Neurose
Atualizado: 00:01:29 15/09/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Idiota quem espera a mudança do egocêntrico. Pode aparentar melhora, mas o signo da arrogância e do doentio narcisismo prevalece, pois é a essência do caráter de quem se acha melhor do que os outros. Pairando acima do bem e do mal. Neymar voltou a ser insuportável. Intragável, mimado e dono – por determinação dele – da paciência dos torcedores. 

Divulgação


Neymar reclama o jogo inteiro, discute com adversários 90% do seu tempo em campo e a bola no seu pé vai perdendo o encanto. Neymar se queixa  de peruano, chileno, argentino, venezuelano, queria ver peitar afegão com seu colar de bombas pronto para explodir 22 jogadores em campo, comissões técnicas e jornalistas. 

Quem criou esse Neymar foi o Neymar de ontem. Chato, confundindo arte com menosprezo, driblando sempre mais do que o bonito e transformando um ato lindo do futebol em instrumento de humilhação. O drible é a supremacia de um ser humano sobre o outro e deve ser repetido os 90 minutos. Um jogo só de dribles seria maravilhoso. 

Então Neymar passou a ser caçado por zagueiros do Quinze de Piracicaba revoltados pelas firulas supérfluas, por volante do Bragantino, por lateral da Portuguesa Santista. No Barcelona, onde não tinha lá essa moral toda, aplicava fintas belíssimas, dentro do limite tolerável, sem fazer do oponente, espelho do ridículo. 

Envelhecendo, o melhor jogador brasileiro anda uma pilha. Nervosinho, ostentando no letreiro do seu rosto o sorrisinho cínico e sinônimo daquela frase bem boleira: “Quando você ganha, eu ganho dez vezes mais e você fica aí me batendo”. 

Os perseguidores descobriram como deixar Neymar em fúria. Chegam batendo antes, por trás, enquanto o camisa 10 de Tite empurra, dá peitadas, socos, xingamentos. Seu par de olhos miúdos se transforma em visão arregalada desejando acertar contas. 

Faz parte da composição do gênio – que todos querem que Neymar seja, mas não é, é supercraque -, a malandragem de se desvencilhar das provocações e de bater com sabedoria. 

Pelé nunca escandalizou suas reações. Agia calado. E reagia com sofisticada violência, quebrando canelas, assim fez com o alemão no Maracanã e dando cotovelada cívica no uruguaio que o acertou antes na semifinal de 1970. A cabeça do gringo pareceu saltar do pescoço e o árbitro ainda o puniu. 

Previsível igual a todo falso malandro, Neymar deixa em alerta árbitros e bandeirinhas,  porque dá chilique sem que o beque chegue. Só a iminência do duelo, o tem deixado em espumante irritação. Quando tenta o toque para iludir o oponente e é desarmado, torna-se o menininho mimado que se lambuza de sorvete apenas para irritar os pais obedientes. 

Na transmissão de Brasil x Peru, o ex-atacante Paulo Nunes foi certeiro: “Neymar está apenas pensando nele e não na seleção”. Tudo porque é ídolo único, espécime indesejável e criador da nociva dependência. Caem os 10, mas Neymar não pode se machucar, não pode ser suspenso, não pode acordar com dor de cabeça. Tudo gira em torno dele desde que Mano Menezes o convocou pela primeira vez. 

A seleção brasileira é um time de mediano para bom e a presença de Neymar é indispensável. Ele jamais será um extraclasse em meus botões porque não faz parte da coletividade, é seu individualismo luzindo sem paralelo a ser feito. Ninguém consegue 50% do seu rendimento, ainda que seja em jornada ruim. 

Neymar havia melhorado e, sem afetações, contribuído para as vitórias do Brasil contra as subseleções da América do Sul. Sua crônica crise de nervos deixa os companheiros retraídos e os adversários, felizes, mesmo que estejam apanhando todo jogo. 

Neymar será a arma para 2022, é a fonte da improvisação nacional perdida, mas vai enfrentar a frieza glacial dos europeus que conservam no frigobar os esquentadinhos. Neymar, neurótico, vai jogar grudado ao psiquiatra. 

Matar ou morrer 
Gary Cooper, o amedrontado xerife da pequena Hadleyville, Novo México, acuado por bandidos perigosos, se divide em  ABC e América. Matar ou morrer, o clássico do cinema em faroeste, cinema que ninguém entende melhor do que o jornalista Valério Andrade, é uma agonia do início ao fim. O filme, lançado no Brasil em 1953, proporcionou o Oscar de Melhor Ator a Gary Cooper e ganhou em outras duas categorias: melhor edição e melhor canção. 

ABC e América, fossem disputar o Oscar com base na primeira rodada do mata-mata, entrariam entre escatológicas tramas de terror. Não tomaram consciência da importância de atacar contra dois times sem maior representatividade. O Itabaiana está no nível dos dois daqui. O Retrô é  semi-time. Um arremedo, até o uniforme é brega, das antigas lojas Prediletas, no Alecrim. 

ABC e América, de favoritos, entram na rua em que Gary Cooper espera os sicários para o duelo. Para matar ou  morrer. Não adianta os dois técnicos, Moacir Júnior(ABC) e Renatinho Potiguar(América), adotando o medo, a retranca, o defender para atacar depois. Depois, podem vir os pênaltis e aí nem sempre o mocinho vive. 









Racismo
Atualizado: 13:22:45 11/09/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Ninguém endurece contra o racismo. Ninguém fala com vigor e exigindo providências contra a humilhação dos agredidos na covardia da invisibilidade em grupo , dos chamados de "macacos " por pústulas sentadas nas luxuosas arenas no Brasil e na Europa. O racismo dói na alma, não sangra na carne nem carece de esparadrapo.

Divulgação


O caso mais recente foi do jogador Celsinho, do Londrina, chamado de macaco por desclassificados que estavam sentados na arquibancada do Brusque, time de Santa Catarina. Celsinho reagiu entre a perplexidade e a indignação. Vários clubes saíram em solidariedade a ele. 

Os atingidos reagem em  dignidade guerreira. Peitam o árbitro. Berram de revolta, batem forte no peito, desnudam dos razoáveis jogadores, o carát
er extraordinário dos machos verdadeiros, dos homens sem medo na atitude, sem vestígio da brabeza de fachada.
A maioria esmagadora das vítimas, registre-se nos cartórios da verdade, é negra. Afrodescendente é invenção militante e tão preconceituosa quanto as víboras travestidas de torcedores. Imploro que eles, os pútridos, não sejam pais e mães, pelos filhos, candidatos a segregadores, campeões da maldade em primeiro turno.

