Mitologia do drible
Atualizado: 22:44:25 19/05/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Meu caro amigo,você que me honra desperdiçando seu precioso tempo em alguns minutos nesta coluna. Quem é,de fato, o algoz e quem expõe pavor na expressão corporal?A foto é de 1963, do primoroso jornalista Oldemário Touguinhó, do Jornal do Brasil. Nela,Garrincha está em alegria plena. Executaria o mais lindo dos fundamentos do futebol,Garrincha que dele foi pai: o drible. 

Sim, amigo, que vive a angústia da mediocridade atual e se arranja, feito eu, em deliciosas imagens dos verdadeiros monarcas da bola brasileira: o drible é a supremacia irreverente e absoluta de um homem sobre outro sem violência e com esbanjamento do verbo improvisar. Reverencio o driblador. Reverenciava, porque  não existe mais. 

E o gol, Rubens Lemos, não seria o mais importante enquanto você se perde em delírios, se entrega a devaneios? O gol, o golaço, o gol espírita, o gol de bunda, é,  no futebol,  o peso do martelo nas sentenças dos homens. O gol é inflexível, inegociável, definidor. 

Peço compreensão a um romântico. O drible é a flor da mulher amada, mesmo que não aceite o ramalhete. O drible consegue unir na fração do segundo, o cérebro e os pés pela ponte da inteligência sagaz, da artimanha vocacional, da chacota de um programa do Chacrinha(mais novos, pesquisem Chacrinha na Wikipedia). 

Sou fervoroso defensor do compartilhamento na vida fora dos gramados e defensor intransigente do individualismo  dentro das quatro linhas. 

 O que me fez adorar o futebol foram os dribles dos meus craques de infância, amigos de rua, Tércio e Didica, dois ungidos pelo poder de passar por dentro de irrecuperáveis iguais a mim. 

Amo o drible. Amo Garrincha. Que driblava sem intenção de humilhar e desmoralizando. Amigos, Garrincha, em três minutos contra a Rússia em 1958, fez o jogo pender ao lado direito, deixando companheiros e adversários perplexos com o baile no pobre lateral Kusnetsov, que entrou em colapso emocional no intervalo. 

Garrincha pairava sobre os estádios, campinhos e várzea nas ventanias sudoestes, pessoalmente ou em forma de  fantasma anarquista. Durante e depois de Garrincha, todos os laterais-esquerdos do mundo entravam em campo amedrontados, quase a pedir um segurança armado por 90 minutos. Seriam dois humilhados: o jogador e o jagunço. 

O mais belo entre os dribles de Garrincha está no replay de Brasil 2x1 Espanha na Copa do Mundo que Mané ganhou sozinho tal Maradona em 1986 e Romário oito anos depois. Mané está na linha lateral pela direita do ataque canarinho. Recebe, embalado em papel machê, o passe de Didi, o criador. 

O marcador da Espanha, de suntuoso nome, Echeberría , parte com a fúria taurina de um Bodacious, o mais violento. Garrincha recebe a bola e cria sua câmera lenta pessoal. Na recepção a Echeberría, resolve avacalhar a cena.

Dá um toque, o perseguidor derrapa como trem sem condutor. Echeberría não consegue freio. Garrincha, ao primeiro bater na bola, toureiro, afasta o corpo, gira-o à frente do campo e segue enfileirando espanhóis ao sabor de Paella. Echeberría virou joia de quinta categoria. 

Então, meu amigo de diálogo, monótono por formatação, senti uma piedade plena do pobre homem de camisa 2. O sorriso de Garrincha prenuncia a humilhação habitual e dominical de seus inúteis perseguidores: Coronel(Vasco), Jordan(Flamengo) e o malvado e mirrado Altair, do Fluminense. 

O drible tragicômico.Eis o que descreve a fotografia. Falando como se oradora fosse, versão mulher  de Demóstenes, retórica impecável  da Grécia antiga. Demóstenes, o grego, nunca soube o que era um drible de Garrincha, capaz de entortar pórticos e colunatas milenares. 

Ressuscitador, não Depois das derrotas para o Altos e o Botafogo(SP), o ABC tornou-se o ressuscitador de defuntos da Série C. Amanhã, contra o Atlético Cearense, o alvinegro tem que afugentar o estigma e ganhar com sobras. O Atlético Cearense está em penúltimo lugar com três pontos ganhos. 

Sétimo 
O ABC desceu ao sétimo lugar, ainda estaria entre os classificados, porém a sétima rodada pode dar indicativos do futuro próximo. Fundamental organizar o time para sair melhor do meio-campo ao ataque. Ataque sem um nome de referência para a função de centroavante. 

O que faz 
O que Porozo, o equatoriano, fez, faz ou fará em benefício do ABC? Sua contratação ameaça à do volante Adelmo, dos anos 2000, no topo dos reforços muito mais adequados aos adversários. Tomara Porozo me desminta e encontre o futebol que tenta compensar correndo como participante de São Silvestre. 

Guto 
O baixinho Guto, ex-volante do ABC há 10 anos, é uma das esperanças do Atlético Cearense(CE). Guto está com 34 anos e já rodou no futebol mais do que roda-gigante de parque de diversões do interior. 

Times 
Desde que saiu do ABC, Guto atuou em exatamente 15 times. É um exemplo vivo do padrão das séries onde os fracos não têm vez. 

América 
Torcida vai ao jogo domingo. Tem ido nas horas ruins. O time também tem que ir. Com força. 

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ABC imprevisível
Atualizado: 21:31:52 17/05/2022
Rubens Lemos FIlho
rubinholemos@gmail.com

É sincero o técnico do ABC, Fernando Marchiori. De fingimento, ninguém está autorizado a acusá-lo. Marchiori, quando jogador, atuava no meio-campo, o que, em tese o colocaria como praticante do jogo ofensivo que o seu ABC vem negando em campo. 

Depois da ridícula atuação contra o Botafogo em Ribeirão Preto e da derrota por 2x0, Marchiori não guardou segredos e citou, como abaixo do normal, as atuações de Kelvin e Felipinho, dois quadros considerados – por mim também – de melhor nível ao lado de Fábio Lima(ausente em São Paulo) e Wallyson(também fora da partida). 

Cercado por repórteres à beira do campo que um dia revelou Sócrates -se viu na paranormalidade Botafogo x ABC o Magrão girou no túmulo -,  Fernando Marchiori citou que esperava além  dos comandados que, quando atuam no Frasqueirão, rendem bem mais do que o apresentado quando a viagem é de avião. 

O ABC preocupa. Porque vem sendo cada vez mais medroso e defensivo. O ABC assusta. Porque os contratados para a Série C do meio-campo para a frente não vem agradando. 

Com a pompa de ex-titular da Portuguesa(SP), o meia Geovani não honra o nome do gênio do Vasco dos anos 1980 tampouco chega perto do Giovanni do Santos e do Barcelona. Não se exige igualdade aos dois,nem tanta desproporção. 

