno quente, pobres marcadores sem direito à eternidade, superlotando a caixa imaginária onde  guarda seus desafiadores, notas medíocres de samba ou tango. 

Messi vai, com a idade, se irritando e escolhendo a impaciência e a soberba típicas do seu país quando enfrenta o Brasil, até  quando o Brasil é um time regular e sortudo. O Brasil não deslumbra, cumpre metas, igual à vendedora de lingerie. 

Nada é esplêndido ou jogo de arrebatamento, sim uma tática de cofre automático de banco, fechado e protegido por homens armados evitando a simples aproximação do inimigo. 

Mesmo o Brasil desse jeito, Messi pareceu reviver a época do tabu sobre os Hermanos de Mário Kempes e Diego Maradona, líderes dos campeonatos mundiais conquistados em 1978 e 1986, Dieguito portentoso, em fintas de Calle Florida, fazendo o mundo se ajoelhar ao seu pé esquerdo, aprimorado nas aulas pela televisão que assistia do mestre Roberto Rivelino, tricampeão pelo Brasil em 1970. 

Na terça-feira, no Superclássico, triunfalismo que é a cara da Rede Globo, o Brasil tirou a Argentina do sério no alçapão de San Juan, com um drible de carretilha, uma lambreta de Vinicius Júnior que insuflou a ira hermana. Vinicius que já havia tomado um toque rasteiro por entre as pernas de Di Maria, a versão Noel Rosa castelhano e da técnica superior. 

O jogo lembrava as pelejas dos anos 1970, para não ser presunçoso e imaginar Pelé, que fez a Argentina levar a pior durante 14 anos, desde quando pisou o gramado do Ex-Maracanã(o das gerais), em 1957 à despedida da seleção em 1971, cumprido o compromisso de entregar o tricampeonato ao país. 

Na Geração Zico, os argentinos passaram sete anos apanhando na bola e batendo com virulência. Maradona, não esqueçam, tirou Batista da Copa do Mundo de 1982 com uma patada covarde, na granja abaixo do umbigo do volante brasileiro, que caiu sem fôlego, ovos avariados. Terça, foi Otamendi, em braçada de brutamontes, quem puxou sangue do assustado Raphinha. 

Estranho e decepcionante Messi. Sem a abençoada fúria das arrancadas enfileirando beques antes do arremate ao gol. Dominado pela ilusão da recente Copa América vencida pelos argentinos, pobres de títulos, que a consideram equivalente à Copa de 2022. 

Messi peitando o árbitro, Messi provocando os jovens brasileiros, Messi cavando falta, Messi apelando ao feio pela inspiração distante. Messi em patética homenagem  ao amigo ausente Neymar: caretas e arrogâncias detonando    a classe de gênio exclusivo. 

Atenção 
O Botafogo-PB comunicou a dispensa de Felipe, Gabriel Araújo, Fred, Juba, Clayton, Rhuan, Jean e Itamar. Atenção para ABC(ou América) não cair em tentação e trazer refugo. 

Correção 
Vítima de Covid-19, o médico Ricardo Marinho, figura extraordinária, era otorrinolaringologista e não oftalmologista, como se equivocou a coluna, tomada pela saudade. 

Frasqueirão 
Há dois pontos vitais nas propostas do presidente Bira Marques, candidato à reeleição no ABC: o pagamento antecipado aos funcionários do clube(que já ocorre) e a ampliação do parque em torno do Estádio Frasqueirão. 

Discurso 
Nas últimas eleições, a denúncia da venda do estádio ocupou discursos oposicionistas. Agora, dando no contrapé do adversário, Bira Marques garante a manutenção do estádio e a ampliação do seu entorno. Foi um chute certeiro. 

Estatuto 
A preservação do estádio deveria ser um ponto inegociável no estatuto do ABC: Frasqueirão inalienável. 

América 
Pegar sobras do ABC não é o melhor caminho do América. Time  ficaria pior.

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Demoníaca
Atualizado: 22:35:26 16/11/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

No clássico do cinema  Os Intocáveis, o ingênuo Eliot Ness começa querendo pegar Al Capone pela exclusividade das regras legais. Dança sucessivamente até formar um grupo de investigadores e atiradores.  

O coração é Jim Malone, veterano policial irlandês especializado nas táticas infalíveis para liquidar gângster diplomado: “Se ele te dá uma facada, dê um tiro na cabeça dele. Se ele vem com uma armadilha, mate-o antes, nem que seja pelas costas”. A partir daí e à custa do sangue de Malone, Eliot Ness vira o jogo. 

Vai fazer dois anos que choro lágrimas de saudade, revolta e sacro ódio pelos amigos perdidos na pandemia de Covid-19. 