Quem insulta e fere exibe a fúria perniciosa de Hannibal Lecter, o personagem calculista e canibal do cinema, na expressão gratuita do ódio. A Ira é pecado legítimo quando usada na preservação da vida. Na covardia, é bastarda. Bastardos são inglórios, ensina outro filme.

Os casos vão sobrevivendo na mídia enquanto geram audiência. O racismo é crônico igual alergia fascista. É um baile hipócrita de máscaras.  Gritar com garçom, humilhar porteiro, dividir ser humano por elevador social e de serviço. Achincalhar o macaco, animal de travessura, de gargalhada.

Racismo é o substantivo de tudo. Está, sorrateiro ou no lixo humano como nos carrascos verbais a desconhecer a verdade: foi a melanina a semente do que embelezou e fez paixão o futebol. A ginga banta, o suingue na cintura elástica, a intuição no drible como descarte do adversário e caminho luminoso até o gol. 

É o tipo de cancro moral que só seria drenado (sem anestesia), se os flagrados no crime, fossem sumariamente afastados dos estádios de futebol. Presos, levados à delegacia e postos numa cela onde houvesse negros e punidos sem direito à defesa. 

Não há defesa para quem é imprestável. O racista também é estuprador. É um violador da igualdade entre os seres humanos. Atacando no estádio e, pusilânime, saído depois para assistir missa noturna dominical. 

A ignorância é comparsa do desaforo. Quem ataca os negros de chuteiras, nada entende de futebol e da sua história. Desconhecem a realeza de um negro, melhor do mundo em todos os tempos sem concorrência alguma. Quem chama Celsinho do Londrina de macaco, poderia ter chamado Pelé também, porque o ódio não difere o alvo. 

Quem ganharia desse time? Barbosa; Djalma Santos, Aldair, Amaral e Marco Antônio; César Sampaio, Didi e Pelé; Ronaldinho Gaúcho, Dener e Paulo Cézar Caju? Ou desse aqui? Dida; Zé Maria do Corinthians; Domingos da Guia, Luizinho e Vladimir; Zé Carlos do Cruzeiro, Adílio e Jorge Mendonça; Paulo Isidoro, Cláudio Adão e Edu, o do Santos? Os negros sempre balançaram no ritmo mais gingado  das quatro linhas: o samba de raiz  da bola. 

Messi e Pelé 
Messi não ultrapassou ou superou Pelé como maior artilheiro sul-americano. Messi homenageou o Rei. Os gols foram bálsamos à saúde do monarca. 

ABC 
O ABC faz, hoje, em Recife, um dos seus jogos mais importantes dos últimos anos. Depois de catorze semanas de dureza na primeira fase da Série D, dureza até de assistir cada partida, chegou a hora de começar a decidir. 

Tradição 
O ABC deve se impor lá na Arena Pernambuco porque, proporcionalmente, seu confronto com o Retrô seria semelhante a uma partida do Sport contra o Palmeira de Goianinha. O ABC é grande e o Retrô, emergente, clube destinado a negócios e só. 

Cuidado 
É preciso ter cuidado com um detalhe na campanha do Retrô na primeira fase. Quando ficou em quarto lugar no Grupo 4. O Retrô nem ganha nem perde muito. É especialista em empates. Ganhou quatro vezes, perdeu duas e empatou oito partidas. Ou seja, na transcrição dos números, é um time cauteloso. Mas que precisará ganhar hoje e sair para o ataque. 

Allan Dias 
O novo camisa 10 do ABC, Allan Dias, terá papel fundamental na nova fase que começa esta tarde. Será dele a missão de ser o jogador-delegado. Prender e soltar a bola na hora adequada. Filtrar os chutões saídos da defesa sem o menor sentido em busca dos atacantes. Allan Dias chegou para resolver e parece disposto a assumir o comando do time em campo. 

Paciência 
Quando disse à editoria de esportes da Tribuna do Norte que o ABC teria de ser paciente, Allan Dias avisou que as ligações diretas da defesa ao ataque prejudicam e que a posse de bola é um trunfo buscado pelo alvinegro. Fora de casa, temperar a corrida do Retrô em busca da vitória para jogar pelo empate no Frasqueirão. 








Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.








Dyego e Dieguinho
Atualizado: 21:39:41 09/09/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

O Brasil anda tão distante das raízes de qualquer  jogo com os pés,  que não mete medo em ninguém no futebol de areia nem no futebol de salão, abreviado em sinal de decadência servil para futsal. 

Divulgação


O Brasil festejou a vitória de 4x3 sobre a Sérvia no início da semana em preparativos para a Copa do Mundo que começa hoje na Lituânia. Sérvias e Lituânias eram tratadas como Ferroviários e Riachuelos, sacos de pancada do futebol potiguar no período ancestral. 

O que chamou a atenção foi a notícia de que a nomenclatura dos dois principais jogadores do futsal é autoexplicativa. Parece dupla sertaneja,  o par festejado pelos sites e resenhas do Sportv. Os Jararaca e Ratinho de tênis chamam-se – fofos, formosos -, Dyego e Dieguinho. 

Imaginei logo uma incursão rápida do negão Toté (ABC 1990/91), maior carniceiro dos gramados do Rio Grande do Norte, passando as chuteiras assassinas nas canelas dos bons meninos, criados para obedecer a esquemas feios, nunca para seguir o instinto e a categoria da qual não dispõem.

É com Dyego e Dieguinho que o Brasil tentará recuperar o domínio de um esporte genuinamente seu. Há cinco anos, perdeu a classificação às semifinais para o Irã dos Aiatolás(rima proposital) e deixou a Argentina, velho freguês, chegar ao título. 

Quem viu o que minha geração viu no futebol de salão – e não futsal -, não pode se conformar com a dupla de fofinhos Dyego e Dieguinho. Apanhariam de 8x0, repito, 8x0, do seguinte time potiguar: Boinho, o paredão; Sílvio, o monstro, Dennis, o solista, Gileno, o matador ou Juca, o múltiplo e o impiedoso Agamenon. Ou: Matheus; Charles, Anderson, Revson e Dentinho. 

Assisti ao primeiro mundial. Em 1982. O gênio chamava-se Jackson, canhoto mineiro de cola nos pés. A bola grudava, ele não a soltava e driblava  no centímetro quadrado. Dois anos depois, Jackson brilhava em Natal, na decisão dos Jogos Universitários Brasileiros. 

O bom time do Rio Grande do Norte, com Agamenon em esplendorosa forma, Juca, Ricardo Bezerra e Gileno, com Walmir de goleiro, conseguiu ir à final, perdendo por 6x2 no Palácio dos Esportes parecendo lata de sardinha de tanta gente. 

Jackson liderou uma geração que não ganhava dinheiro, todos trabalhavam. O pivô Douglas também empolgava. Girava e batia com força ou jeito, dependendo da própria vontade. 