No campeonato estadual, o time se fixou na trinca Allan Dias, Kelvin e Wallyson, com a boa presença de Fábio Lima. Este, quando quer jogar, é o mais fino desempenho alvinegro. Do jeito que explode e faz delirar a Frasqueira, some numa indesculpável pasmaceira. Continuo fã de Fábio Lima. 

No Brasileiro, Allan Dias faz falta, embora não seja o que insistem que ele é – um craque diferenciado. Não. É um sujeito de bom porte físico, de arrancadas vigorosas, de passe correto e bom de chute e cabeceio. Sem sofisticação nas chuteiras. 

Nos meus alfarrábios mentais, nada consta de um lançamento longo feito por ele. Mas sua saída teve peso,  pois Allan Dias é um cara regular, não oscila tanto quanto alguns de seus companheiros. 

O ABC também sente a ausência de um centroavante fixo, de um matador de área. Jefinho é bonzinho e os reforços sequer atingiram a nota 6 por enquanto e estamos nos encaminhando para a 7ª rodada. 

Wallyson fixo no meio dos beques é laboratório sem patente comprovada. O Mago é um antigo ponta. Caindo pelos dois lados, em especial no esquerdo. Destro de nascimento, corta o beque e bate rasteiro matando os goleiros. 

Uma gangorra parece exposta no ABC levando seus torcedores à angustia, rodada por rodada. Sem desrespeito algum a qualquer adversário futuro. 

O próximo é o Atlético Cearense(CE) fora de casa e o ABC deve, no mínimo, empalmar o empate para a guerra pelos oito primeiros lugares. Voltar com bagagem de pontuação zerada será frustrante. 

Assumo minha parte na culpa do jornalismo e assemelhados hoje mais influentes, como os blogues e postagens aqui e acolá contaminadas de erros gramaticais que, no meu tempo, eram motivo de demissão. 

Escrever direito é obrigatório. Médico não deixa bisturi dentro de paciente. Faz sentido a comparação sem personificar. O atentado ao idioma é coletivo. 

Assumo minha parte por adjetivar o time do ABC com base em lampejos. Sem retirar uma módica vírgula, reflito que as letras otimistas decorrem exatamente do baixo padrão de qualidade da boleirada. Que quando acerta – o que passou a ser restrição -, empolga até o chute torto seguinte. 

Gastar tinta com os ídolos de agora é injustiça com os verdadeiros craques, os que certamente fariam Fernando Marchiori explicar somente partidas quase de exibição e talento. 

Allan Dias, Geovani, Kelvin, Fábio Lima. Infarto se compará-los a Alberi, Marinho Apolônio, Danilo Menezes e Odilon. Fora outras dezenas.  Daí, obtusos me acharem ranzinza na defesa do passado. Com os geniais, luzia a glória   da felicidade no tapete verde. 

A hora do América 
Na Série D, Grupo 3, são seis times brigando por quatro vagas e a torcida rubra agradeceu a Padre João Maria a vitória de 2x0 sobre o Globo, pato morto, que deixou o América no quarto lugar e, portanto, classificado para a próxima fase caso acabasse hoje a eliminatória da quarta divisão. 

Faz sentido o esforço para convocar a massa e encher a Arena das Dunas no sábado contra o São Paulo Crystal, agremiação paraibana que está um ponto à frente do América. 

A briga é acirrada. Retrô(11 pontos), Icasa(10), São Paulo Crystal(9), América(8), Afogados(8) e Souza(7). Globo e Crato, com um ponto cada, aguardam a missa conjunta de corpo presente. 

Mulher entrando de graça no Setor Leste(não sei onde fica porque nunca entrei na geringonça  da Copa) e crianças de 12 anos sem pagar. Menino puxa o pai ao campo. “Bora, pai, o jogo é bom”. 

Todo fantasiado de vermelho e com o  olhar em que o não fica fora do diálogo. Basta o América cumprir sua parte e vencer. 

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Scala e João Saldanha
Atualizado: 12:10:32 14/05/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Rio de Janeiro, 5 de fevereiro de 1969. Os 22 convocados pelo improvável técnico da seleção brasileira, jornalista João Jobim Saldanha, se apresentam na Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Entre eles, um zagueiro esguio, porte majestoso, elegante, vindo dos pampas gaúchos. Luiz Carlos Scala Loureiro, do Internacional de Porto Alegre (RS).
arquivo


Scala, uma das Feras do Saldanha, como ficaram conhecidos os craques das Eliminatórias para a Copa do México, o brinde para a consagração do tricampeonato no México no ano seguinte. Foram 5 vitórias em 5 jogos fantásticos. Gols marcados: 23. Sofridos: dois.

O Brasil reencontrava a arte conjugada à autoestima. Recuperava o orgulho perdido no fracasso da Copa da Inglaterra em 1966, eliminado na primeira fase em vergonhosa campanha. 

“O homem é a maior fera que existe dentro de si mesmo. Provocado, transforma-se, multiplica-se. Não terei um time de damas, terei feras jogando o verdadeiro futebol brasileiro.” Depoimento de João Saldanha tão logo aceitou o improvável convite, ele comunista autêntico, atuante e inimigo do regime vigente e furioso. 

Discutia táticas, conversava com seus jogadores, conhecia o futebol nos subterrâneos, na alma das expressões dos torcedores de rádio ao pé do ouvido, escutando seus comentários geniais.

Contra a Venezuela, num dos jogos das Eliminatórias, impediu o time de voltar ao vestiário para o segundo tempo. Seu líder, o meia Gerson, costuma explicar em entrevistas, soltando gargalhadas:

- Ele estava na porta do vestiário e nós vínhamos imundos, campo cheio de lama. Ele berrou com a gente. Voltem para o campo seus rebolados. O que é que eu vou dizer no Brasil se vocês empatarem contra um time formado por carteiros, padeiros, pobres amadores. Voltem ao campo e tragam a vitória.

Segundo Gerson, Saldanha arremessou fora a chave do vestiário.  O Brasil voltou, deu um show, fez 5x0 e os jogadores o encontraram sozinho, como de costume:

- E aí chefe? Tudo certo?
- Tudo certo. Na próxima, corto todos, menos o Crioulo(Pelé), que é fora de concurso  e mando de volta de ônibus.
E disparou na gargalhada.

Saldanha conseguiu democratizar o ambiente e se tornar na figura mais respeitada do futebol depois de Pelé. Uma pesquisa de credibilidade o colocou com 89% de aceitação popular e ele foi convidado para fazer comercial da loteria esportiva.

- Não vou. Isto cheira a trapaça. O Governo arrecada um prêmio enorme e o ganhador uma ninharia diante do volume das apostas. Para onde vai a grana? Muito estranho. João  Saldanha enxergava longe e falava alto. 

Tiraram João Saldanha da seleção brasileira. Ele estava incomodando. O presidente-ditador Médici mandou convocar o desengonçado centroavante Dario, do Atlético Mineiro:?João Sem-Medo devolveu:

O presidente escala o ministério e eu escalo a seleção.
Sufocado por uma teia de mentiras e conspirações, João Saldanha caiu.