Foram tantos que parei de contar e eles doem a cada noite que rezo a última oração antes de tomar o remédio de dormir, pois esse privilégio a vida me tirou,  inúmeras porradas levei ao longo dos últimos anos, de perseguição à falsidade, de amigo traíra a time rebaixado. 

Pois vivi, na semana passada, a especial perversidade de uma peste que é menor que microscópica, como bem – e sempre bem - definiu meu primo Luiz Alberto Carneiro Marinho, o maior cientista e infectologista desse Rio Grande do Norte que pouco celebra os devotos da Medicina. 

Luiz Alberto é dos melhores do Brasil e solidário, qualidade tão fundamental quanto o conhecimento em didatismo perfeccionista. 

No sábado passado, Luiz Alberto perdeu um primo, que também considero da família, o oftalmologista Ricardo Marinho, sujeito calmo, realizado, brilhante e castigado por 60 dias de sofrimento no leito de um hospital até ir embora deixando em lamento todos que o conheciam. 

Ricardo encerrou cinco dias de pânico e crueldade comandados pela víbora Covid-19. Primeiro, ou, corrijo, depois de 11 meses de calvário, morreu Luiz Eduardo Carneiro Costa, professor, secretário de Educação, bom boêmio, gentleman, vascaíno. 

Sepultado O Professor, como de fato era e o chamava, recebo telefonema de meu parceiro de infância e craque de bola Flávio Tércio de Medeiros. “Rubinho, Roque morreu.”Roque Fernandes Saraiva era policial rodoviário federal e, muito antes disso, nosso amigo do Palmeirinha do Tirol em 1984. 

Bom jogador. Eram ele e o neguinho Gustavo na defesa, Adriano e Tércio com seus gols resolvendo na frente. Do quarteto, Gustavo partiu primeiro, há uns 10 anos, de doença gástrica. 

Roque foi atacado pelo vírus sem direito à reação. Nem teve tempo de conviver com seu filhinho. O vírus ou a víbora caprichou na sanha. Deixou-o prostrado até suspirar na terça-feira. 

Aí veio Ricardo Marinho, que, nas fotografias, expunha a paz de uma vida vitoriosa e tranquila até sucumbir. Covid-19 escolheu o sábado, o dia da liberdade, para asfixiar a todos nós, que bem queríamos a Ricardo. 

Perdi vários para essa cretina, que chega sem avisar e proíbe até mesmo um funeral digno, sem bem que a morte não faz concessões nem merece suas maldades minimizadas. 

Se o obituário se mantém , por que falam tanto em normalidade? Em festa?  É habitual o choro como regra e o luto como proceder? Ao contrário de Os Intocáveis, a doença não tem adversário. Ok, milhares foram curados, salvos por profissionais estupendos, outros estão sequelados e os cemitérios infestados de caixões especiais. 

Nós perdemos para a Covid-19 quando morre um jornalista João Batista Machado, o Machadinho, nós perdemos para a Covid-19 , quando em Fortaleza, aos 38 anos, morre o craque de futebol de salão Rude, a quem ofereci meu choro furioso. 

Não posso cumprir pena por acertar um tiro de pistola .40 na Covid porque ela não se revela, ela se entranha  em organismos agonizantes nos quais é impiedosa. Nessa batalha, Deus está perdendo. 

A Covid é filha bastarda do demônio. Nem mesmo o padre Merrin, vivido pelo sublime Max Von Sydon em O Exorcista, seria capaz de vencer o mal. Aliás, na vida, o mal está ganhando de goleada. Rasgando a alma, cutelo a dilacerar o peito e abrir, em lâminas,  comportas ao pranto inútil. 

Grupo do ABC 
Com base em projeções da CBF, o ABC enfrentará na Série C durante a primeira fase: Paysandu(PA), Manaus(AM), Botafogo(PB), Ferroviário(CE), Altos(PI), Floresta(PE), Campinense(PB) e Atlético Cearense(CE). 

Time de B 
Daí ser indispensável o ABC formar um time de Série B para a Série C. O equilíbrio é muito grande e o grupo de 2021 é fraco, exceto o craque Wallyson e o goleiro Wellington, diferenciados. 

Série D 
Rebaixados da Terceira Divisão, Paraná(PR), Oeste(SP), Santa Cruz(PE) e Jacuipense(BA) estarão perfilados na Série D, localização indesejável onde há cinco anos luta o América. 

Bronze 
Aos 10 anos, o atleta potiguar Sílvio Júnior volta de Abu Dhabi(Emirados Árabes), com a medalha de bronze do Mundial de Jiu Jitsu. Silvio enfrentou 22 concorrentes. 