Depois, vieram Jorginho e Vânder, os alas fantásticos, Manoel Tobias, o pensamento, Choco, abusado pivô de dribles estilosos. Um gaúcho, negro de fronteira, com cintura de roda de samba da Portela. 

Falcão foi o Pelé da bola pesada e tudo o que for dito sobre ele será pouco. Um fenômeno , esteta da bola. Dominava todos os fundamentos artísticos, fazia gols que deixavam a plateia boquiaberta e eufórica, junção do espetáculo perfeito. Lenísio, Simi, Danilo, Schumacher, os potiguares Joan e Cacau, outros 150, no mínimo, bailarinos que nos asseguravam o monopólio. 

Técnicos assemelhados a Manos, Dungas e Tites foram sacando os irreverentes pela disciplina tática do ridículo. Zagueiros duros, alas corredores, pivôs sem capacidade mínima de girar o corpo sobre o marcador e acertar o gol. Fim do futebol de salão. 

Jogar bola na areia, todo mundo do meu tempo se meteu a jogar. Muito fácil. Pés descalços, uma bola e o encantamento com jogadores fantásticos. Seleção brasileira com Zico, Cláudio Adão e Júnior, surrava quem aparecesse pela frente. Depois, os teóricos foram destruindo a modalidade. Catarino é nosso craque. Catarino. É, sim. O nome, não o adjetivo de grandeza. 

O Brasil perdeu para Senegal e foi eliminado da Copa do Mundo. Como numa triste sequência, a técnica, a ginga e o talento de berço e berçário foram sendo substituídos por esquemas covardes, acompanhando a mediocridade das quatro linhas do gramado. Tudo vai mal e radical no Brasil. No salão, na areia, na vida. Dyego e Dieguinho multiplicam o precário. Soframos com eles. 

Decisão 
O América deve encarnar o espírito do vencedor no jogo de amanhã contra o Itabaiana(SE). Ganhar não basta. Fundamental vencer com boa diferença de gols. O Itabaiana não perdeu fora de casa. Tem que  perder a primeira para o América. 

Esquerdinha  
Cadê o camisa 10 do América, que surgiu com brilho e sumiu nas sombras? Amanhã é jogo para quem dita regras no meio-campo e Esquerdinha será o mais cobrado. É justo.

Há 42 anos 
Itabaiana e América se enfrentaram pelo Brasileirão de 1979, aquele que teve 94 times e os sergipanos ganharam  no Batistão em Aracajú por 1x0, gol de Ricardo. 

Times 
O América jogou com Zé Luíz; Ivã Silva, Joel Natalino, Ivã Xavier(Vildomar) e Betinho; Roberto Gaúcho, Danilo Costa e Marinho Apolônio; Gilson Lopes, Oliveira Piauí e Davi. Técnico: Caiçara. 

Retrô quer B 
Adversário do ABC domingo na Arena Pernambuco, o Retrô planeja chegar à Série B em 2023. É meta definida pelo técnico Milton Mendes, obscuro lateral-direito reserva do Vasco e do Vasco demitido como técnico em 2017. 






Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.








Woden
Atualizado: 21:24:17 07/09/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Na edição de domingo da Tribuna do Norte,o maior de todos nós no jornal, mestre Woden Madruga, dedicou a parte nobre de sua coluna ao livro que concluí sobre o Estádio Juvenal Lamartine. Woden sempre foi para mim espelho do bem-escrever, da ironia fina, da perspicácia e do reconhecimento prévio dos bons e dos traiçoeiros. 

Divulgação


Temos conversado muito sobre esse livro, porque confio em Woden do jeito que meu pai confiava. Woden e sua sinceridade desconcertante ensinam, fazem o lançamento de um canto a outro do campo apontando o corredor certo para o gol ficar mais perto. 

 Não à toa, a ele dedico o livro, ele e  outros quatro amigos. Claro, Woden, quando eu tinha 18 anos e chegava à redação da Tribuna, deu força à minha contratação e me ajudava nas incertezas de um foca cheio de sonhos. 

Durante o Governo Garibaldi Filho, conversávamos todos os dias, boca da noite, ele questionando notícias enviadas e procurando o furo do repórter que nele jamais adormecerá. 

Woden,vascaíno por Ademir Menezes, Pinga e Roberto Dinamite, alvinegro por Jorginho, Danilo Menezes e Alberi, armador estilo Ipojucã, finalizador mortal à Romário. 

Quando ele ainda frequentava a redação, formava-se o círculo para ouvir suas histórias e seus ensinamentos. Porque em Woden, se vê a segurança do talento, puro, sem adereços, do craque, consagrado sem imposições. 

Semana 
Agora, tudo o que aconteceu na primeira fase da Série D, passou. Reclamar é bobagem a essa altura, pois não há nada a ser feito. 

Tensão 
ABC e América entram no matar ou morrer dos jogos eliminatórios, batalhas de tensão. Duelos onde não errar é mais importante do que  vencer. 

Iguais 
Hora em que todos se igualam na areia movediça da pior série do campeonato brasileiro. 

Vergonha 
A vergonha de Brasil x Argentina seria punida se o futebol fosse uma atividade séria. Também não teria havido o showzinho da Anvisa. Duvido tanto espetáculo se a pelada fosse Equador x Bolívia. 

Eduardo Rocha 
Justíssima proposta do presidente da Federação de Futebol, José Vanildo, para que seja homenageado o desembargador Eduardo Rocha, ex-presidente do América e criador da Liga e da Copa do Nordeste. É preciso valorizar quem faz golaços.

Peneira 
Preocupante a queda contínua do América. Contra o Central, a defesa presenteou o anfitrião com dois gols bizarros. 

Pequeno 
A pequenez do Vasco da Gama, ex-clube grande de futebol do meu coração, está na perda de respeito. No empate com o Brasil de Pelotas(RS) em 1x1, o Vasco confirmou minha tese: é melhor ficar na Série B ou cair para a C. O Vasco não tem mais categoria para a primeira divisão. Diretoria pagou semana passada, salários de abril. 

Ajudar Silvinho 
O advogado Sílvio Romero é meu amigo há mais 30 anos. Desde quando seu time perdia para o meu na quadrinha de esportes próxima à residência oficial do Governador do Esporte, imediações da AABB. Estávamos sempre na arquibancada do Castelão(Machadão) aos domingos, torcendo pelo ABC. 

Competição 
Silvio está numa luta que  deve ser à de todo mundo que é pai. Seu filho, Silvinho, classificou-se para o Mundial de Jiu-Jitsu em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Mas a viagem é cara e foi iniciada uma justa campanha de arrecadação para a viagem de Silvinho. 