Caiu atirando. Um dos motivos foi o corte de Scala, pelo médico Lídio Toledo, por alegada contusão no joelho. João Saldanha morreu sem acreditar em Lídio Toledo, que cortou também Toninho Guerreiro e abriu a conveniente brecha para Zagallo obediente substituto de Saldanha, chamar Dario.

Scala ainda jogaria no Inter, no Botafogo(RJ) com Marinho Chagas, orgulho maior do berçário potiguar em quatro linhas,  e selaria seu destino noutro Rio Grande extremo.?Veio para o América de Natal em 1973 para o Campeonato Brasileiro, ergueu a Taça Almir pela melhor campanha entre os clubes do Norte e Nordeste.Foi campeão potiguar em 1974, técnico de futebol e comentarista esportivo.?Morreu em Natal a 5 de setembro de 2007 de pneumonia em consequência do Alzheimer. 

PS. Os convocados por Saldanha: Goleiros: Félix(Fluminense) e Cláudio(Santos);Laterais: Carlos Alberto Torres( Santos), Zé Maria( Portuguesa), Rildo( Santos) e Everaldo(Grêmio);Zagueiros: Djalma Dias( Atlético/MG), Scala(Internacional/RS), Brito(Vasco)e Joel Camargo(Santos);Volantes: Piazza(Cruzeiro) e Clodoaldo( Santos);Meias: Gerson(Botafogo), Rivelino(Corinthians), Pelé(Santos) e Dirceu Lopes(Cruzeiro); Pontas: Jairzinho(Botafogo) e Paulo Borges(Corinthians) pela direita; Edu(Santos) e Paulo César Caju( Botafogo) pela esquerda; Centroavantes: Tostão(Cruzeiro) e Toninho Guerreiro(Santos). 

Reação 
O domingo deve ser encarado como o Dia da Reação para o América. Inegociável uma vitória convincente sobre o Globo em Ceará-Mirim. O Globo é um dos lanternas. Está aos pedaços. O América pode arrebentar para decolar na Série D. 

Hoje 
Com seis pontos, no mínimo o América não perde a sexta colocação em oito participantes. Ganhando, o América retoma a briga entre os cabeças. 

Dica 
Aproximar meio-campo do ataque do América. 

Há 50 anos 
Pelo estadual de 1972, o ABC goleava o Riachuelo por 3x0 no Estádio Juvenal Lamartine com 2.977 torcedores. Gols de Alberi, Jailson e Josenildo. Arbitragem de Nelson Luzia, Guaracy Picado e José Ubirajara nas bandeirinhas. 

Times 
O ABC do técnico Wallace Costa: Erivan; Preta, Edson, Josemar e Anchieta; William e Odisser; Zé Maria(Soares), Jailson, Alberi e Josenildo. O Riachuelo do técnico Pedrinho Teixeira, o Pedrinho de 40, formou com Floriano; Dandão, Lolô, Ivan Matos e Cidão; Arandir(Humberto) e Pompila(Moacir); Hélio, Adeíldo, Galdino e Marconi.

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O sexto livro
Atualizado: 20:37:10 12/05/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Nas salas de aula de colégios religiosos, ouvia professores de Português ou da infame Educação Moral e Cívica (tenebrosa farsa didática para omitir a Ditadura), repetindo enquanto conversávamos nas cadeiras lá de trás: “homem será feliz  na vida se tiver um filho, plantar uma árvore e escrever um livro.” Hoje eu digo, babaquice imensa. 

Horrível em Matemática, gostava de escrever. Fiz até um jornal à caneta imitando a Tribuna do Norte, onde meu pai trabalhava exercendo a editoria esportiva para não falar sobre política. Gesto de Aluízio, Agnelo e Zé Gobat Alves. 

Frequentava tanto a redação quanto o estúdio da rádio, espaço pequeno na Rua Tavares de Lira, em frente à banca de revistas de Bezerrinha, onde meu pai buscava toda semana a Revista Placar. 

Escrever é o que sei fazer e mais nada. Absolutamente. Não sei dirigir carro, nunca andei de bicicleta, detesto viajar, nem sei fritar ovo e até as avenidas numeradas do bairro do Alecrim não  decorei. 

Como se dependesse de caneta, depois,da máquina de datilografia Olivetti, em seguida do computador 386, dos notebooks, dos smartphones e do meu macio teclado adaptado pelo meu filho. Os dedos deslizam como se eu  fosse driblador de campo, algo que também nunca fui, acumulando incompetências. 

Na casa em que morei, havia não uma, mas duas árvores imensas, duas mangueiras frondosas, boas para mim pela sombra e menos agradáveis pelo sabor da fruta, exageradamente doce. 

A casa está vazia, as mangueiras, cortadas, os habitantes, vivendo cada qual a seu modo. Os mais velhos, mortos. Evito revê-la, ela, a casa. E a rua também. Se fosse minha, talvez mandasse ladrilhar e selecionar seus moradores, mantendo sua paisagem florestal. 

Voltando à escola, compensava a nota 2 em Matemática com um bom desempenho em Português. Orgulhoso, ganhei 10 fazendo um trabalho como se fosse script do Jornal Nacional narrando a brutal Guerra das Malvinas ou Falkland, entre argentinos e ingleses, bem perto da Copa do Mundo de 1982. Os Hermanos tomaram um sapeca-iaiá de chumbo e Maradona faria a revanche quatro anos depois. 

Entrei no jornalismo aos 17 anos e Fazendo o que podia: escrever. Pai de dois filhos, em 2001, lancei meu primeiro livro, a biografia do maestro Danilo Menezes, do ABC. Em 2008, um espelho autobiográfico de crônicas com meu codinome  verdadeiro designado por Adriano de Sousa: O Homem Óbvio.

Craque,  Adriano de Sousa  editou o livro dos 100 anos do ABC e Memórias Póstumas do Estádio Assassinado, de 2017. Sobre a derrubada do Estádio Machadão. Em 2019, colhi o depoimento biográfico do médico do América, Maeterlinck Rêgo, Doutor na Bola e na Vida. Nunca vendi menos de 300 livros no lançamento de cada um. 

Indiferença 
Terminei há pouco o texto definitivo de Juvenal Lamartine, Primeiro Estádio, trabalho de pesquisa delicioso que me pôs dentro do calor dos clássicos do campinho do Tirol, berço da bola do Rio Grande do Norte. 

Não faço relatório. Conto histórias, teclo reportagens  e, modéstia parte, gostei tanto do que está no Juvenal Lamartine que o nivelo ao libelo do Machadão. Mais de 400 páginas. 

Jogos nervosos, ídolos resgatados, episódios apimentados, personagens que dormem, na condição de almas penadas, no escuro do estádio vazio quando a noite cai. Há fantasmas ali, sim senhor e eles se reúnem a cada madrugada, redesenhando o passado desde 1928. 

O livro está pronto e imaginei que poderia lançá-lo por meios próprios(não posso), o que fiz em todos os outros, exceto o de Maeterlinck, que me contratou para consultoria. 