Em 1982 
O América foi tetracampeão potiguar e invicto(em 82) e empatou com o ABC há exatos 39 anos em 0x0, público de 6.574 pagantes no Estádio Castelão. O zagueiro Joel, do ABC, foi expulso pelo árbitro Afrânio Messias. 

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Quatro clássicos
Atualizado: 18:45:48 12/11/2021
Rubens Lemos Filho
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Novembro celebra os clássicos mais passionais e misteriosos da história de ABC x América no teatrinho frenético do Estádio Juvenal Lamartine, hoje silencioso sem deixar de emitir os sons de fantasmas renitentes. 

Em 1969, quatro duelos dividiram a cidade em futebol, guerrilha de arquibancadas e lenda, que foi o destino dos confrontos que  parecem ser visíveis a quem passa pela avenida Hermes da Fonseca, onde a saga boleira potiguar foi escrita. 

São 52 anos completados no próximo dia 30, de festejos e lágrimas, dribles e verdades nunca provadas sobre azar e honestidade. Em 1968, Natal recebia Alberi, maior ídolo do ABC, vindo do Santa Cruz (PE), onde jamais se firmara titular no meio-campo ou ataque. Ao pisar no campinho do JL, encantou e encantou-se. 

Alberi passou a mito de uma terra em que a cada fim de semana, pelejas equilibradas ou lavagens levavam uma média de 5 mil torcedores ao estadinho resistente e, à época, aos 41 anos de inaugurado. O pequeno rancho, onde o sentimento de Natal era extravasado. 

 Em 1969, o ABC tentava quebrar um tabu de três anos. O América buscava vencer como em 1967, quando um gol espírita(imprevisível) do atacante Bagadão, que mancava, garantiu o empate em 1x1 com o Riachuelo e o caneco na então suntuosa sede da Avenida Rodrigues Alves. 

No intervalo, em 1968, o Alecrim ganhou o campeonato invicto, liderado pelo atacante Icário, cuja pronúncia parece ecoar dos ventos paranormais sobre o palco inerte. 
Em 1969, para fazer dupla com Alberi, o ABC contratou o meia-esquerda paulista Esquerdinha. Sérgio Depércia, cabeleira à James Dean, conquistou a frasqueira com suas fintas em velocidade e o mulherio, suspirando pelo seu figurino descendente de calabrês. O ABC ainda contava com o amável camisa 3 Piaba, demolidor de canelas, o reluzente quarto-zagueiro Ivan Matos, o   centroavante João Galego e o ponta-esquerda Burunga. 

 No América, o veterano meia Zé Ireno, forjado nas Rocas e ídolo também no Campinense (PB), do qual é integrante da seleção dos sonhos, o raçudo Bagadão, o vigoroso beque Cláudio e os atacantes Evaldo Pancinha e Alemão, anjo predestinado. 

ABC e América iniciaram a maratona no dia 9 de novembro, com mais de seis mil pessoas espremidas no JL, largada da série de três partidas finais. O ABC enfiou 3x0 e começou a cantar antes do tempo, gols de Maia, Burunga e uma obra de arte de Alberi. 

O segundo jogo foi fraco. Nem o ABC se arriscou nem o América tentou ser kamikaze. O resultado de  0x0 frustrou as duas torcidas. Tudo ficaria para o dia 23, com o ABC jogando pelo empate e o América necessitando ganhar para disputar uma extra. 

No dia 23 de novembro de 1969, o governador Monsenhor Walfredo Gurgel estava em seu lugar na Tribuna de Honra, ao lado do prefeito – e abecedista fanático – Ernâni da Silveira, que ocupava o posto do titular cassado pela Ditadura, Agnelo Alves. 

A massa alvinegra tomava três quartos do estádio. O América, esquema irritante, segurava o jogo, prendia a bola. Até que esquerdinha driblou toda a defesa rubra, o goleiro Franz e, na hora de concluir, tentou o drible de ré. Franz tomou-lhe a bola. 

O lance silenciou a multidão. Esquerdinha teria sido subornado? No segundo tempo, ele perde outro gol feito. Aos 45 minutos, confusão na área do ABC e Alemão chuta sem chance para o goleiro floro. Gol do América. 

Os lenços brancos que a torcida do ABC acenava à galera vermelha, foram guardados. O América forçou a quarta peleja no dia 30.  Mortificado emocionalmente, o ABC não jogou nada. Com gols de Alemão e Bagadão, o América empalmou a taça.

Esquerdinha saiu assobiando direto para a mesa de pista da sede do América. Fora eleito um dos 10 homens mais elegantes de Natal. Odiado pela Frasqueira. Jurado de morte. O JL parece esconder a chave do enigma.

Depoimento 
Circula no WhatsApp comovente vídeo feito por uma garota do futebol feminino, mostrando, emocionada, as melhorias feitas no Juvenal Lamartine.