Luta 
Quem quiser colaborar (seria um prêmio a mais para o garoto), deve depositar a quantia que puder no Banco do Brasil(agência 1588-1 e Conta/Corrente: 22813-3) ou na Caixa Econômica/Agência:2010/ Operação 001/Conta/Corrente15256-9). Só um pai sabe o quanto é importante batalhar por um filho. 

Dom Pedro ou Pedro Álvares 
Uma autoridade pública e devidamente constituída anunciou que Pedro Álvares Cabral declarou a independência do Brasil. Talvez no Rio das Quintas, não às margens do Ipiranga. É bom cientificar o  MEC. 

Lei do Esporte 
Pesquisadores e representantes de entidades ligadas ao esporte no Brasil e no mundo apresentaram à Câmara dos Deputados, sugestões para a formulação de uma lei geral do esporte no País. Eles participaram de audiência pública conjunta da Comissão do Esporte e da comissão especial que analisa o Projeto de Lei 1153/19, que altera a Lei Pelé.

Abrangência 
Na avaliação dos debatedores, a legislação atual, incluindo a Lei Pelé, não abrange todas dimensões do esporte – educacional, de participação e de rendimento – e, portanto, não é vista como uma política pública efetiva para o setor.

População 
"Uma lei do esporte tem que ser para atletas, mas tem que ser para a população também. E tem que ter um cuidado especial com crianças e adolescentes. No esporte para atleta, o participante deve se adaptar às regras do esporte. 

Adaptação 
No esporte para a população, as regras devem se adaptar às pessoas”, disse José Roberto Gnecco, ex-representante brasileiro no Comitê para a Educação Física e o Esporte da Unesco – braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a educação, a ciência e a cultura.






Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.







Meia-armador
Atualizado: 15:24:18 04/09/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Inevitável abrir o baú de preciosidades do futebol brasileiro para compreender que a nobre função de meia-armador, de criador de jogadas na área de inteligência no campo, foi ocupada na seleção brasileira pela última vez em 1994 no monótono futebol de Raí, titular barrado pelo volante Mazinho na Copa do Mundo dos Estados Unidos, a Copa que Romário resolveu para nós.

Reprodução
Bruno Guimarães e Gerson

Bruno Guimarães e Gerson


Raí usava a camisa 10 e, mesmo compondo o meio-campo com Mauro Silva, um centauro e Dunga, outro vigoroso, melhor que Mauro Silva, não chegava na área como planejava Parreira.

Raí se misturava aos protetores de zaga  e nem marcava, tampouco luzia na criação de lances primorosos, ele que ostentava o campeonato mundial de 1992 pelo São Paulo ofensivo de Telê Santana.

Corajoso fosse Parreira, teria mantido o time com Mauro Silva, Raí, o fugaz Luiz Henrique na função tradicional do meio-campo de três homens e o quarto, o carregador de piano fechando da esquerda para o círculo central.

Papel iniciado por Valdo e depois exercido, em exagero tímido, pelo canhoto Zinho, ponta-esquerda agressivo revelado pelo Flamengo e deturpado à imitação de Zagallo, voltando para permitir que os meias criassem.

Ocorre que Luiz Henrique, do Bahia, depois do Palmeiras e do Fluminense, desaprendeu a jogar na França e o outro meia-atacante, repito, o cara nascido para encostar em Bebeto e Romário, era Palhinha do São Paulo, cortado ainda nas Eliminatórias sob a desagradável reputação de traíra, o sonso que tumultua o ambiente.

Todos esses fatos agradavam a Parreira, da escola Zagalliana de, primeiro o 0x0 para depois o 2x1, no máximo. Ficaram três marcadores rigorosos e Zinho também rodando em torno da bola.

A mutilação do criativo de estilo sóbrio, hábil e com visão ampla do campo, posicionado logo após o camisa 5 tradicional, veio  com Lazaroni. Não, não surgiu  com o pior técnico da história das Copas do Mundo.

Começou com Cláudio Coutinho em 1978, primeiro com o nervoso Cerezo e Batista e, depois, com o truculento Chicão e Batista, que não era exatamente uma flor de talento.

Crime foi Telê Santana, derrotado em 1982, por erros na defesa e um centroavante(Serginho Chulapa), atrapalhando de zagueiro central da Itália, escalar, em 1986, Elzo e Alemão onde pontificavam Cerezo(bom de bola, ruim de coragem) e o gênio Falcão. Júnior, lateral-esquerdo de origem, jogava na armação.

Em 1990, Lazaroni tinha dois jogadores moldados à função de armador: Geovani do Vasco e do Bologna(ITA) e Silas, do São Paulo e do Sporting(POR). Técnicos, refinados, jogavam junto a Dunga, refazendo o formato bonito depois que a bola era tomada em carrinhos sequenciais.

Até Neto, do Corinthians, poderia ter ido com Geovani à Copa do Mundo da Itália. Silas seguiu sozinho. Não jogou meia hora. Lazaroni adorava Alemão. Maradona também. Jogava com ele no Napoli e o humilhou, junto com Dunga e os Ricardos enfileirados até Caniggia fulminar Taffarel no 1x0 da Argentina.

O Brasil, para se reencontrar com sua natureza clássica no meio-campo, precisa insistir com Bruno Guimarães. Ou Gerson. Os caras tocam  bola com leveza, Bruno  foi o melhor do time na Olimpíada. Eles sabem enfiar passe de mais de 20 metros, driblam,amortecem a bola, fazem duas ou três embaixadinhas.

São o mais perto do que teríamos de meia-armador. Não, não precisam ser Didi, Gerson Canhota, Sócrates,  Djalminha ou Alex, mais dois punidos pelo que de bom jogavam. Basta o mínimo de diálogo, de diplomacia, com a pobre e agredida bola.

América
O desafio maior desta tarde é do América, de olho no seu jogo contra o Central em Caruaru e na partida do Campinense em Campina Grande contra o terrível e lanterninha Caucaia. À boca pequena, indícios de bicho do Campinense para o Central. Só um milagre livrará o Caucaia de uma surra corretiva.

Mata-mata
Amanhã, já se respira mata-mata, com o ABC enfrentando provavelmente o Retrô, que demitiu seu técnico Luizinho Vieira, mesmo estando entre os quatro primeiros do Grupo 4 e o América pegando um sergipano, se for terceiro, jogará a decisão fora de casa, o que é ruim.

Porte
A CPI da Arena das Dunas  se arrasta feito fantasma acorrentado e  teria outro caminho com um líder  mais experiente, conhecedor das manhas da Assembleia Legislativa. Um Getúlio Rêgo, um José Dias, gente que não tem necessidade de aparecer apenas para ser parágrafo de blog.