Cobre-me o manto cômodo de um silêncio – não quero crer -, pessoal. Uso minhas redes sociais, peço patrocínio, ninguém se manifesta. 
Claro que me entristeço. Há leis de incentivo, viés político e sou um desorganizado incorrigível. Não entendo de papel, requisitos, orçamentos e burocracias que aparecem para mim em mandarim.  

O projeto está parado. Natal de minha devoção não se manifestou. Ficou naquela omissão dos sorrisos irônicos. Nada contra, mas se montasse um compêndio de perfis piegas de atores de colunas sociais, a tiragem estaria garantida. 

O fato é que, talvez,  imprima  apenas um exemplar. Pelo menos ele, a me cobrar, da estante, a reciprocidade do amor entregue  à cidade que me devolve indiferença. Precisar é padecer no sadismo da vida. 

Rivalidade 
Um dos testes mais duros do ABC será amanhã em Ribeirão Preto contra o Botafogo(SP), time que revelou ao mundo o Doutor Sócrates.

Vaga 
Em 2016, o ABC eliminou o Botafogo e subiu da Série C para a Série B, gol do então garoto Elivelton, revelado nas bases do clube. 

Kelvin 
É, hoje, a unanimidade inteligente alvinegra. Machucado, é idolatrado. Curado, é um azougue diante dos zagueiros. 

Lateral 
Marcos Vinícios vem ensinando como se joga lateral-direito no ABC. 

Estatísticas 
Melhor do que exaltar o site de projeções Chance de Gol, que o coloca entre os classificados, é o América mostrar bom futebol. Sem ele, numerologia não adianta. 

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Um e outro
Atualizado: 20:39:12 10/05/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Passadas cinco rodadas na Série C e quatro na Série D, a realidade crua aponta o ABC em bem melhores condições do que o América. Vai bem sem exagero o futebol  do alvinegro, mas a constatação nasce da fragilidade exposta do time rubro. 

O ABC é segundo lugar num campeonato mais difícil com 10 pontos ganhos. Venceu três partidas, empatou uma e perdeu outra, inexplicável, para o Altos do Piauí. O ABC ganhou três pontos fora de casa na estreia contra o Ferroviário de Fortaleza(3x1) e o empate contra o Paysandu no Frasqueirão(1x1) foi vacilo. 

A vitória sobre o Volta Redonda impediu que ocorresse outro equívoco. Não interessa como está acontecendo, o importante em campeonato como o da Série C é não jogar fora as oportunidades e cumprir a obrigação de ganhar em casa. 

O ABC do técnico Fernando Marchiori por vezes exagera, jogando no Frasqueirão, dentro de um sistema tático(3-5-2) filosoficamente  conservador, porque há na proteção  da defesa, mais dois volantes. O departamento de criação precisa fluir no meio-campo. 

O América implora por uma chacoalhada. Além perder pontos impressionantes, não agrada em campo. Esperança é o técnico João Brigatti imprimir um ritmo veloz e ofensivo ao time, que vai precisar ganhar jogos distantes de Natal. 

Indiscutível: houve uma queda radical do América do campeonato potiguar para a Série C. O mico do técnico Edson  Vieira, aquele que não se vacinou e falou bobagens, também mexeu com a equipe. 

Um clube da dimensão do América, tradicional em competições nacionais, é para estar sempre nas cabeças. Hoje, está de cabeça para baixo na tabela de classificação, atrás de Crato e Globo. É uma lástima. 

Wallyson 
É sabido que o Mago vem mal. Também é notório que, quando mais parece morto, Wallyson ressuscita com gols decisivos. Sua presença, só a roupa, reforça a moral dos companheiros e força marcação especial pelo adversário.

Pressão 
Para melhorar na Série D, o América vai precisar da pressão da torcida. Uma ideia seria mandar alguns jogos na Arena José Rocha em Parnamirim, que asfixia o adversário. A Arena das Dunas, mesmo com a proximidade da torcida, é campo neutro. E seu belo gramado não vem sendo aproveitado pelos jogadores do América. 

Baixo nível 
O Vasco cedeu jogadores reservas e das categorias de base ao Volta redonda, que perdeu para o ABC. O sujeito ser reserva do Vasco sugere mudança de profissão. Uma vitória sobre o CSA é comemorada como se fosse uma Taça Libertadores. 

Olheiros 
O Super Matutão, um campeonato gigante com seleções de  municípios do interior, é uma chance para os clubes de Natal descobrirem bons jogadores. Tempo de ressuscitar os olheiros, que percorriam lugarejos e subúrbios procurando – e encontrando craques. 

Exemplos 
Dois dos maiores atacantes do Rio Grande do Norte, foram descobertos no Matutão: Reinaldo, pela seleção de Pernamirim e Zinho, no Grêmio de Areia Branca. Os dois fizeram sucesso fora do Estado, com Reinaldo conquistando o Mundial Interclubes no Flamengo de Zico em 1981, ele, Reinaldo, na reserva de Nunes.  

Ministério do Esporte 
Relator do projeto de lei que cria o Plano Nacional do Desporto, o deputado federal Afonso Hamm(PP/RS), defende a recriação do Ministério do Esporte. A pasta foi incorporada ao Ministério da Cidadania no governo de Jair Bolsonaro, mas Hamm considera importante o Brasil ter um órgão específico, principalmente agora que se discute a implementação de um plano para o setor.

Mundo mágico 
O faturamento dos cinco maiores clubes do país revela um mundo mágico bem diferente do que existia no passado.  Se faltam craques hoje, dinheiro se esparrama pelos carpetes luxuosos. É tanto dinheiro que não se imagina qualquer parâmetro com a época de finanças ruins, talentos sobrando. 

Reino do bilhão 
O Flamengo – que não é mais o diferencial de superioridade recente – empalmou R$ 1,08 bilhão no ano passado, seguido pelo Palmeiras (R$ 910 milhões) Corinthians(R$ 501,8 milhões), Atlético-MG(R$ 501 milhões) e Grêmio(R$ 498 milhões). 

Empresas 
Por esse volume de grana, pode-se dizer que os cinco maiores são empresas de verdade. Os pobres clubes do interior do Nordeste, vivendo de migalhas e boa vontade do poder público, não entram sequer no ranking dos centavos. 

Bons tempos 
No dia 11 de maio de 1975, o América, que seria bicampeão estadual, enfiou 4x1 no Ferroviário, um dos quatro sacos de pancada de Natal(os outros eram Riachuelo, Atlético e Força e Luz). Eram bons tempos para o alvirrubro. 

Gols 
Os gols do América foram de Humberto Ramos, Ivã Silva, Sérgio David e Washington, com Miguel descontando para o Ferroviário, com  2.116 pagantes no Estádio Castelão, tendo Jáder Correia na arbitragem, auxiliado por César Virgílio e Afrânio Messias. 