Limpo 
O Juvenal Lamartine recebeu pinturas em suas arquibancadas e higiene, o principal. Os vestiários foram recuperados. 

Tapete
O gramado está um tapete, apenas a Tribuna de Honra precisa ser reinstalada.E os alambrados, recolocados no lado do morro.  O Juvenal Lamartine pode servir e muito ao futebol potiguar. 

Restrições
O JL é o patinho feio da burguesia do Tirol. Seu terreno vale grana alta. Ninguém é suficientemente idiota para não perceber. 

Olho grande 
A ideia de um parque é ridícula. Seria o corredor dos assaltantes. E se contrapõe à lei que determinou o JL com sua finalidade: sediar futebol. 

Abutres
A recente  atuação medíocre do ABC faz opositores do presidente Bira Marques agirem com o fígado. Cria a contradição do ódio manso, da tomada do poder para o justiçamento prático. Nenhuma ideia interessante, só o discurso da Frasqueira (que não é o grupelho), na cadeira. 






Desaprender
Atualizado: 21:41:05 11/11/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Aos 41 anos de idade, o catalão nascido em Terrassa, Xavier Hernandéz Creus é, na vida pessoal, o refinado meio-campista, histórico parceiro de Iniesta, ambos campeões mundiais em 2010 e difusores do Tiki-taka, esquema de jogo em que a posse de bola é a mola de um futebol lindíssimo de florescer partidas noturnas do Barcelona em seu gigantesco Camp Nou. 

Xavi Hermandéz era o homem de meio-campo encarregado de tocar a bola e abrir clareiras na defesa adversária em seus deslocamentos feiticeiros. 
Um craque, uma sumidade que venceu, pela Fúria, além da Copa do Mundo, duas Eurocopas, em 2008 e 2012, além de pelo menos vinte méritos de melhor jogador em torneios nobres da Champions League. 

A semana começou com Xavi Hernandéz confessando ter recebido um convite para integrar a comissão técnica da seleção brasileira. Fez muito bem em dar o não.

 Ora, um gênio da bola e da visão tática seria auxiliar de Adenor Leonardo Bachi, o Tite, ganhador de uma Copa América em 2019, de um Mundial pelo Corinthians em 2012, adepto da filosofia oposta à de Xavi, ou seja, prefere jogar feio e defensivamente. 

É só coincidência, mas Xavi e Tite atuavam em posições idênticas e por aí encerram-se as particularidades. Xavi era  armador apaixonado pelo gol. Tite,  volante carimbador de canelas, cujo maior feito foi ser vice-campeão brasileiro de 1987 pelo Guarani de Campinas(SP), formando um trio medíocre  com Tosin e Boiadeiro. Xavi jogou com Iniesta, Messi e Fábregas. 

Discípulo de Pep Guardiola, Xavi assume o Barcelona  com a obrigação, que nele, desconfio, seja prazer, de descobrir novos nomes nas férteis bases dos grandes clubes, enquanto Tite se agarra a notáveis do tipo Lucas Paquetá e Fred, este um obtuso incapaz de um passe de 5 metros e meio. Tite se vê em Fred. Como um dia Zagallo se enxergou em Dirceu, ponta falso nos fracassos brasileiros de 1974 e 1978. 

Tite conquistou em 1983 seu único título jogando bola. E que feito heroico: a Copa da Associação dos Cronistas Gaúcho, atuando pelo Esportivo de Bento Gonçalves, do interior do Rio Grande do Sul. 

A passagem pelo Corinthians, em estilo tristonho, o levou à seleção brasileira. Perdeu a Copa de 2018 e o mantiveram para a do ano que vem, confiando na profusão de cabeças de área e no inédito bom humor de Neymar para chegar ao sexto título nacional. 

A piada na história de Xavi no Brasil foi a de que viria ser o segundo. Aprendendo absolutamente nada com Tite. Depois, possivelmente com outra pancada na Copa do Mundo de 2022, Xavi assumiria a titularidade para praticar a filosofia que ele entende brasileira muito melhor que os prancheteiros nacionais. Xavi ser reserva de Tite é mais ou menos Messi no banco para Esquerdinha, armador do América de Natal na Série D. Xavi foi educado. Desaprender não é futuro para ninguém. 

Vasco 
Tenho um saco imenso cheio de camisas oficiais do Vasco, duas delas, de uso em jogo, pelo maestro Geovani no bicampeonato carioca de 1987/88.

Geovani é meu amigo, veio para o lançamento do meu livro Memórias Póstumas do Estádio Assassinado, em 2017 e dispensou hotel: ficou em minha casa, humildade transversa à pose dos  pernas de pau que estão levando o cruz-maltino ao caminho da Série D. 