Há 37 anos
No dia 5 de setembro de 1984, eu era um dos 2.594 pagantes vendo ABC 0x0 América pela primeira partida da final do segundo turno estadual. Jogo no  Estádio Juvenal Lamartine.

Times
ABC: Carioca; Joel, Jailson, Arié e Vassil; Noé Macunaíma, Nicácio e Marinho Apolônio; Curió, Valença e Rômulo(Zezito). Técnico: Ferdinando Teixeira. América: Eugênio; Jailton, Saraiva, Edson e Júlio César; Baltazar, Didi Duarte e Valério; Sandoval,Sérgio Cabral(Mirabor) e Ramos(Soares). Técnico: Otávio César.

No fogo
Com a expulsão de Carioca, o goleiro Zezito entrou no fogo e não decepcionou. Valério levou vermelho no América.



Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

Dono da bola
Atualizado: 22:40:28 02/09/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Chegou a 91% a posse de bola do Manchester City na recente goleada de 5x0 sobre o Arsenal pelo campeonato inglês. Desempenho de Santos de Pelé, Real Madrid de Di Stéfano, Ajax de Cruijjf, Flamengo de Zico, Barcelona de Messi. É o fantástico Pep Guardiola, único ser humano no planeta a ser chamado de técnico, de apreciador do jogo belo. Os outros são treinadores, domadores de esquemas táticos de contenção. 

Divulgação


Manchester City x Arsenal é clássico e o Arsenal passou vergonha, correndo, cercando, tentando atalhar os deslocamentos constantes do adversário. Ficou rodando igual a pião sem rumo. O Manchester City tem um craque: Sterling, neguinho da bunda grande e camisa 10 do English Team. Os outros são bons jogadores. 

Pep Guardiola é espetacular. Fazer seu time ficar com a bola em 91% de uma partida é trabalho de perfeccionista. O Manchester não é o Barcelona de Messi, Iniesta e Xavi, do início da segunda metade desta década. Eis o impressionante: jogadores limitados se sobrepõem às suas divisas pessoais e se transformam em imbatíveis pela sensibilidade de um técnico que não é simplesmente técnico, mas uma filosofia. 

Ocorre tudo sem pressa no time de Guardiola. Que toca para um lado, toca para o outro, toca para a frente, ataca o oponente como uma divisão de infantaria dos Seals norte-americanos. 

A letalidade ofensiva é inevitável e não cruel porque é bonita. Pep Guardiola gosta do seu time tratando a bola, ninguém vê chutões de zagueiros toscos, caneladas de volantes paupérrimos de recursos tampouco força extrema de atacantes trombadores. Para jogar com Guardiola, é preciso saber tocar com classe e perícia. 

Está na hora de o fã  do Brasil de Zico, Sócrates e Falcão  de 1982, que inspirou seu jeito de fazer jogar os times que monta, assumir uma seleção. Uma seleção de alto nível. Uma seleção que possa disputar uma Copa do Mundo para vencer. 

Claro que Guardiola levaria tempo para convencer jogadores afeitos ao trivial das pranchetas e numerologias de táticas risíveis a se enquadrar na liberdade pragmática que consegue humilhar concorrentes fortes, como era feito com o Real Madrid nos idos do Barcelona. 

O Brasil seria outro com Guardiola mandando. Aposto em mais de 80% dos treinadores retranqueiros e jogadores obtusos e boçais procurando outro país ou outra atividade para sobreviver. Aquele Fred adorado por Tite no meio-campo, seria expurgado dentro de uma nave espacial com destino a Saturno, onde ficaria até o fim de sua vida. É um dos piores jogadores da história da seleção desde Batatais, goleiro na Copa de 1938. 

Pep Guardiola poderia ressuscitar a Argentina, tornar a Colômbia competitiva, transformar o México em esquadrão, dar charme ao compenetrado estilo alemão, poderia, quem sabe, fazer a Bolívia perder de menos de oito gols de diferença. Diferença que Guardiola faz por ser o solitário vingador do futebol-arte. 

Reta final 
O companheiro Marcos Lopes divulgou o regulamento da fase final da Série D e é muito bom todo mundo conhecê-lo ou  revisitá-lo. 

Empate 
Importante saber, pela ordem, os critérios de desempate entre duas ou mais equipes. É bom anotar e prestar atenção. 

Critérios 
Pela ordem: maior número de vitórias, saldo de gols, gols marcados, confronto direto, menor número de cartões vermelhos recebidos e menor número de cartões amarelos tomados. Se prevalecer o empate, aí o tenebroso sorteio define a parada. 

Roberto Vital 
Direto das Paralimpíadas, o médico do ABC, Roberto Vital, segue dando seu show. Roberto é uma das grandes figuras humanas do esporte. 

Bem servido 
O Rio Grande do Norte está bem servido na parte de medicina esportiva, com Maeterlinck Rêgo e seus filhos Marcelo, Márcio e Marquinhos e Roberto Vital. Todos com categoria nacional. E internacional, pois Maeterlinck Rêgo coordenou a parte médica da Copa do Mundo em Natal em 2014. 

Livro 
Terminei meu livro(será o sexto) sobre o Estádio Juvenal Lamartine. Será, como sempre faço, uma ampla reportagem, com dados até então desconhecidos. Uma passarela de tantos craques desfilando, o JL não pode nunca ser demolido. É para funcionar, sediando jogos, como acontece em João Pessoa, Goiânia, Cuiabá e Fortaleza com os estádios menores. 

Título 
O livro se chamará Juvenal Lamartine, Primeiro Estádio, Minha Versão. Vivi o JL em minha infância quando ele já não sediava jogos profissionais, mas campeonatos de segunda divisão, Matutão e categorias de base.

Pesquisa difícil 
Pesquisa difícil, porque a turma do passado não se preocupava muito com detalhes, minúcias, escalações, gols, sequência de assuntos. Mas o que foi encontrado tornou-se de grande utilidade. 

Campeonatos 
Presenciei, com intensidade, os anos de 1984, 1986 e 1997, três anos em que o campeonato voltou ao JL por problemas no Castelão(Machadão). Fui às preliminares e principais respirar o vento dos sonhos dos veteranos que viram Alberi, Jorginho, Saquinho, Pancinha, Icário e Vasconcelos dando espetáculo. 

Orobó 
Tiago Orobó, atacante do América em 2020, sem maiores repercussões, deixa o Fortaleza pelo Al Jabalain(Arábia Saudita). 







Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.













Minha camisa
Atualizado: 00:23:10 01/09/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Quero minha camisa do Paris Saint-Germain, novo time do pleonasmo.  Novo time do melhor jogador do mundo. Do único gênio da bola no planeta. De Messi. Do exclusivo  cara de hoje nivelado a Maradona, Zico, Cruijff, Puskas, Di Stéfano, Beckenbauer, Romário, Rivellino, Overath, Didi, Garrincha, Paulo Roberto Falcão e George Best, o louco irlandês driblador. Pelé não se compara.