Times 
O América do técnico Sebastião Leônidas: Ubirajara; Ivã Silva, Ademir, Odélio e Cosme; Edinho(Paúra), Humberto Ramos e Hélcio Jacaré(Washington); Sérgio David, Pedrada e Ivanildo Arara. Ferroviário: Juca; Martins, Henrique, Edvaldo e Dinamérico; Miguel e Jorginho Segundo; Wilton(Assis), Wilson, Francisquinho e Paulinho.  

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Craques trágicos
Atualizado: 14:19:08 07/05/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

O futebol seria imperfeito sem o passional de componente. A paixão emana das arquibancadas e explode no campo e nos gestos de volúpia inconsequente dos jogadores desenhados pela tragédia sobreposta ao talento. O pecado nem tanto assim da ira e a fúria sem limites como a capacidade do drible e do gol. Edmundo foi a continuação de Almir Pernambuquinho. 

Arquivo


Quando pesquisava para o livro Danilo Menezes, o Último Maestro em 2000, descobri uma história que revela o cangaço e a lei sertaneja da justiça pelas mãos impregnadas em Almir. Ele estava no Flamengo em 1966. Seu irmão, Adilson, formava a linha atacante do Vasco ao lado de Nado, Célio e Tião. Adilson levara umas pancadas do imenso Denílson, o Rei Zulu, num jogo perdido para o Fluminense. Apanhara e não revidara.

Adilson estava em seu beliche em São Januário e Almir invadiu a concentração, transtornado. Partiu para o irmão e aplicou-lhe uma surra: “Pra você aprender a ser homem e não apanhar na rua, como nosso pai sempre ensinou em Recife. E quem encostar para me impedir, apanha também”. Estava presente o hercúleo miolo de zaga cuzmaltino, formado por Brito e Fontana, que batiam até no vento mas intactos ficaram. 

Almir Pernambuquinho, naquele 1966, provocou a maior briga da história do Maracanã. O Flamengo perdia do Bangu por 3x0 e dava adeus ao título carioca. Almir jurou que os campeões não teriam a volta olímpica e provocou o atacante Ladeira. O pau cantou, ele bateu em muitos, apanhou e cumpriu sua promessa.

Três anos antes, Almir substituiu Pelé com a 10 do Santos. Na finalíssima do Mundial Interclubes contra o Milan no Maracanã. Resolveu provocar Amarildo, estrela do time Rossonero e que havia tomado a sua vaga na Copa de 1962. Entrou com crueldade no tornozelo do Possesso, também conhecido pela coragem. 

Amarildo levou a pancada e não reagiu. “Seu covarde, vou bater na sua cara, traidor do Brasil!”. Desta vez a experiência do volante Zito conteve Almir, porque se fosse expulso, o Santos provavelmente, não comemoraria o Campeonato Mundial. 

Almir foi barrado da Taça do Atlântico de 1960. Seria titular da seleção brasileira.  Proibido   pelos organizadores de participar da competição por ser considerado um jogador “antissocial”. Ele e o uruguaio Martinez que haviam trocado sopapos num jogo do Sul-Americano de 1959 que virou praça de guerra. Já em 1958, Almir, então no Vasco,  teria vaga na reserva de Pelé. Perdeu o lugar para o ótimo e equilibrado Dida, do Flamengo. 

Almir não tinha valentia de fanfarra. Seu temperamento suicida o levou a contar detalhes do submundo do futebol à Revista Placar em 1973. Almir admitiu jogar dopado, denunciou resultados manipulados, colegas venais. Antes de concluída a série de reportagens, uma bala disparada pelo português Artur Garcia atingiu seu crânio. 

Almir morreu aos 35 anos, corpo estendido na grande área do Bar Rio-Jerez em Copacabana. Almir quebrou seu script e resolveu defender gays que apanhavam do português. Regra contrariada, Almir foi separar a briga. Não levantou mais. 

Edmundo foi dispensado do Botafogo ainda juvenil. Costumava exibir-se nu para meninas de um colégio próximo à concentração. O Vasco descobriu seu talento e na primeira partida, uma preliminar no Maracanã, vingou-se fintando meio time do ex-clube e fazendo um gol que o público aplaudiu de pé. 

Imediatamente integrado aos profissionais, arrancou felino à fama. Do Vasco ao Palmeiras, Verdão quebrou o jejum de 17 anos sem títulos sob o comando explosivo do Animal, batizado à perfeição pelo narrador Osmar Santos. 

No Palmeiras, Edmundo agrediu um cinegrafista e foi preso no Equador. Agentes diplomáticos foram acionados para soltá-lo do hotel que foi seu cárcere. Saiu para o Flamengo, onde a notoriedade saiu do gramado para as páginas policiais, com o acidente que originou sua prisão agora. 

Edmundo passou por Santos, Corinthians, Cruzeiro, novamente Palmeiras, Figueirense, brilhou mesmo no Vasco, sua casa e seu casulo. Pelo Vasco, chamou de “Paraíba” o juiz cearense Dacildo Mourão, Edmundo anulado pelo América em Natal no Brasileirão de 1997, seu clímax. 

Edmundo e Almir Pernambuquinho formam um só personagem de habilidade e ebulição incessantes. Edmundo e Almir Pernambuquinho provam que o futebol também escreve, por linhas de desgraça, epílogos de homens de pés furiosamente sedutores. 

Magnetismo
Jogo domingo às 17 horas com a torcida do ABC motivada. Parece o resgate dos áureos dias do futebol de Natal. Tem tudo para ser quente o confronto do alvinegro contra o Volta Redonda. 

O ABC começou bem demais e frustrou a Frasqueira pelo fraco futebol na derrota para o Altos do Piauí. O ABC em seu estádio é uma tribo em ebulição. Uma vitória, sacode a massa, repõe o time no grupo de elite e garante pontuação indispensável à classificação. 

Para mostrar que o prestígio não corre risco de ser perdido, é partir para cima. Jogo é decisivo, o que torna justo esperar, de novo, por Wallyson aceso.  

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Gol de Hélio Câmara
Atualizado: 20:34:50 05/05/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Recebi, semanas atrás, pelo Wathsapp, uma mensagem paralisante do amigo Júlio César, segurança do ABC e torcedor fanático do clube. Era o áudio de um gol narrado por Hélio Câmara, o maior comunicador esportivo da história do Rio Grande do Norte. 

Chorei ao fim daqueles parcos dois minutos.  O gol, de pênalti, deu a vitória ao ABC sobre o América por 1x0 na distante tarde de 20 de abril de 1997, domingo ensolarado de brilho que apenas os clássicos irradiam. A cobrança foi do volante Ivanildo, marcador eficiente e especialista em penalidades máximas. 

Hélio Câmara arquiteta a atmosfera de um teatro grego, dramaticidade jamais imitada em lugar nenhum do mundo. Super Hélio nunca foi mero transmissor de lances banais ou apocalípticos. Super Hélio foi um administrador de emoções, um controlador de sentimentos de massa. 

É pênalti a 20 de abril de 1997 e o relógio marca 16h45 no Estádio João Cláudio de Vasconcelos Machado – assim pronunciava, por inteiro, o homem de rádio de intensidade inatingível. 

