Trem-bala tem custos errados, diz presidente de comitê
Publicação: 30 de Outubro de 2009 às 08:13
Os custos para construção do trem de alta velocidade (TAV) entre Rio de Janeiro,
São Paulo e Campinas apresentam discrepâncias nos preços de escavação de túneis.
A constatação é do presidente do Comitê Brasileiro de Túneis (CBT), Tarcísio
Celestino, com base no projeto do governo federal. Os túneis em área rural, por
exemplo, são 46% mais caros que na área urbana, quando normalmente ocorre o
contrário. O preço de escavação de túnel simples - com uma via e 7,85 metros de
diâmetro - é 17% mais caro que o duplo, de 16 metros.
Nos 510
quilômetros do traçado do trem-bala, 90,9 quilômetros (18% da obra) devem ter
túneis, segundo o estudo elaborado pelo consórcio Halcrow/Sinergia, contratado
pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). As obras civis, que
incluem 107,8 quilômetros de pontes e viadutos, vão custar R$ 24,5 bilhões,
cerca de 71% de todo o projeto, orçado em R$ 34,6 bilhões.
O
preço do metro escavado de túnel em local onde o solo é composto por rocha é só
4% mais barato do que o mesmo serviço em local onde o solo é mole. "Em casos
reais de rocha de boa qualidade, a diferença pode superar 50%. Não vou dizer que
a obra é cara ou barata, mas a planilha é inconsistente. Apoiamos o
empreendimento, mas há necessidade de apontar mudanças de rumo", disse o
presidente do CBT, no seminário A Engenharia Nacional e o TAV, realizado no
Instituto de Engenharia, em São Paulo. O metro escavado de túnel em área rural,
sem grandes interferências na superfície, foi estimado no estudo em R$ 160,9
mil, enquanto em área urbana é de R$ 86,7 mil.
De acordo com
Hélio França, superintendente da ANTT, os preços no estudo da Halcrow/Sinergia
tiveram como base túneis da Europa, do Metrô de São Paulo e do Rodoanel, mas os
preços apontados são apenas "uma referência" para os editais do TAV. "Nós
tropicalizamos os custos, usando o Sisco, um sistema de custos que o Dnit
(Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que o próprio TCU
(Tribunal de Contas da União) utiliza e os empreiteiros não
gostam."
O responsável pelos estudos geológicos e geotécnicos do
TAV, André Pacheco de Assis, presidente do Comitê Sobre Treinamento e Educação
do International Tunnelling Association, disse que foram realizadas 519
sondagens em solo e rochas em todo o percurso proposto, num período de 75 dias.
"Os custos já foram revistos porque não estavam adequados. O traçado apresentado
está aprovado pelo governo federal e atende aos requisitos das pessoas que vão
usar o TAV."