Divulgação


Messi me mantém crente na força do futebol. Na energia capaz de iluminar meus olhos, fazê-los chorar de alegria, no seu infinito cardápio de jogadas delirantes. Da arrancada fulminante parta ele de que lado esteja do gramado, cortando caminhos da esquerda para a direita e no sentido inverso, bola colada ao pé canhoto e sem nenhum ser humano vivo e atuante capaz de tirá-la do craque. 

No futebol de hoje, Messi é o único que sempre será conjugado no tempo presente. Ele é e não está melhor do mundo. Ganhe ou perca, o reinado é dele, que desfila dons divinos, incomparáveis, na construção ofensiva que o mundo recuperou tão logo ele foi escalado titular do Barcelona. 

Continuarei torcendo pelo Barça, que, em determinado período difícil, dos muitos que venho passando há cinco anos, quando a sanha da perseguição atingiu a mim e à minha família(atingiu minha família,  nunca vou perdoar), se transformou na única razão  capaz de me fazer sorrir, hábito perdido diante de tanta covardia contra mim. Deus está me fazendo renascer. 

O Barça de Xavi, Iniesta e Messi é verbete de alegria, de toque de bola consciente, rápido e imarcável. As fintas vinham em cardápio variado, nem a visão das jogadas mágicas pelo Youtube permitia a qualquer emergente sequer imitar o trio do clube catalão, que virou comum e poderá, sem Messi, ser saco de pancadas do Real Madrid. 

Será muito bom assistir ao Campeonato Francês, minha prioridade, apenas por Messi. Ele rejuvenesce e apresentará novas notas musicais ao repertório moleque e elétrico.

Será bom ver Neymar e Messi outra vez juntos, mais maduros, porque Neymar, apesar de antipático e esnobe, joga muita bola, tenho de admitir. Com Messi, poderá melhorar mais. 

Seria  bom se  o PSG vendesse Mbppé ao Real Madrid. Mbppé nasceu para ser dono de time sozinho, não é do tipo que divida palco. Com Messi, ele jamais será o primeiro. Com Messi, na circunstância a se apresentar, disputa-se a partir do segundo lugar. 

O Real Madrid abriu o bolso e chegou a oferecer 180 milhões de euros, ou 1,1 bilhão de reais. É grana que professor de matemática teria dificuldades em contar, cédula por cédula. O PSG topava fazer negócio recebendo 200 milhões de euros e 2 bilhões de reais. Real recuou. 

A fase é do blefe, das jogadas de bastidores, da tentativa de um clube matar o outro pelo cansaço. Mbppé é fantástico, mas inferior a Messi e a Cristiano Ronaldo. Mbppé daria certíssimo no Real Madrid fazendo dupla com Benzemá. 

A concentração de todos os cobras num só time, diminuiria a competitividade. Ideal é Messi num canto, Cristiano Ronaldo noutro, Mbppé em casa nova para que as competições europeias continuem sendo mais atraentes do que a própria Copa do Mundo e iguais em motivação à Eurocopa. 

A camisa de Messi no PSG é azul e eu aprecio a cor. Menos do que idolatro Messi. Vou comprar uma, tamanho GG, seja oficial, que deve ser bem cara, ou uma genérica, lá nos camelôs do Alecrim. Vestido de Messi, serei obediente e apaixonado soldado. Batendo continências aos frutos sagrados que a Pulga, o Pleonasmo, semeia em  relação erótica, ele e a bola. 

Confrontos 
Passada a rodada do final de semana, os confrontos para o primeiro mata-mata da Série D seriam: Castanhal x Paragominas, Itabaiana x Campinense, 4 de julho x Penarol, ABC x Retrô(PE), São Raimundo(RR) x Moto Clube, América x Sergipe, Guarany de Sobral x Galvez. 

E mais
Tudo pode mudar na rodada final, mas por enquanto, também teríamos: Aparecidense x Uberlândia, Joinville x Santo André, Caldense x Nova Mutum, Portuguesa x Marcílio Dias, Ferroviária x Brasiliense, Cianorte x Esportivo, União Rondonópolis x Boa Esporte e Cascavel x Boavista. 

Força 
Provável adversário do ABC, o Retrê tem no volante Yago, ex-Vasco(RJ) e Thiago de Souza, meia-esquerda, ex-América como destaques. . O correto seria o ABC sair do primeiro jogo com vitória fora de casa.

Zé Ary
Em todas as noites de domingo, com humor e voz gutural, José Ary – morreu domingo - alegrou a cidade pelas transmissões pela TV Universitária. Ele criou a expressão “Canal 5”, que logo se tornou febre. 

Graças a Deus 
Em 1985, o ABC goleou o extinto Atlético por 8x1 no Castelão. Ao encerrar a transmissão,José Ary disparou: “Graças a Deus, torcedor, acabou essa pelada de quinta categoria. Os 22 não jogam nem no Bangu das Capoeiras”. O Bangu das Capoeiras era time de comunidade quilombola na região de Macaíba. 

Aconteceu 
José Ary aconteceu, seu grito de gol, porque sempre será. 






Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.







Livro de Jorginho
Atualizado: 22:26:36 28/08/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Um século entrou pelo outro para que fosse resgatada a história de Jorginho Tavares, o Professor, supercraque de estatura mínima e futebol gigantesco. Jorginho driblava como profissão de fé e fazia gols suaves, imorredouros, gols de artes plásticas.

O livro sobre a vida de Jorginho, maior artilheiro da história do ABC com 219 gols, será lançado próxima quinta-feira(02/09), às 19h30 na Afurn, Rua das Violetas, 6288, Mirassol, Zona Sul de Natal. Jorginho Tavares, O Professor da Bola, é assinado pelo filho da lenda, Jorge Tavares Filho(jogava muito quando adolescente) e pelo jornalista Rodrigo Ferreira, uma das boas novas do ofício do bem escrever.

Quem cuida de tudo é o também jornalista Rafael Morais. Ele e Rodrigo merecem todas as bênçãos pela luta de trazer Jorginho de volta, com ou sem pandemia. Até porque, Jorginho enfiaria uma caneta no Covid-19, pegaria do outro lado, driblaria cinco marcadores, invadiria  a grande área do gol de entrada do Estádio Juvenal Lamartine e bateria na bola como se a estivesse acariciando.

Quando menino, papai, dirigindo, apontava para um senhor pequenino de capacete numa motocicleta e apontava orgulhoso: “Olhe bem para esse baixinho. Ele não era um jogador de futebol. Ele era um mágico. Eu me orgulho de ter visto Jorginho transformar o Juvenal Lamartine numa apoteose carnavalesca. Jorginho era dono do campo nos anos 1950 e 60.”