É pênalti, Ivanildo corre lentamente, ginga, desloca o goleiro Wanderley e coloca a bola na rede com maciez de artista plástico. O lado da Frasqueira, onde eu estava com o meu primo-irmão médico e mestre Luiz Alberto Carneiro Marinho e o irmão afetivo, professor Sérgio Trindade, balançou.

Retrocedendo a mensagem alguns segundos, percebe-se a sintonia fina de Super Hélio comigo, decifrando meu estado de espírito sufocado de tensão e me homenageando, ouvinte que sempre fui dele desde antes dos 10 anos de idade: “Alô Rubens Lemos Filho, olha a emoção garopinho(ele pronunciava o p na vaga do t) pode ser agora”. O agora foi o gol de Ivanildo que me fez, aos 26 anos, imerso em hectolitros de cerveja. 

Ao ouvir de novo a voz de Super Hélio, tantos anos depois, deixei o pranto se fazer encanto. Estava homenageando, ferido de dores recentes como a perda de uma mãe, aquele homem de português claro e de humor certeiro no improviso e na cultura vasta sobre qualquer tema. 

Gol de Ivanildo! Reconstituí o lance na lembrança e me reencontrei sufocado pelos abraços de Luiz Alberto e Sérgio, Luiz Alberto que Super Hélio chamava de “o maior infectologista do meu Brasil, Brasileiro, meu mulato inzoneiro”, escalando aquarelas passionais por entre as alegrias eternizadas pelo seu grito único, ecoando pelas arcadas do Machadão depois assassinado. 

Um dia antes dessa partida, eu e Sérgio levamos o Super Hélio e sua amada esposa, Dona Lélia, para uma tarde inesquecível na casa de Luiz Alberto na Praia de Graçandu, litoral Norte próximo à capital. Super Hélio monopolizou as conversas, contou episódios que ninguém faria com tamanho didatismo bem humorado. Rimos como se pudéssemos continuar até hoje. 

No domingo, Super Hélio resolveu retribuir sacudindo nossas coronárias em teste feroz de resistência porque o América, à época, era um time de Série A. O ABC estava na B e ganharia o campeonato de 1997 do pé à ponta. 

Parei de ouvir o áudio do gol de Ivanildo porque estava entrando em maluquice masoquista. Até que os mistérios da vida me puseram diante de Super Hélio, dias após a gravação. Em demorada visita, encontrei seu túmulo no Cemitério do Alecrim. Um arrepio magnético me fez estancar. 

Chamei-o duas vezes. Três. Quatro. Cinco. Sempre em silêncio diante da frieza da pedra. As lágrimas desgarradas na impotência do goleiro Wanderley naquele 20 de abril de 1997. Pedi a Deus e a todos os santos, gostassem ou não de futebol, para fazer Super Hélio surgir e me dar um abraço. 

Pensei no gol de Ivanildo. No grito, na citação do meu nome. Super Hélio comigo, reencontro sem o verbo que nele fluía ilimitado. Me entreguei ao de sempre: à saudade. Que me é companheira, sucessiva, em ausências recorrentes.  

Pensei em Super Hélio. Já havia evocado Ivanildo, morto de abcesso cerebral 21 anos atrás aos 24 de nascimento. Me arrastei à saída lateral do cemitério. Repetindo para ninguém escutar: a solidão, para quem fica, é a asfixia do espírito.  

Moacyr 
Poeta concreto, pai do Machadão, o arquiteto Moacyr Gomes da Costa começou a morrer no fim do estádio. Repousará, finalmente, junto  ao filho perdido. 

Ruim 
Sem desculpas: o ABC foi mal diante do Altos. Reabilitar time daquele nível é desanimador. Kelvin vale por uns três atacantes. Sua contusão foi decisiva para o time murchar no campinho do Piauí. 

Decepção 
Fábio Lima foi decepcionante, nem sinal do jogador capaz de lances brilhantes. A falta do lateral-esquerdo Felipinho contribuiu para o pífio desempenho de Fábio Lima. 

Ou dá ou desce 
Só a vitória domingo contra o Volta Redonda restabelecerá a moral do alvinegro na Série C, voltando às cabeças. Quem se acostuma a perder, despenca. 

Pra cima 
O Retrô(PE) é o líder do grupo? E daí? Amanhã, o América joga o futuro na competição precisando vencer com o novo técnico Brigatti. 

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Super Matutão, bola e prosa
Atualizado: 21:04:16 03/05/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

É esperança que renasce no peito do velho colador de palavras a novidade do Super Matutão, campeonato de seleções municipais a ser lançado pelo presidente da Federação, José Vanildo. 

Zé Vanildo – aos que torcem por birra o nariz para seu estilo – fez um golaço. Sou macaco de arquibancada do velho Matutão, filho não carnal do saudoso jornalista Everaldo Lopes. 

O Super Matutão vai ser regionalizado e o campeão vai receber um carro zero quilômetro de prêmio. Um senhora recompensa. 

O limite de idade será de 22 anos, é óbvio, para revelar jovens craques dos quatro cantos do Rio Grande do Norte. Há meninos sensacionais no interior chuvoso ou seco de caatinga. 

Uma novidade dessa enche de sonho quem vive de esmolas do bom futebol, mendigando aqui e acolá, um drible bonito, uma arrancada ousada, um gol belíssimo dos garotos. Na minha região adotiva, a de Pau dos Ferros, a 500 quilômetros de Natal, existem 32 municípios em seu entorno. 

Um a cidade igual a Francisco Dantas, com menos de três mil habitantes, lá na ponta da Tromba do Elefante (formato do mapa do Estado), forneceu moleques atrevidos para o Vasco(hoje, jogariam no titular), interior de São Paulo e de Minas Gerais. Vão incógnitos, seguem desconhecidos da torcida potiguar. 

É que nem ABC ou América – espero que o Super Matutão – mude o proceder dos dois gigantes -, dá muita bola para uma competição que é uma produção de bons jogadores em escala industrial. Todos eles, claro, a serem burilados pelos componentes das categorias de base, ainda que esses não sejam lá tão familiarizados com a bola. 

O primeiro Matutão foi disputado em 1971 no velho estádio Juvenal Lamartine e teve Pau dos Ferros erguendo a taça ao derrotar Macaíba(foto) em tranco de sair lascas do campinho sofrido. Em 9 de janeiro de 1972, o placar final foi de 2x1, com Raimundinho abrindo o placar para os macaibenses e a virada sendo consumada nos gols de Aldemir e Bobô. 

O dia 9 de janeiro virou data eternizada em Pau dos Ferros. É o nome do estádio da cidade. Do time campeão, treinado pelo folclórico (e craque), Jácio Salomão, do Alecrim e 120 times, foram revelados o goleiro Salvino, um dos melhores do Nordeste, destacado no futebol cearense, o volante Varela, contratado pelo Alecrim. Suas duas estrelas, os atacantes Bobô e Chiquinho, disputaram o Estadual de 1972 pelo América e não repetiram as boas atuações.