Olhei cada camisa e nelas, senti o frescor da classe, da habilidade e da raça, três componentes fundamentais de um time que já se foi há pelo menos 21 anos, depois daquela decisão que Romário ganhou contra o São Caetano valendo o campeonato brasileiro de 2000. 

De lá pra cá, apenas uma Copa do Brasil em 2011 com craques envelhecidos e competentes do naipe de Felipe, Juninho Pernambucano (hoje insuportável militante) e Diego Souza, que chutou nas mãos do corintiano Cássio, o título da Libertadores que, se fosse nosso, mudaria o curso do destino. 

O pior da decadência é quando se torna banalizada. O Vasco se acostumou a ser um timeco. Faz tempo, afinal  21 anos é a maioridade absoluta de um ser humano no Brasil. Nunca mais surgiu um cracão, o máximo que saiu das bases foi Philiphe Coutinho, bonzinho, habilidosinho, razoável. Dispensado pelo Barcelona. 

Ao observar camisa a camisa, me revi no improvável título de 1982 sobre o Flamengo de Zico, no mencionado bicampeonato no qual jogou o melhor time que acompanhei: Acácio; Paulo Roberto, Donato, Fernando e Mazinho; Dunga(Henrique), Geovani e Tita(Bismarck); Mauricinho, Roberto Dinamite e Romário. 

Em 1994, o Vasco venceu o único tricampeonato carioca de sua história, cinco anos depois de Bebeto levar o clube ao terceiro título nacional, tirado em lusitana malandragem do impoluto Flamengo. 

Veio o Brasileiro de 1997, com Edmundo estraçalhando, a Libertadores do ano seguinte, de Donizete e Luizão, o Rio-São Paulo de 1999 e, finalmente, o Brasileiro de Romário em 2000. Camisas guardadas, foi-se o Vasco. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.
Sonhos e vida real
Atualizado: 22:05:53 09/11/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

A bobagem anglo-saxônica (e fanática)  de usar sonho como analgésico espiritual dos pobres mantém suando a camisa uma multidão de inocentes. De crédulos e bons, como escreveu o deputado federal Djalma Marinho em 1960, no telegrama de reconhecimento da vitória de Aluízio Alves para governador. 

Inteligente sem limites, Aluízio percebeu malícia nas expressões “crédulo e bom”. Intuiu que Djalma diminuía o tamanho de sua vitória interpretando as palavras como menosprezo à inteligência dos eleitores. 

Aluízio Alves nunca respondeu ao telegrama. Percebia tudo na antevisão. Detestava futebol, mas se o jogasse, teria sido um meia-armador com vocação ofensiva, pensando e finalizado impiedosamente seus oponentes. 

Palavras ocupam papéis e papel aguenta tudo. No Brasil fraturado pelo sectarismo odioso entre Direita e Esquerda, sem que haja uma opção equilibrada e capaz de devolver a serenidade institucional e política, as palavras viraram facas pontiagudas acertadas no peito, cheias de veneno na ponta, como são preparadas pela máfia italiana para cortar os inimigos. 

Não vivo, sobrevivo de palavras. Bem ou mal postas, elas garantem a comida na mesa de minha família. Desde cedo, muito menino, imitava jornais desenhando-os em folhas de tamanho A4, de tanto acompanhar meu pai na redação da Tribuna do Norte. 

Fazia das (minhas) palavras, acerto de contas com a realidade dolorosa de um subproduto dos efeitos brutais de uma Ditadura, que insanos, falando ou rabiscando textos horrorosos, teimam em querer de volta. 

Sonhei acordado em meus 51 anos de vida. Bem turbulenta. Um dia estava em Natal, no outro, no Chile, depois no Mato Grosso , quando menos esperava, dentro de um ônibus para Recife. De coerência, a raiva incurável por ter cumprido itinerários frustrantes sem culpa de nada. 

Sonhei nunca mais sair de Natal, sonhei viver de forma estável(nunca foi possível por motivos alheios à minha inútil vontade), sonhei – aí eu consegui – saber de uma vez por todas o que seria na vida, nos testes de Português e provas de História feitos ainda no colegial e aprofundados no segundo grau. 

Tinha pesadelos com Matemática, Química, Física, bandidos, seqüestradores no regime ditatorial querendo me levar para longe. Se há alguma, a vantagem de sonhos e pesadelos, ao contrário das novelas, é perder a graça no último capítulo.  Na hora agá, você se debate, ou suspira, acorda e tudo foi embora. É bom e ruim. 

Então danei-me a escrever para me manter no mundo desigual, posto que ninguém, absolutamente ninguém, jamais me deu nada de graça, ofereceu um tesouro perdido em arca no fundo do mar, me fez receber um pagamento superior , o que é compreensível – para ser otário é necessidade inegociável, ser tolerante.