Eu olhava o homem que trabalhava na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN) fazendo trabalho de entrega de documentos. E me maldizia, por ser tão novo, por não ter vivido o tempo do meu pai. E de Jorginho.

Terminei meu sexto livro, Juvenal Lamartine, Primeiro Estádio, Minha Versão, sobre a história, também esquecida, do teatrinho da bola. E, de maneira transcendental, me tornei íntimo de  Jorginho durante as pesquisas, entrevistas e coleta de fotografias.

Ele desafiava a lógica corporal do atleta. E, em determinado depoimento, “fazia o estádio parar quando pisava na bola diante do marcador aterrorizado”. Jorginho, abusado, enfiou a bola por entre as pernas de Bellini, pomposo capitão do título mundial brasileiro na Suécia. O jogo foi em 1960 e Bellini se encantou com a ousadia do governador ou prefeito do humilde estádio.

O mistério que sempre cercou a figura de Jorginho se desfaz nas minhas conversas com o professor Woden Madruga. Woden é fã de Jorginho e da sua simplicidade. No trato pessoal e, sobretudo, na capacidade de destruir um time inteiro aos malabarismos com a bola de capotão.

O livro sobre Jorginho é um acontecimento da cidade. Jorginho foi das figuras maiores de Natal em seu tempo, referência da alegria de um jogo de bola. Há quem prefira ser pernóstico desnudando  a composição erudita da flatulência de um pensador croata.

De verdade, essencial,  é quem  sentou a bunda em arquibancada de cimento. Esse conhece a vida real. Esse é declaração de glória, atestado de genialidade, de Jorginho, ele sim, o Professor. 

 Absurdo

Para amarrar as chuteiras de Jorginho, o jogador Willian, ex-Corinthians, teria de enfrentar uma fila de Natal a Parnamirim, indo pela contramão por São Gonçalo do Amarante.

Willian era reserva do timeco brasileiro que apanhou de 7x1 na Alemanha na Copa de 2014, a farra das arenas. O cara ser banco  de um time daquele é depoimento contra.

Daquela seleção de 2014, apenas Neymar guardava alguma semelhança com um jogador de futebol, ainda assim, bem abaixo das piruetas contra Pirassunungas e Ferroviárias de Araraquara.

Neymar escapou do vexame porque tomou um tranco feroz de um colombiano. Não teria acrescentado nada à vergonha que se estabeleceu como a maior do esporte brasileiro, nunca a derrota de 2x1 para o Uruguai no Maracanã onde cabiam 200 mil pessoas.

Acontece que o Corinthians quer Willian de novo. Ele está no come e dorme no Arsenal da Inglaterra, que cansou de esperar por alguma luminosidade em suas chuteiras e concluiu que Willian não passa de um jogador comum, trivial, sem capacidade de decidir, de chamar o jogo, enfim, de dizer à Didi, o Míster Futebol: “Joga em mim que eu resolvo.” E resolvia. No Fluminense, no Botafogo e na seleção brasileira no bicampeonato de 1958 e 1962.

O problema para a volta de Willian, que segundo os antipáticos de resenha em TV paga é um meia-atacante, é grana. Willian ganha, por semana, 700 mil reais. Isso. Vezes quatro, dois milhões e oitocentos por mês. É muito? Sem sacanagem, 15 mil estariam muito bem postos na conta de Willian por mês.

É tanto dinheiro que Willian não é culpado de jogar com preguiça, aliada à falta de talento. Quem ganha 700 mil mangos por semana, não está nem aí para patriotismo ou dividida de alto risco.

O futebol está maluco. Willian ganhando mais do que faturaram Romário, Zico, Sócrates, Falcão, Leandro, Marinho Chagas,  Éder, Reinaldo, Gerson, Didi, Rivelino, Bebeto, Geovani,  Ademir da Guia, Edu, Jairzinho, Garrincha, Tostão, PC Caju, Dirceu Lopes é crime. Lesa-futebol.

Artigos e colunas publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.
Fora de Moda
Atualizado: 23:59:51 26/08/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

O professor Sérgio Trindade é meu irmão-amigo. Desde 1985, sem ranhuras na convivência. Na adolescência, companheiro de Estádio Machadão – especificamente do Bar 18 pelas formas violoncélicas  da vendedora -, de botequins e do Nira Drink’s, segunda metade dos anos 1980, espaço altamente familiar logo no início da Avenida Ayrton Senna, na Zona Sul de Natal, onde confraternizávamos com loiras genéricas de batons discretíssimos e sentimento nada monetário de carinho.

Reprodução
Rubens Lemos Filho

Rubens Lemos Filho


Até pouco tempo, até uns dez dias, Sérgio era tão retraído, que passaria o Carnaval em Olinda sem emitir um grunhido. Pois ele mudou e me rebaixou à quinta divisão da importância.

Sérgio agora é um ciclista. Não daqueles de Calói, Monark com o escudo do ABC ou do América abaixo da sela. É um atleta, um macho alpha, usa capacete e – para meu espanto decepcionado – short de lycra deixando  a geografia corporal apolínea e bem saliente.

Errado estou  na entrega ao sedentarismo. No isolamento social por medo da Covid, por opção e decepções. Os caras da minha geração – Sérgio é um deles -, chegam aos cinquenta ocupando o final de semana sem o sacrifício de levar o copo de cerveja à boca.

Os cinquentões do passado eram compenetrados e jogavam futebol. Para beber. O negócio hoje é se exercitar em movimento e em bando, correndo no asfalto como uma ninhada de ninjas de preto.

O resultado pode ser contemplado, no meu caso não invejado, nas redes sociais. São casais casados, amancebados, enamorados, divorciados, passeando não, vencendo curvas e retas em musculatura  de fazer inveja aos meninos e meninas da turma do .com, da patota que se beija pela tela do computador ou smartphone de última geração.

 Estou impedido de me entrosar  com meus contemporâneos, pois não desejo novas amizades – as que tenho são suficientes e as que perdi não eram amizades-, e pelo mísero detalhe de que jamais soube manobrar uma bicicleta. Sérgio, qualquer dia desses, vai e volta de Florânia, sua terra, galgando 460 quilômetros. Sob meus sinceros aplausos. Bocejando, fora de moda e assistindo Netflix. 

Decisão
O ABC, com quatro pontos de folga na liderança, deve prestar atenção ao Sousa no duelo de amanhã. O Sousa tem 13 pontos e, matematicamente, está em condições de brigar pela quarta vaga se alcançar duas vitórias nas rodadas finais.

América
Resolver a parte aérea da defesa e ressuscitar o meio-campo são duas tarefas fundamentais para o América no jogo decisivo de amanhã contra o Campinense.