Há lendários no Matutão: Canteiro, craque do Centenário de Parelhas, e com passagem no Náutico, Arnauld e Nô, Silva de Ouro, de Caicó, Nêgo Chagas, também de lá. Zinho, que se consagraria no ABC e futebol paulista.  O driblador Batucada, o cerebral Marco Moreno. 

Quando Alberi entra em conversa, sai história e essa aconteceu comigo: na final do Matutão de 1988, de novo no Juvenal Lamartine, o Centenário enfrentou  o Flamengo de Bento Fernandes, cidade que tanto fica no Mato Grande quanto na Região Central,  regiões entrecortadas por uma estrada sinuosa.

Estádio cheio, entra o Flamengo com um crioulo parecendo gêmeo do Deus do ABC. Nêgo Tó, peladeiro cheio de rebolado lá de Igapó, trazia nos punhos aquelas pulseiras de pano dos tenistas de Wimbledon.Uma bossa terrível, única semelhança com o Negão da Bola de Prata. 

Tranquilo, o Centenário batia bola esperando o jogo com Júnior, seu camisa 10 que viria ser vice-campeão pelo ABC em 1989 e jogava um bocado.  Nego Tó aos microfones, eu de cadernetinha de repórter iniciante: 

- Tó, será que você se parece com Alberi também no futebol ?
O camisa 10 de Bento Fernandes tomou fôlego e reagiu: 

- Sou o bambambã  e se a bola dele for melhor é só uma “coisinha”
- José Ivo , repórter da Rádio Poti, sacaneou: 

- Na fita aí nas mãos, você já é superior...
No que Tó perdeu as estribeiras: 

- Vá encher o saco da madrinha,  tomar no rabo. Essas pulseiras são em homenagem a Gabriela Sabratino(Sabatini, lindíssima tenista argentina). 

Deu Centenário, sem dificuldades:2x0. Nego Tó saiu de  táxi, fugindo da torcida de Bento Fernandes, que ele enganara por 90 minutos. Guardou as pulseiras no short. Super Matutão, bom de  bola e prosa.  

ABC 
Nenhuma euforia. Enfrentar o Altos como se fosse o último jogo da vida. E encher de gente o Frasqueirão contra o Voltaço. 

América  
Ridículo. Basta essa definição para o episódio do técnico Edson Vieira, o sujeito mais bizarro dos últimos anos. Demitido sem trabalhar e se vacinar. Errado ele, errado quem trouxe. 

Campeão 
O novo técnico do América, Brigatti, é campeão mundial de juniores de 1983 como goleiro reserva. Aquele timaço de Geovani, Bebeto, Mauricinho, Dunga, Jorginho e Paulinho. 

Brasileiro 
Rio Grande do Norte tem  campeão brasileiro de tiro esportivo. É João Xavier(Xaxá), da Polícia Federal, Divisão Production Super Sênior(Pistola). 

Macaé 
Xaxá, lenda entre atiradores, ganhou em Macaé(RJ).Deu seu habitual show de pontaria. 

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Hélcio Jacaré
Atualizado: 12:51:15 30/04/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Quando nem se pensava em TV por assinatura e quem gostava de futebol, deixava o domingo dentro do lençol, ligado na Rede Bandeirantes.Transmissões ao vivo de campeonatos da Itália ao Gabão, de Bragança Paulista ao Afeganistão. Sem pagar nada, o fanático via de peteca a sinuca, de basquete a arremesso de disco.
Reprodução


Naquele tempo, a Bandeirantes juntou craques veteranos, montou  ótima Seleção  de Masters que invadia os gramados e as às telas do país sempre às 11 da manhã. Jogava-se em Araraquara, Colatina, Teresina, Cuité. O narrador Luciano do Valle chefiava a equipe de esportes e treinava o time.

A meninada, então, conheceu os dribles curtos e os elásticos que Rivelino, inspirador de Maradona, aplicava nos marcadores postos abaixo.

Riva era a estrela da companhia, que ainda tinha Ado tricampeão reserva de 1970 no gol, os falecidos Toninho Baiano na lateral-direita, Djalma Dias na zaga e Cafuringa na ponta-direita, além de Clodoaldo, Edu do Santos, na ponta-esquerda e Lola, ex-Atlético(MG), de centroavante.

Num dos belos domingos de minha vida, em 1986, aos 16 anos incompletos, fui ao ainda Castelão por volta das 8 da matina, esperar pela Seleção de Masters do Brasil. Conhecer Hélcio Jacaré, algoz luminoso nos anos 1970.

Bola rolando, Hélcio, num compasso, mal se movia, enquanto Alberi se desdobrava para lavar a alma potiguar. Hélcio, gordo, desafiava a lógica dos preparadores físicos, mantendo-se em pé, a 40 graus à sombra de um quase meio-dia.

Até que rolaram uma bola na entrada da área pelo lado esquerdo, no famoso gol do placar. Acho até que o passe foi de Anchieta, competente lateral-esquerdo campeão pelo ABC e com boas passagens pelo Alecrim, Baraúnas e times da Paraíba.

Hélcio recebeu, dominou como se fosse um malabarista, girou rápido. Hélcio deu um drible milimétrico em Djalma Dias. Veio Alfredo Mostarda e ele cortou num toque seco. Bateu forte, um balaço, no ângulo do goleiro Ado. Um gol que fez o estádio sacudir. Era o segundo do Rio Grande do Norte, que passava a perder, como perderia, por 4x2.

E Hélcio animou-se. Passou a fintar Toninho Baiano, jogando-o à linha lateral com uma jogada de efeito. A tabelar com Alberi. Frio como se passeasse num calçadão vazio, tomado de brilho e tranquilidade.

Eu sabia, antes do recital, que na metade dos anos 1970, o ABC deixou de mandar sozinho no futebol do Estado. A culpa havia sido dele, Hélcio, que, pelas fotografias, aparecia como um Pantera Negra acima do peso pelos médicos e acima da inteligência média dos colegas.

Hélcio chegou em 1973 para disputar o Brasileiro e foi bicampeão em 1974 e 1975. Futebol tão esquisitamente perfeito, que um comentarista e editor de esportes local, de quem tenho a satisfação de herdar o nome, encontrou a definição perfeita do craque Hélcio Jacaré.

Rubens Lemos, o pai, o melhor, assim escreveu: Hélcio contraria a lei da gravidade justifica a relatividade. É um corpo pesado que flutua leve como pluma. Eis um craque.”

E seguia a exaltação mais do que justa: “Uma exceção-verdade. Craque é exceção. Hélcio é o suprassumo dos bons jogadores, como o gênio é suprassumo dos craques. Aquele ar enigmático, sugerindo máscara. Assim é o jogador que veste(em 1975), a camisa do América. Os defeitos desaparecem em campo. A jogada começa lenta, bola assustada. A bola vira feitiço nos pés de Hélcio.”

O encerramento de Rubens Lemos, pai revela seu estado de excitação plena, com o futebol e a atmosfera existencial: “O toque do craque é o gesto de carícia. Há, até mesmo, um determinado erotismo. A bola sai dos seus pés como uma moça virgem pudica.”