Até as mensalidades escolares, eu pagava com cheque do Bradesco, quando comecei na Tribuna do Norte, cheque endossado por uma reserva moral chamada José Gobat Alves, com quem aprendi uma lição: não é preciso sorrir graciosamente. Zé Gobat tinha cara fechada e o coração maior que o mundo. Sabia demais quem era correto e quem dançava nas pistas sujas da pilantragem. A esses, nunca deu moleza.

A prostituição digital do jornalismo, que rebaixou a notícia a detalhe insignificante, é outra porrada nos que buscam a profissão como missão. São uns burros, dizem os espertos para gente igual a mim. 

Não tenho lembrado dos meus sonhos e pesadelos. Os dois últimos, que povoam a cabeça com esforço, foram de um pênalti cobrado por Marinho Apolônio do ABC contra o América no Campeonato de 1983. Quando ele ia deslocando o goleiro Rafael, despertei. Pelas estatísticas de 114 gols alvinegros, a bola deve ter entrado.

 E o outro pesadelo, que em alguns casos nem é tanto assim, foi de um cara espremendo meu pescoço. Minhas mãos não serviam para nada. Nem para rascunhar epitáfio. Acordei.  

Imagino que morreria. Agradável ou não, dependeria de um balanço geral da vida. A certeza é que, bem acordado, cansado de alma, mando os sonhos às favas, tentando comunicar direito: não sou mais (é tarde) nem crédulo nem tampouco bonzinho. Sonho é o alucinógeno que a gente toma para suportar sufoco. 

Economia 
Discretíssimo, o presidente do ABC, Bira Marques renegociou dívidas trabalhistas que chegavam a R$ 3,4  milhões, economizou cerca de R$ 1  milhão  e o total acordado caiu para R$  2,5 milhões. Sem barulho. 

Oposição 
Partiu para a agressividade em sua estratégia. Resta esperar se os eleitores preferem o equilíbrio ou a porrada no lugar do argumento. 

Sem peso 
Legítima, a chapa oposicionista é bem assessorada, mas erra pela infantilidade do radicalismo infantil. 

Souza 
Cerca-se de boleiros do passado recente, de inesquecíveis vitórias do América. 

ABC x Bahia 
Em 1961, com gols de Zeca e Mano, o ABC vencia o Bahia no Estádio Juvenal Lamartine por 2x1 diante de 3.776 pagantes. Florisvaldo marcou para o tricolor.

Times 
ABC: Ribamar; Gaspar, Piaba e Biró; Gilvan e Cadinha; Mano, Zeca, Cocó(Isaías), Cileno e Jorginho Segundo. Bahia: Jair; Hélio Lopes, Henrique e Nei Andrade; Antônio e Florisvaldo; Marito, Aguinaldo, Mário Preto e Geraldo(Valdir). Hélio foi do Riachuelo e Nei Andrade, do ABC. 


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Estátua
Atualizado: 15:05:15 06/11/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Torcedores fazem campanha para construir uma estátua de Roberto Dinamite no Estádio São Januário. É uma homenagem justa. Embora Roberto Dinamite seja para o Vasco o monumento humano e magnânimo. Roberto Dinamite é a razão de ser do Vasco, o ídolo de sorriso triste, aquele cara legal que você falta ao trabalho, desfaz a agenda de passeio com a família, apenas para vê-lo e ouvi-lo.

Reprodução


Roberto Dinamite, o principal emblema  do Vasco,  maior artilheiro da história dos campeonatos brasileiros(1971/2021), autor de gols decisivos, quase perfeito na cobrança de faltas e de pênaltis, quixotesco nos primeiros anos da Era Zico, quando lutava, sozinho, nos clássicos contra o Flamengo que levavam 100, 150 mil ao Maracanã para assistir ao rubro-negro sinfônico fazer sofrer e penar nas jogadas imprevisíveis do cabeludo de semblante algo melancólico.

O amor de Roberto Dinamite pelo Vasco foi eternizado em janeiro de 1980. O Barcelona havia comprado seu passe no ano anterior. Roberto havia brigado com o treinador, que não gostava do seu estilo de arrancadas fulminantes e chutes de sniper, e então o desespero tomou conta de todos nós vascaínos: o Flamengo anunciou a compra de Roberto e a Rádio Globo fez uma montagem de um gol em tabelinha dele com Zico, tremenda covardia.

Zico e Roberto Dinamite  teriam formado num clube a eficiente dupla que jamais perdeu atuando pela seleção brasileira em 26 jogos, de 1976 a 1982. Juntos, marcaram 34 gols, sendo 18 de Zico e 16 de Roberto.