Só dois Somente o Central, com 11 pontos e, definitivamente o Caucaia, com oito, são considerados fora da briga. Eliminado na primeira fase da Série D é de envergonhar qualquer biografia.

Ranielle
O técnico do Campinense, ex-comandante abecedista Ranielle Ribeiro, festejou a vaga à segunda fase da Série D, mas considera vital o jogo de amanhã contra o América, quando uma vitória decidirá quem fica com a vaga número 2 e a vantagem de jogar em casa a decisiva do próximo mata-mata.

Estilo Por estilo, Ranielle joga nos contragolpes. É adepto do 1x0 sempre é melhor do que o 4x1. E que, se for para arriscar, é melhor empatar. Foi um raçudo jogador de futebol de salão. Não tremia fora de casa.

Seletivo Há 35 anos, completados ontem, dia 24 de agosto de 1986, ABC e América empatavam em 1x1 pelo seletivo por uma vaga à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. O América, que venceu a primeira partida por 1x0, se classificou. O meia Jair, ex-Inter(RS), fez 1x0 para o ABC e Roberto empatou para o América aos 39 minutos do segundo tempo. Eu estava entre os 3.027 pagantes no Castelão.

Times
O América conseguiu a vaga com Eugênio; Jailton, Edson, Medeiros e Júlio César(Belchior); Baltazar, Sousa Carioca e Severinho; Sérgio Cabral(Roberto), Mirabor e Ramos. Técnico: Hélcio Jacaré; ABC: Washington; Tiê, Luís Oliveira, Sérgio Poti e Júlio; Alciney, Noé Macunaíma, Jair e Adalberto; Bendelack e Isaías(Sandoval). Técnico: Armando Viana.

Proteção
A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou proposta que exige de entidades esportivas a adoção de medidas de proteção de crianças e adolescentes contra a violência sexual, como condição para receberem recursos de órgãos da administração pública direta e indireta.

Bancos e times
O projeto original alcança apenas os bancos públicos e os times de futebol, alterando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O substitutivo da Comissão do Esporte modifica a Lei 9615/98, que institui normas gerais sobre desporto, e amplia o alcance da proposta inicial para todas as modalidades desportivas, para todas as entidades desportivas, clubes ou não, e para toda e qualquer forma de recebimento de recurso público.

Arena das Dunas
Enquanto a CPI da Covid mostra pauta constante, a da Arena das Dunas vem sendo pífia, anêmica. Há muito o que ser apurado. Desempenho sofrível menos  pelos demais componentes. Mais pelo seu “comando ideológico”. Arrogante.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.
Chegando a hora
Atualizado: 23:01:19 24/08/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Série D jamais será campeonato, sempre será calvário. É animador que estejamos a duas rodadas do fim da interminável primeira fase. O ABC disparado na liderança do seu grupo, o 3, deve enfrentar o Retrô, time de empresários, mais interessado em negócios do que em títulos. O Retrô é o quarto colocado do Grupo 4.

Reprodução
Gustavo Henrique comemorando contra o América

Gustavo Henrique comemorando contra o América



O América, pela derrota de domingo para o ABC por 3x1, ainda é o segundo colocado nos critérios técnicos, mas está empatado em número de pontos ganhos – 21 -, com o Campinense, contra quem fará um confronto mortal no sábado, às 16horas, na Arena das Dunas.

O América não pode mais errar. O América pareceu cansar no segundo tempo contra o ABC, pareceu , como diziam nas peladas de minha infância “pregado”. Sem forças, foi visível. Não adianta matar o time no treino para fazer feio quando valem três pontos.

 Para subir à Série C, é preciso passar por três fases eliminatórias. É fundamental o direito de jogar a segunda partida em casa, que o ABC vem mantendo e o América está correndo o risco de perder. O América pegaria o Sergipe. Se for terceiro, em desvantagem no mando de campo, encara outro sergipano, o Itabaiana. Quem lidera a chave 4 é a Juazeirense(BA), que já eliminou o América em Série D.

É briga de foice no escuro. Ninguém é de ninguém na selva da Série D. Qualquer clube de fachada fundado há dois anos pode superar clube tradicional, com títulos e boas campanhas na Série A do Campeonato Brasileiro.  Vale a transpiração, não a inspiração.

O exemplo da melancolia da Série D estava na solidão do Fantão, o Elefante mascote do ABC, impaciente subindo degraus da arquibancada vazia ou parado, olhando para o vazio de um setor onde pulsa a emoção da massa. Fantão é elefante, mas tem sentimento.

Claro que a culpada pela falta de público nos estádios é a Covid-19 – para mim, nenhuma medida de precaução mudou -, mas a ruindade do futebol contribui para o desânimo.  O ABC 3x1 América poderia ter sido favorável ao América, se seu meio-campo não houvesse dormido, especialmente o seu criativo-mor, Esquerdinha, decepcionante, apesar do gol feito, gol presenteado pela terrível defesa do ABC.

Quem ama o futebol não admite jogador profissional, treinado, envolto nas tecnologias que não substituem o talento, nas terminologias complicadas e nas filosofias táticas absurdas, dominar uma bola de canela, bola esta vinda de uma cobrança de lateral. Não pode tolerar um atacante, sozinho com o goleiro, bater de tornozelo, bola saindo maltratada pela linha de fundo.

O não perder passou a mandamento primordial. Fazer gol, caso seja prêmio do acaso. Aconteceu no ABC x América, no primeiro gol do ABC. Wellington rebateu na defesa e a bola caiu prontinha para Gustavo Henrique invadir a área e tirar do goleiro.

Com 25 pontos, líder absoluto, o ABC não dispõe do principal instrumento de um time, um meio de campo razoável, minimamente criativo. O meio-campo, quando inventaram o futebol, foi pensado como área e inteligência, organização e criatividade. No Brasil, para jogar por lá, só sabendo muito de técnica, de drible e de lançamento.

Treinadores burros, incompetentes e medrosos, deformaram a meia-cancha. De espaço de liberdade e improvisação, virou bunker de cabeças de bagre violentos e maratonistas, homens mais adequados ao atletismo, ao boxe e ao MMA do que ao uso correto de um par de chuteiras.

 O ABC, líder, tem mais de 20 jogadores em seu elenco, mas não conta com um, unzinho sequer, para inverter jogada, abrir espaços na defesa adversária ou enfiar bolas em pontos onde só ele seria capaz de enxergar.

É uma pobreza tão acintosa que a torcida ora à Nossa Senhora da Apresentação, pela volta do ligeiro e voluntarioso Negueba. Depender de Negueba, para quem já teve Danilo Menezes, dói. No saco. Lado esquerdo.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.