O autor, o homenageado e a manhã de 1986  se foram. Hélcio Jacaré, o peso na estampa, a elegância no jogo bem feito, é um pedaço do inesquecível que a derrubada do Castelão(Machadão) será incapaz de destruir. Sonhos e heróis são pedaços de emoção. A eternidade de chuteiras não cai por terra.

Altos primeiro
O ABC prepara uma festa para o jogo contra o Volta Redonda, domingo próximo. No Dia das Mães, as mulheres alvinegras mães não vão pagar ingresso. Mas antes, tem o Altos.

Jogo duro
O jogo no Piauí marca a estreia do técnico Diá comandando o time da casa com zero ponto e a presença dele garante muito mais que folclore, mas um adversário para merecer respeito do ABC.

Há 54 anos
Com a presença do poderoso João  Havelange, que inspecionava obras do futuro Castelão, o América enfiou 3x0 no ABC dia 1º de maio de 1968 no Estádio Juvenal Lamartine com 4.500 torcedores. Cordeiro(2) e Evaldo Pancinha fizeram os gols.

Times
América: Odair; Biu, Lolô, Daniel(Gaspar) e Pirangi; Arandir e Creso(William); Assis, Evaldo, Cordeiro e Lia. ABC: Erivan; Toinho Dantas, Piaba, Ivan Matos e Otávio; Tonho Zeca e Beto; Toinho de Macau, Tião Medonho(Cocó), Alberi e Jairo.

Segundona
Alecrim precisa voltar à elite com time que preste.

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Eles, os homens maus
Atualizado: 20:58:29 28/04/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

A morte do zagueiro Tito rendeu tópicos de meio parágrafo nos blogues esportivos, algumas palavras de consolo  no Facebook, rede social popular e nada que tenha sido notado no Instagram das figuras notáveis e banhadas de vaidade. Dos ricos e fisiculturistas, amantes das bombas de academia. Futebolistas digitais. 

Tito era um zagueiro violento e apenas. Tecnicamente pobre, viveu após largar suas chuteiras marcadas de pele adversária. Tito fez parte de um universo diferente. Uma atmosfera pura na contradição da virilidade com que ganhava o mísero salário mensal. O pânico em travas de alumínio. 

Quando veio jogar o Baraúnas em 1977 contra ABC ou América - certo mesmo era meu pai comentando e Hélio Câmara narrando na cabine da Rádio Cabugi AM comigo de pentelho, apresentou-se uma defesa com Vilberto no gol; Vildomar, o Pai Tá Bom, Tito, Dão e o humilde Anchieta, um dos melhores laterais-esquerdos do Nordeste cuja timidez brecou seu sucesso. Anchieta levava uma pancada e pedia desculpas ao agressor. 

Tito era o camisa 3, xerife de Oeste tórrido e batia por sobrevivência. Naquele ano, o meu primeiro dentro do mundo apaixonante do Castelão (Machadão), suas vítimas eram o ótimo Aloísio Guerreiro, centroavante que faria sucesso no Santos(SP), Botafogo(RJ)e Ceará(CE), dos melhores da história do América e o pálido Ânderson, do ABC. 

Um homem alto, loiro e feroz, Anderson explodia as redes e nem tanto convencia a torcida quando os adversários eram os quatro pequenos: Força e Luz, Riachuelo, Atlético e Ferroviário. 

Ânderson nunca fez um gol, unzinho sequer, contra o América. Se acovardava como poodle diante de um rottweiler ameaçador nas figuras de beques como Joel Santana, o depois técnico Papai Joel e o gigantesco Argeu do América e Tito, o Tito com seu aspecto de chefe indígena, mulato e de corpo parecendo feito de madeira e talhado para concluir sua construção.

Foi morando em Recife, em 1980, que soube do impossível para meu bom senso de mero menino: Tito (primeiro na foto depois do goleiro Luiz Neto), fora contratado pelo ABC para disputar a Taça de Prata, a Série B de então, formada basicamente pelos vice-campeões das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste e os clubes intermediários do Sudeste e Sul. 

Tito faria – e fez, dupla de zona do agrião com o categórico Cláudio Oliveira, quase instituição tombada pelo patrimônio histórico abecedista. Cláudio Oliveira, calmo e clássico, se contrapunha a beques de roça, os mais famosos, Pradera, Ticão aprimorado no Alecrim e, há 42 anos, Tito, cuja experiência em Natal se resumia aos aspirantes do América ainda nos idos barrocos do Estádio Juvenal Lamartine. 

Vim ver ABC x América em 1980. A memória é o que tenho de valioso, se é que o passado sirva para algo de bom que não a abertura das torneiras nostálgicas. Fui ao jogo e fiquei nas cadeiras intermediárias, que eram bancos como os de igreja, com fiéis que trocavam salmos por palavrões e preces por pragas ao outro time. 

O América venceu esse duelo  por 2x1 com dois gols de Paulo César Cascavel, atacante de qualidade, que, formando dupla com Marinho Apolônio, desequilibrou o campeonato pelos lados vermelhos. 

O gol do ABC foi de outro craque ofensivo: Jonas, camisa 9 de habilidade e encerramento precoce de carreira, quando vidros de uma loja cortaram os seus tendões dos tornozelos. 

Aos 10 anos, tinha três de experiência diária, respiratória, de futebol. Temia pelo que Paulo César Cascavel e Marinho Apolônio poderiam fazer, se jogando sobre o virulento e simplório Tito. Paulo César Cascavel fez os gols e apanhou até pedir substituição. Marinho não passou do meio-campo. 

Tito me ensinou que a beleza não punha sozinha a mesa de um clássico: era preciso ter raça, fome, sempre. E nos sacrários alvinegros, há lugar para aqueles que fazem do suor o compromisso de lealdade à heráldica em preto e branco.

Tito morre e parte (já estava bem doente), na nuvem do velho Piaba, o carniceiro guarda-costas de Alberi. São indispensáveis à  contracena  do espetáculo. Eles, os homens maus. 

Tabela 
O ABC, que só joga dia quarta-feira contra o Altos, encerrando a rodada, observa o movimento pendular da classificação da Série C no fim de semana. O ABC vai bem. O desafio, em campeonato de tiro longo, é segurar a regularidade. 

 Jefinho 
É inevitável: Jefinho é  ponto fora da curva na linha ofensiva alvinegra com Fábio Lima, Kelvin, Wallyson e até Felipinho, que apoia melhor do que marca. Geovani deve tomar o lugar de Jefinho. 

Voltaço 
O próximo adversário do ABC depois do Altos é o Volta Redonda no Frasqueirão. Já se enfrentaram em 1976, com vitória dos cariocas no Castelão por 1x0. 

Diá 
Sua volta, agora no Altos, garante erotismo.  Na beira do microfone. 

Novo técnico 
O novo técnico do América precisa ser prevenido sobre o time que vai dispor. Para não se decepcionar. 

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