Chegariam aos 100, se Telê Santana, o endeusado, o infalível, o técnico sensacional e siderúrgico teimoso, não nutrisse uma gratuita antipatia a Roberto, que pode ser posta na conta do que nos custou o  Mundial de 1982 na Espanha.

 Zico e Roberto Dinamite, municiados por Sócrates, Falcão, Éder, Leandro e Júnior, teriam detonado a Azzurra, conforme aconteceu quatro anos antes, só com Roberto, sem Zico, na disputa pelo terceiro lugar na Copa/1978.

Então, o Flamengo sacudiu o Brasil anunciando uma linha atacante com Tita, Zico, Roberto Dinamite e Júlio César, o bailarino ponta-esquerda de dribles entortadores. A reação vascaína foi imediata e em pânico. Os torcedores não aceitavam ver seu mito de vermelho e preto.

Ótimo negociante, o presidente Antônio Soares Calçada lembrou que o Barcelona devia ao Vasco 700 mil dólares. Mandou o ainda desconhecido Eurico Miranda dizer que a dívida estava perdoada desde que Roberto voltasse à sua casa. Os espanhóis nem pensaram: aceitaram antes da segunda frase de Eurico.

Roberto voltou contra o Corinthians e marcou os cinco gols da vitória por 5x2 do Vasco no Maracanã tomado por 107.474 corações ensandecidos a cada bola balançando as redes do goleiro Jairo.

Nos 5x2, vibrei de ficar rouco. Meu saudoso tio-avô Derval Marinho, que detestava futebol, morreu me chateando: “Como vai Roberto Traque de Chumbo?”. Eu repetia: “É Dinamite, é Dinamite, é Dinamite’.

Seleção brasileira em Natal, meu pai comentava para a Rádio Cabugi AM(hoje Jovem Pan News) e um estúdio foi montado no luxuoso Hotel Ducal, hoje estorvo inútil no centro de Natal. Meu pai tomou-me pelo braço e me levou à cobertura onde Roberto Dinamite e o capitão Oscar conversaram.

Sinto a geleira no corpo e no espírito. Eu, um moleque, diante daquele que me justificava o amor ao futebol. Roberto Dinamite me deu um autógrafo. No caderno da escola levado por mim àquele universo mágico.  Educadíssimo, conversou meia dúzia de abobrinhas enquanto eu travava no “é, é,é”.

Estupidez de Eurico Miranda, Roberto Dinamite chegou a ser expulso da Tribuna de Honra com o filho em 2002. Reagiu boquiaberto como os apunhalados pela covardia. Foi feio, deselegante, imperdoável.

Seguiu em frente. Antes, ganhou Campeonatos Cariocas (1977/1982/87/88) em cima da máquina de Zico e jogou até os 39 anos. Ele e Zico (vestido de Vasco, no troco do destino ao episódio de 1980).

Roberto Dinamite está imortalizado, seja no concreto carrancudo de uma estátua, seja no amor que o fez símbolo icônico do Vasco que não existe mais.

Vasco
Será de 82 milhões o prejuízo do Vasco se permanecer na Série B. E vai ficar, para lamento dos sofredores iguais a mim. O Vasco agoniza.

Alan
O recorde de 5 mil novos sócios no ABC deve-se ao talento do jornalista Alan Oliveira, que cuida bem da comunicação e é craque no aspecto promocional. Desafio é oferecer novas atrações para os associados.

Há 60 anos
No dia 8 de novembro de 1961, o Globo venceu o Alecrim por 1x0 no Estádio Juvenal Lamartine pelo campeonato local, gol de Ferreira, o Furiba, famoso ponta-esquerda. Público de 720 torcedores.

Times
O Globo – não confundir com o atual – representava a loja de móveis do húngaro Himri Fried e jogou com Damião; Setúbal e Rodrigues; Pedrinho, Dico e Jácio Salomão; Montanha, Poti, Zé Ireno(melhor em campo), Ronaldo e Ferreira. Alecrim: Manuelzinho; Monteiro e Orlando; Miltinho, Romildo e Aderbal; Zezé, Macaíba(Wallace), Oliveira, Manoel Carlos e Galdino.


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Erro de cálculo
Atualizado: 21:35:17 04/11/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

De repente, você recebe o convite para férias de 40 dias na Polinésia Francesa, mais de 100 ilhas no Pacífico Sul tomadas por corais e hotéis de bangalô sobre a água. 


Divulgação


O sujeito normal nem pensaria, receberia as passagens aéreas, se acompanharia de um belo par de pernas morenas dotadas de sorriso impactante e se mandaria no primeiro voo, sem saudades de casa nem qualquer previsão de retorno. 

Eis a lógica de um paraíso pronto para receber uma deusa acompanhada de um sortudo. Nem sempre é assim. Há gosto para tudo na vida e o premiado não surpreenderia se preferisse as ruas de Cabul, no Afeganistão, tomadas de talibãs cruéis, que mataram dias atrás três pessoas num casamento em recinto fechado por cantarem musicas laicas e não apenas o repertório islâmico. 

Pois o mau gosto do contemplado com a viagem seria capaz de fazê-lo trocar o sol pelo calor do fogo das balas de fuzil AK-47 numa área de terror. 
Se eu tiver um pesadelo com o Afeganistão, passou três noites e meia sem voltar a dormir. Aquilo é a faixa do ódio e da insanidade, onde a religião é pretexto para a barbárie. 

Sem chegar a tanto, o ABC deu uma de escolher errado ao priorizar a Série D, da qual já estava livre, classificado para a Terceirona com juros, correção monetária e o futebol excedente de Wallyson e do goleiro Wellington, livrando-se do fosso do futebol brasileiro, da cafua, cela de castigo em presídio, do universo boleiro patropi. 

O ABC tinha duas alternativas: secundarizar as semifinais contra a Aparecidense de Goiânia(GO), que não levaria a nada e não serviriam para coisa alguma, mais ou menos como anão calçando sandália japonesa, maneta tentando carregar balde,  ou concentrar munição na Copa do Nordeste, torneio charmoso, competitivo e rentável.

Copa Nordeste  com prêmio em dinheiro, indispensável utensílio para o alvinegro planejar e executar seu futuro, livre – queira Deus que para sempre amém – da vergonhosa Quarta Divisão. 

O que fez o técnico Moacir Júnior? Preferiu brigar para ser campeão brasileiro, para deixar robusto seu currículo. Ser vencedor da Série D é ser premiado com um troféu e, quem sabe, um beijo caliente de um urso de beira de pista. 

Então, nadando na areia movediça do equívoco e da ambição, Moacir Júnior botou os reservas para enfrentar o Sousa na classificatória da Copa do Nordeste e deixou o time titular – depois de apanhar a primeira da Aparecidense por 4x2 – para tentar tirar a diferença no domingo passado. 

O professor se deu mal. Quem pagou foi o ABC, cujo time reserva é algo horrendo, pavoroso, horroroso igual aos filmes de terror de Stephen King ou, em outros clássicos de fazer qualquer um tremer de pânico, a saga de Damian Thorn, o anticristo cuja trilogia apavora nem tanto pelas cenas, sim pelas músicas sacras de arrepiar. 

Os reservas do ABC tomaram 3x0 do Sousa  quando poderiam ter levado 7x0, não jogaram nada e expuseram a fragilidade do elenco. O ABC, no jogo da volta, vai precisar fazer quatro para se classificar direto ou três de diferença para levar a disputa aos pênaltis. 

Tudo por capricho, erro de mira do técnico Moacir Júnior. O ABC pode sim ganhar de 3x0 do Sousa, pode ganhar de quatro, cinco ou seis. Ainda que seja difícil perfurar a provável retranca que virá da terra dos dinossauros paraibanos.

O ABC, segundo o esquema tático do bom senso, poderia estar sossegado na Copa do Nordeste de 2022, fazendo clássicos regionais deliciosos no Frasqueirão, ao mesmo tempo em que, impávido, agiria para a montagem de um time de Série B logo na C, para caminhar, cantar e seguir a evolução. 
Pena que o técnico Moacir Júnior – cuja simplicidade e capacidade, a coluna elogiou e por isso tem moral para criticá-lo, não enxergou o óbvio. É preferível – e prazeroso - ter duas vagas nas mãos, do que arriscar e fracassar por prematuro erro de avaliação. 

De letra 
Autor de um gol de letra na primeira partida contra o ABC, o atacante do Sousa, Rodrigo Poty, acha difícil o time perder a vaga depois dos três gols de vantagem. Mesmo assim, prega respeito ao alvinegro. 

Consertar 
O técnico Moacir Júnior tem quatro dias para consertar erros graves: a saída de bola da defesa e a aproximação do meio-campo do ABC com o ataque estão terríveis. É fundamental ajeitar esses defeitos. Graves. 

Esquerdinha 
Surge boato sobre suposto interesse do ABC pelo meia-esquerda Esquerdinha, do América. Especulação. Esquerdinha começou bem na Série D e foi caindo aos poucos, errando pênaltis decisivos. Parece falhar em jogo difícil. 

Há 43 anos 
ABC e América empataram no dia 5 de novembro de 1978 pelo campeonato estadual com gols de Noé Macunaíma para o alvinegro e Gilmar para os rubros. Público de 21.596 pagantes no Estádio Castelão. 

Campeão 
Em 1978, o ABC, com vários juvenis, sagrou-se campeão. 

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